Exposições
PhotoEspaña em Lisboa
- Publicado em quarta, 27 maio 2009 08:21
O título sugere uma relação directa entre evento e local. Não é verdade somente duas exposições passam por cá. Troca cultural mas também sinal de uma dependência já habitual. Incapazes de manter os projectos nacionais, vivemos à sombra de Espanha.A PhotoEspaña 2009 enquanto acontecimento não me preocupa. E que a Lisboa cheguem algumas exposições, num intercâmbio que alarga horizontes, também não. Mas sinto que seria bem melhor termos nós uma PhotoPortugal 2009 que teria o seu calendário próprio – até podia acontecer na mesma altura – e que, por exemplo, trocaria mostras com a vizinha do lado.
Provavelmente acabei de escrever um disparate, mas a ideia parece-me interessante e fazível. Em cada nova edição escolhiam-se alguns artistas que iam expor no país ao lado, trocando experiências, ao mesmo tempo que se mantinham os eventos nacionais. Quem estivesse disposto a fazer a viagem ao outros lado da fronteira podia ver uns e outros.
Claro que isto não funciona enquanto em Portugal se quiser fazer mega-eventos para os quais depois ninguém tem dinheiro – bem, se fosse um evento com duas balizas e 22 tipos a correr já se conseguiam boas-vontades. Temos exemplos disso mesmo. Fizemos o Mês da Fotografia de Lisboa e fazendo justiça ao nome fez-se mesmo somente um mês, em 1993, e nunca mais. O nome traçou-lhe o destino. Será o fado nacional?
Depois inventámos a LisboaPhoto (veja-se esta definição centralizadora), sempre “no umbigo” do País. Espanha tem uma PhotoEspaña, nós fazemos uma LisboaPhoto que em 2003 e 2005 esgotou as reservas para a sua produção. Nunca mais se ouviu falar dela. Nós somos assim, como dizia o general romano, no canto da Ibéeria existe um povo que não se governa e não se deixa governar... Bem, alguns governam-se, mas isso é outra história.
Agora, para colmatar a nossa incapacidade, recebemos a PhotoEspaña 2009 em Lisboa. Duas exposições no Museu da Colecção Berardo, inauguradas com pompa e circunstância - como usa dizer-se – pela directora do festival Claude Bussac e o comissário-geral, Sérgio Mah
As exposições de Cristóbal Hara e Mabel Palacín fazem parte da secção oficial do festival, que este ano se articula em torno do quotidiano. Cristobal Hara apresenta uma exposição antológica com uma centena de fotografias da vida quotidiana de aldeias espanholas de que foi testemunha privilegiada de costumes, tradições e contradições.
A mostra de Mabel Palacín exibe instalações audiovisuais e série fotográficas que reflectem sobre o papel e a função das imagens na era digital.
Como referi acima, não tenho nada contra esta “invasão” de Lisboa, a cultura não conhece fronteiras. Mas a nossa incapacidade para nos demarcarmos acaba por ter reflexos nas outras pequenas coisas que nos apoquentam. O quê? Como é que querem que alguns povos saibam quem somos e que somos distintos de nuestros hermanos se o título do comunicado de Imprensa distribuído diz exactamente o que usei para título PhotoEspaña 2009 em Lisboa. Qualquer pessoa acreditará depois, ao ver um mapa em que as fronteiras entre Portugal e Espanha se foram que somos de facto um só rincão.
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