Notícias
Nokia é melhor do que iPhone... e igual a DSLR
- Detalhes
- Publicado em 15-06-2011
A Nokia pretende demonstrar que a sua aliança com a Carl Zeiss lhe permite oferecer melhores fotos do que o iPhone, e pelo caminho acaba por deixar no ar, de novo, que o seu N8 até é comparável a uma reflex. E que a substitui sem compromissos. Estes finlandeses são doidos!
Há alguns anos atrás perdi uma campanha de publicidade da Nokia por discordar da afirmação do marketing da marca de que os seus telemóveis podiam substituir um estúdio profissional de fotografia. A afirmação vinha num folheto de promoção da marca e, quando confrontei os responsáveis da Nokia com isso, pareceu-me que até eles desconheciam a dimensão do disparate.
Mas a verdade é que o disparate continua. Agora, começa num outro ponto, com a Nokia a pretender explicar por que razão as fotos saídas dos seus telemóveis são melhores do que as do iPhone, mas a acabar pelo caminho a fazer comparações com a PowerShot G112 da Canon e, de forma subliminar, a mostrar uma reflex no vídeo, como forma de dizer... e com aquelas também.
Confesso que nunca hei-de entender as razões que levam a Nokia a andar sempre em bicos de pés quando se fala de fotografia, num eterno "eu estou aqui, eu estou aqui, olhem para mim". Soubessem os responsáveis da marca entender que, porventura, têm o melhor telemóvel com câmara fotográfica do mercado (e não é algo que eu possa garantir, nãpo faço ideia...) e toda a gente vivia feliz. Agora quererem comparar-se a aparelhos compactos de igual para igual é uma ideia infeliz... porque muitas das comapctas com que se podem comparar e vencer custam 99 euros, e um telemóvel destes fica na faixa dos 600... Portanto, asism é fácil.
E eu pessoalmente não acredito que um Nokia por mais pintado que seja, consiga bater uma Powershot G11... ou já que estamos na Canon uma qualquer outra compacta de um segmento médio da Canon. Eu sei que o marketing da Nokia colocou telemóveis seus nas mãos de muitos fotógrafos e lhes pediam que contassem histórias - a Apple faz o mesmo com o iPhone e fotógrafos americanos -, mas nada disso prova que algum desses convidados trocasse o seu equipamento no fim do período de ensaio.
A verdade é que para a dimensão de muitas fotos que vemos na Internet, não fará diferença usar uma reflex de topo, um telemóvel com câmara ou... uma máquina de plástico saída nos furos da bola. Mas experimente-se ampliar uma imagem dessas e começa-se a entender por que razão quem vê e quer VER rapidamente percebe as limitações de um telemóvel no grande campeonato da fotografia.
A generalidade dos testes que vi comparando alhos com bugalhos... perdão telemóveis Nokia com câmaras reflex, surgem em espaços que me deixam logo a pensar em alguma espécie de religiosidade. Muitos deles não inspiram qualquer confiança e a dimensão das fotos para comparação confirma o que eu escrevi acima: naquela dimensão qualquer coisa serve. Além de que para os testes, tudo indica, os autores usaram as DSLR em automático. Ora quem investe numa câmara reflex é porque em determinada altura quer controlar efectivamente o processo criativo, algo que dificiilmente fará num telemóvel, pensado para outro tipo de fotografia.
Esse é o problema de muita desta propaganda. Esquece que distintas ferramentas servem distintas aplicações. E esquece ainda que apesar de todos gostarmos da história de David e Golias, ela não se aplica aqui: como é que querem que um aparelho que é cada vez mais fino consiga ter dentro um sistema óptico que rivaliza com uma objectiva, mesmo de uma compacta. Não basta ser de vidro e da Carl Zeiss para ser bom. E aliás, recordo aqui recentes testes da DxO que referem que até uma 50mm f/1.8, a mais barata objectiva da Canon, consegue ser melhor do que algumas ópticas muito dispendiosas da Carl Zeiss. Portanto, só o nome não garante nada.
A Nokia tem um problema: quer fazer telemóveis cada vez mais finos e câmaras fotográficas integradas cada vez melhores. Dificil conciliar ambas as coisas, como o exemplo do Micro Quatro Terços nos mostra. Afinal nem as câmaras nem as objectivas são mais pequenas, como nos haviam prometido. Ou pelo menos tão mais pequenas...
E além disso a Nokia - e restantes fabricantes destes híbridos - tem um outro problema: como alimentar uma câmara cada vez mais exigente, se possível com um flash a sério integrado, e todas as necessidades energéticas do bloco telemóvel? É que corpos mais pequenos significam baterias mais esguias, donde com menos espaço para alojar a energia...
Apesar de tudo isso a Nokia continua a querer fazer passar a sua mensagem. E agora, apesar de em alguns textos não ir tão lonmge e ficar-se pela qualidade que rivaliza com as das comapctas, continua a inserir em alguns locais, como no seu NBlog a nota de que, e até mantenho o texto original integral, e uma iamgem da página
With 12 megapixels and Carl Zeiss optics, the picture perfect results that can be achieved with the Nokia N8 beat many existing compact cameras on the market – and are even comparable to the images produced by leading SLRs.
E o vídeo que acompanha este artigo tem, mesmo no final, alguém a dizer que a Nokia pode afirmar orgulhosamente que actualmente um telemóvel Nokia com uma objectiva Carl Zeiss é um substituto para uma reflex sem qualquer compromisso.
Tenho mesmo de perguntar: que ingredientes bebem ou fumam os homens da Nokia?
Ah, como nota final, ontem mesmo a Nokia e a Appe deixaram cair todos os processos que tinham entre si em tribunal. Parece que vão ser grandes amigos no futuro. Tremei Canon e Nikon, que agora é que vai ser...









































































