You are here: Home Comunidade Os Fotógrafos 2 mundos de Edward Osborn

2 mundos de Edward Osborn

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

Os dois mundos de Edward OsbornA Internet dá-nos a possibilidade de cruzar caminhos, mesmo que virtuais, com fotógrafos que nos marcam. A fotografia de Edward Osborn foi o ponto de partida numa viagem em torno da cor, de linhas, de experimentação, de ousadia, de olhar atento sobre o quotidiano. Um turbilhão de movimento e gente que em simultâneo nos convida a um recato zen.

Das linhas nas caóticas passagens de peões cheia de gente em Shibuya, Tóquio, até às linhas de paisagens do Arizona, nos Estados Unidos, a fotografia de Edward Osborn deixou-me surpreendido, pelo contraste entre os dois mundos registados e pela delicadeza de trato dos temas. Múltiplos registos do quotidiano alinham-se com paisagens que nos sugerem a dualidade dos mundos em que vive: a frenética Tóquio e as expansões selvagens americanas. Com passagem, ainda, por outros locais que registou de uma forma que me deixa com inveja. Daí nasceu uma troca de emails que levou a esta entrevista e a uma pequena amostra reveladora dos dois ou mais mundos distintos de um fotógrafo que vale a pena descobrir. E revisitar. Experimente. É sempre com agrado que passo alguns minutos a viajar pelas novas fotos do autor.

1 – Onde vive?
Em Tóquio, no Japão

2 – Há quanto tempo faz fotografia?

De forma irregular durante os últimos 30 anos, mas fotografei mais nos últimos três anos do que nos primeiros 27!

3 - Como descreveria o seu estilo?
Ecléctico. Sei que grandes fotógrafos falam muitas vezes de como é importante desenvolver um estilo pessoal e até certo ponto concordo, particularmente para fotógrafos comerciais. Para mim, contudo, um dos grandes prazeres da fotografia é experimentar coisas novas.

Os dois tipos de fotografia que mais aprecio são a paisagem e a fotografia de rua que são, pelo menos para mim, campos quase opostos em termos de forma de aproximação e resultado.

A fotografia de rua para mim é toda movimento e o momento. Em Tóquio pode ser também a capacidade de gerir a sobrecarga visual! Estou completamente à vontade com fotos “complicadas” quando esse “complicado” é igual a mais para olhar ou a algum gesto ou emoção que podem não ser capturados de forma mais perfeita no aspecto técnico.

A fotografia de paisagem é uma experiência totalmente distinta – muito mais introspectiva e com muito mais atenção dada a todos os detalhes sob o nosso controlo como fotógrafos.

EdwardOsborn_Arizona_2007
EdwardOsborn_Arizona_2007
EdwardOsborn_ChiangMai_2009
EdwardOsborn_Elephant_2009
EdwardOsborn_Hanoi_2009
EdwardOsborn_Shibuya_2009
EdwardOsborn_ShibuyaCrossing3_2009

4 - Que fotógrafos sente que influenciam o seu trabalho? Por que razão?
Esta resposta podia ser muito longa mas vou tentar ser um pouco restritivo: Ansel Adams e W. Eugene Smith pela sua experiência e postura. Edward Weston pelo seu incrível olhar. Daido Moriyama e Gary Stochl pela fotografia de rua. Gordon Parks pela consideração que transparece da sua fotografia. Vincent Versace pela beleza pura das suas fotos.

Em termos de técnica, livros de John Shaw (para tudo o que se relaciona com o uso de uma câmara), Tony Sweet (para métodos de trabalho e visualização) e Freeman Patterson (pela atitude mental) têm sido uma grande ajuda para mim.

5 – Qual é o seu fotógrafo vivo favorito?
Embora só tenha visto parte do seu trabalho, acho que a fotografia de Sebastião Salgado é muito poderosa.

6 - Que tipo de câmaras usa?

Uso uma Nikon D300 e uma Panasonic Lumix LX-3.

7 – Acessório favorito além da câmara?

Acho os tripés como algo essencial mas dado que não aprecio carregar um diria que é uma Lensbaby. Usar uma Lensbaby obriga a ver e pensar de uma forma diferente sobre as fotos que se pretende fazer, o que é uma coisa boa. E divertida também.

8 – Se só puder transportar uma objectiva qual será a escolha? Por que razão?

O meu zoom Nikon 80-200mm. É um pouco suave mas extremamente versátil.

9 – Se pudesse sair para fotografar com outro fotógrafo quem escolheria?

Estou tentado a dizer Michael Kenna, mas a minha escolha seria Steve McCurry, ele é um excelente fotógrafo e o seu trabalho muito importante. Só poder conversar com ele seria um privilégio, ainda mais fotografar a seu lado.

10 – E que local escolheria para fotografar?

Dado que vivo numa cidade cheia de gente preferiria algo remoto, talvez na Ásia central.

11 - Que conselhos tem para fotógrafos que estão a começar?

Aprenda as regras da composição antes de tudo o resto. E tire muitas fotografias, mas tire-as com uma ideia em mente e aprenda com os resultados.

12 – O seu projecto seguinte?
Estou a planear uma série nocturna em Tóquio. Já fotografo muito à noite com a minha LX-3, sobretudo em lugares com razoável actividade. O que pretendo fazer a seguir é sair com o tripé e a minha Nikon para diferentes perspectivas da cidade, lugares calmos com vagos sinais de movimento.

Edward Osborn
eosborn (at) myfastmail.com
http://underexposure.shutterchance.com/

 
Faixa publicitária

A ideia de realizar entrevistas com fotógrafos começou na edição em papel da Fotodigital e recupera-se aqui, num formato diferente, com uma entrevista tipo que é distribuída a diferentes autores. A ideia de ter uma série de perguntas sempre iguais feitas a fotógrafos, amadores, profissionais, com maior ou menor envolvimento com a fotografia é-me particularmente interessante, porque a partir de algo que é uma matriz e acaba por ser igual para todos se recebem respostas diferentes, de maior ou menor dimensão, que de alguma forma reflectem o que cada autor tem a dizer sobre a fotografia e a forma como ela o motiva. É uma forma de entrevista interessante por esse aspecto: porque sob a capa de uma ideia de unidade se parte em direcções muito diversas que reflectem a variedade de "visões fotográficas" existente.

Note for foreigners

This series of interviews departs from a unique set of questions made to professionals and amateurs and counts on the differences between photographers to offer a variety of visions about photography. I've tried this before on a printed magazine, Fotodigital, and was pleased with the results, although the set of questions was different.The somehow simple set of questions is enough to show us the different visions from authors and that is something I feel is really interesting: to have a "one size fits all" interview that at the very end really reflects how much each author has to say, at a certain moment in time, about their photography.
This explaining  text is here because some of the authors interviewed do not speak Portuguese.

Os Fotógrafos