A prova de que a fotografia existe para lá deste mundo material é dada hoje pelo meu amigo António Fazendeiro, que inaugura em Second Life a sua exposição. Ouse fazer uma visita diferente e acabar o 1º de Maio num outro mundo.Um dos temas de destaque deste mês aqui na FD é mesmo Second Life como mundo alternativo para a prática fotográfica e de exposição de fotografia. Coincidência ou não, o telefonema de um amigo de longa data confirmou o que escrevi.
António Fazendeiro, que em Second Life vive sob a figura de reViriato Merlin, inaugura hoje, dia 1 de Maio, a sua exposição de fotografias do mundo real. Fá-lo num espaço que descobriu há dois anos, Second Life, esse mundo virtual que a Comunicação Social explorou como tema e depois cuspiu como faz com tantas outras coisas. Pessoas até...
Pessoas até... porque como diz o António Fazendeiro, ele foi “cuspido” para fora do fotojornalismo após uma carreira que começou na segunda metade dos anos 70, com passagem pelo Diário Popular e colaborações com o Sete e o Primeiro de Janeiro. Os nossos caminhos cruzaram-se nos anos 80, no jornal A Capital, para onde fiz o suplemento de fotografia Olhar, marco da época, criado graças ao empenho de um Chefe de Redacção com paixão pela fotografia: João Vaz.
Com a venda de A Capital no ano 2000, o Fazendeiro tornou-se freelancer, mantendo diversas colaborações que a actual situação do mercado tende a asfixiar. O fotojornalista por trás do avatar de Second Life percorreu assim, desde 1977, um caminho pelos principais órgãos de comunicação social escrita, como “operário” do fotojornalismo, desde os extintos Diário Popular, Diário de Lisboa, A Capital, o 1º de Janeiro, o Sete, o Semanário, o Independente, o Ponto. Agora, diz, “deixei de ter clientes, dadas as circunstâncias reais e económicas existentes na área em que trabalho.”
É por isso que procura novos desafios, algo para que o mundo virtual de Second Life parece ter contribuído, ao abrir-lhe a mente e visão para os problemas de pessoas deficientes, dando-lhe a conhecer uma realidade (através de ligações virtuais) que o empurrou para querer envolver-se com o trabalho de auxílio a deficientes, explorando o potencial de Second Life a par com o mundo real para o ensino de fotografia a jovens e idosos, deficientes ou não, como forma de apoiar a estimulação intelectual.
É sobre isso que o autor fala hoje ao abrir a sua exposição em Second Life. Uma mais numa série que tem realizado daquele lado da vida. A exposição tem lugar em Portucalis. No número 7 do Largo das Flores, no espaço Tripé.
Portucalis é, para os que não sabem, um lugar em Second Life. De sabor português, criado a 10 de Junho de 2007 como espaço de cultura, mantido por portugueses. Pelas 22 horas de hoje (hora portuguesa) a exposição abre. A entrada é grátis. Se não sabe como efectuar a visita mas quer experimentar, ainda está a tempo: faça download do programa em www.secondlife.com, inscreva-se, crie um avatar (a sua representação virtual) e tecle no motor de busca o termo Portucalis. Use o teletransporte oferecido e descubra que o mundo real também pode ser visto em fotografias do lado de lá: naquela Segunda Vida.
Se acha que é difícil de entender, experimente adquirir o livro Mundos Virtuais, da Porto Editora, que escrevi e onde explico o que é este universo de comunicação e colaboração. Vai ver que não se arrependerá. A exposição de fotografia de António Fazendeiro aka reViriato Merlin pode ser o começo de uma nova aventura.
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