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Scott Kelby Photowalk: o dia do passeio de Mafra
- Publicado em segunda, 26 julho 2010 08:27
Com 1111 passeios e 33483 fotógrafos inscritos, o Scott Kelby Worldwide Photowalk de 2010 é um evento que continua a crescer, numa cadeia mundial única. Em Portugal cerca de 300 fotógrafos participaram, divididos por oito passeios. Com uma média de 28% de participação feminina.
O passeio de Mafra associado à iniciativa, que organizei, tem o recorde nacional em termos de presenças femininas: 42 por cento. Mesmo considerando que possa existir alguma flutuação efectiva real, dado que por vezes alguns dos inscritos não comparecem, e por outro lado alguns dos inscritos trazem alguém a reboque que veio para ver (e acaba por participar), o passeio mais próximo, em termos de percentagem de presença feminina, tinha somente 37%. A variação ia de 12% de presença feminina aos 42% em Mafra.
O dado em si - fruto da matemática a que me dediquei nos minutos finais do período de inscrições - é mais uma curiosidade do que uma verdade científica, mas é uma informação que me interessa por revelar que a fotografia deixou de ser uma actividade associada a homens com grandes objectivas. No último workshop que realizei em Sintra a presença era maioritariamente feminina. Não sei se por eu fotografar flores regularmente, mas essa é uma verdade.

Em Portugal os passeios estenderam-se do Norte até à região de Lisboa, com uma evidente ausência de passeios no Sul, Alentejo e Algarve que seria bom ver colmatadas na edição de 2011. Mas este ano assistimos ao recorde de passeios nacionais associados ao Scott Kelby Worldwide Photowalk: oito percursos, começando em Vila Nova de Gaia, passando por Coimbra, Covilhã, Óbidos, Sintra (que organizei em 2009) e dois em Lisboa. E, claro, o de Mafra, a minha escolha deste ano, para fugir à confusão de Sintra, onde a problemática do estacionamento é sempre um quebra-cabeças. Mafra é, nesse aspecto, ainda, um paraíso. Como os participantes nesta caminhada puderam comprovar.
Balizadas as estatísticas, o passeio de Mafra foi um momento de convívio que parece ter deixado algum interesse por outras iniciativas na área da fotografia. A miúdos e graúdos, se bem que os mais pequenos - que compareceram também neste passeio - atingissem o ponto da saturação. Culpa dos adultos (do organizador ?) que perderam a noção absoluta das horas - coisa de fotógrafos - e fizeram de um percurso que devia ser coberto em duas horas e meia uma viagem que pelas 20 horas de sábado ainda tinha resistentes em acesa conversa fotográfica no terreiro diante do Convento de Mafra. A foto de família, que só foi realizada no final do percurso, mostra por isso mesmo, somente "os sobreviventes" dos 34 inscritos.
Os atrasos de alguns participantes atrasaram também a partida, é verdade, o que acabou por traduzir-se também na desistência de alguns outros mais tarde, porque horários mais complexos obrigavam a cortar a aventura. Houve quem desaparecesse sem sequer dizer adeus mas houve quem tivesse tempo de despedir-se, até quem estivesse de passagem, a caminho do Algarve, mas tivesse decidido incluir no roteiro esta viagem em busca do castelo de Mafra.
Efectivamente o passeio tinha por objectivo ver o que resta de um castelo de que pouca memória resta. O que nos levou do Jardim do Cerco, mesmo ao lado do Convento, e que muitos desconhecem, pela rua recta que leva à Vila Velha, à descoberta do lugar onde Mafra nasceu. E onde nos esperava a igreja de Santo André, espaço sagrado por norma fechado mas aberto em algumas tardes e naquela ensolarada metade de sábado dia 24.
A iniciativa chamou a atenção da estação de rádio local, que após uma entrevista na semana anterior ao evento decidiu mesmo enviar uma repórter ao local, para cobrir "ao vivo" o passeio, entrevistando alguns dos participantes de todas as idades, num sinal evidente de que este tipo de iniciativas em que a fotografia tem um papel dominante podem ser exploradas localmente como meio de atrair pessoas. Efectivamente alguns dos participantes confessaram-me que seria bom ter passeios de carácter mais fotográfico nos roteiros do município.
Com compactas ou reflex, todos fizeram o gosto ao dedo, algo que irá reflectir-se no grupo do Flickr criado propositadamente para receber as fotos do grupo, e ainda nos espaços oficiais associados ao evento de Scott Kelby. As imagens aqui publicadas são uma pequena amostra do dia, as poucas que fiz dado que passei a maior parte do tempo a conversar com pessoas, tentando resolver questões fotográficas ou simplesmente debatendo temas em torno da paixão que é a descoberta da visão pessoal de cada um. A foto de grupo, apesar de registada na Olympus E-PL1 que levei, é de um fotógrafo presente que se recusou a aparecer do outro lado da câmara. Tenho de agradecer-lhe o ter feito de tripé.


































































