A Getty revelou informação até agora confidencial sobre o crescimento do mercado de fotografia para a Web. O mundo está a mudar... e muitos fotógrafos acham que não é para melhor!
A aquisição de fotografias nas agências de microstock oferece um indicador precioso para se perceber que o mercado está mesmo a mudar: 40 a 50 por cento dos compradores são novos clientes, em busca de imagens para novos fins.
Esta constatação – que já anteriormente levou a Getty Images a adquirir a iStockphoto - aponta para uma utilização do microstock que é de 15 a 20 vezes o volume do mercado tradicional de fotografia dos bancos de imagem.
Esta informação surge a poucos dias da venda da Getty Images a compradores, a Hellman & Friedman, que vão apostar seriamente no mercado de microstock, uma informação que vai ser essencial para os fotógrafos trabalhando com a agência. Que vão ter de tomar decisões. De facto, enquanto o mercado indica que o volume de imagens vendidas com licenças tradicionais tem declinado desde 2006, o microstock quase triplicou. O problema é que muito mais fotos são vendidas por muito menos dinheiro, uma equação que não parece agradar aos profissionais. Por isso mesmo o mercado de microstock é sobretudo povoado por jovens fotógrafos amadores, para quem alguns cêntimos podem ser q.b. por uma foto.
Esta mudança na Getty não é exclusiva da agência, e sinaliza uma tendência que se tem vindo a definir no mercado. Alguns bancos de imagem têm resistido, como a Alamy, que representa cerca de 14 mil fotógrafos e quase 500 agências. Mas até a Alamy, tradicionalmente um espaço de RM (Rights Managed) acaba de inventar um Novel Use para as imagens dos que a usam como canal de divulgação.
De facto o Novel Use (NU) foi apresentado aos fotógrafos no final de 2007, quando a agência sugeriu pretender responder a solicitações de mercados não habitualmente utilizadores dos seus serviços, mas que precisavam de preços baixos para grandes volumes de utilização. A ideia não foi muito bem aceite pela generalidade dos autores, pelo que esta semana (13 de Junho) a agência anunciou uma variante do NU, designada Limited Use, que a Alamy salienta ser diferente dos esquemas de “micro-pagamento” mesmo se pretende competir com aquela opção.
Segundo a agência o projecto não deve minar os licenciamentos actuais, pelo que o uso das imagens deve ser exclusivamente para áreas não cobertas pelas actuais licenças, mas deve poder ser competitivo face à concorrência... quer dizer as microstock!
De acordo com informação da Alamy, os destinos possíveis destas imagens são blogs, redes sociais, educação (excluindo a publicação em papel, claro!). As imagens nunca podem ser usadas para publicidade, somente como conteúdos editoriais ou ilustrativos, e os preços sugeridos vão de 70 cêntimos por uma imagem com 450x300 pixéis até € 2,1 por uma foto com 1142x1688 pixéis.
Esta medida da Alamy, que foi recebida com desagrado pelos fotógrafos – que podem, contudo, não assinar este acordo –, sugerindo alguns que é mais lucrativo apanhar alguém a usar ilegalmente uma imagem e levá-lo a tribunal do que vender fotografias a tais preços.
A verdade é que este modelo de negócio parece vir para ficar, mesmo que a Alamy prometa ajustar aspectos deste tipo de licenças no futuro. Para já o que a agência fez foi recomeçar a usar marcas de água nas imagens disponíveis online, de modo a proteger as imagens de pequena dimensão visíveis no site da agência.
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