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Fotos roubadas no Facebook

Fotos roubadas no FacebookAs redes sociais podem ser o novo banco de imagens de alguma Comunicação Social em busca de fotografias. O caso do jornal britânico Scottish Sunday Express cria novas preocupações face ao destino das fotos online. Mas é so um entre muitos, descobre-se pesquisando no Google.


Teclar "photos stolen from Facebook" no Google dá 124 milhões de respostas, um número que mesmo descontando o carácter "reprodutivo" da Internet sugere a dimensão do fenómeno. E trata-se somente do Facebook, a mais popular rede social do momento, porque existem milhares de outras redes de onde as imagens desaparecem, igualmente, para o mesmo fim. Desaparecem ou reproduzem-se, dado que uma cópia digital é isso mesmo.

Não são somente os predadores de sexo na Internet que procuram fotografias nas redes sociais. Se bem que com outro fito, agora também os jornais o fazem, pelo menos a acreditar no que sucedeu com o jornal britânico que retirou e redes sociais imagens de jovens sobreviventes do massacre de Dunblane (ocorrido a 13 de Março de 1996 na escola do mesmo nome) para um artigo sobre os sobreviventes.

A comissão responsável por analisar o caso já salientou que o jornal cometeu um sério erro de julgamento ao publicar as fotos, mesmo se as identidades dos jovens já são conhecidas. Apesar da nota, a comissão indicou que é aceitável publicar imagens obtidas em redes sociais... sempre que as pessoas se tornem notícia pelas suas acções, ou quando a sua publicação seja relevante por ligação a algum caso tornado notícia.” No caso do jornal a comissão indicou, contudo, não parecer haver qualquer razão para a publicação das fotos, pelo que fica a dúvida sobre o que pode suceder no futuro com situações deste tipo.
Este incidente sucedeu poucos dias após imagens da família do próximo responsável do MI6 britânico, Sir John Sawers, terem surgido no Facebook e de imediato terem sido usadas pela imprensa. É este tipo de problemas que começa a despertar a atenção de quem se preocupa com a perda da privacidade. As pessoas são muito ciosas dessa privacidade, parece, mas perdem a cabeça quando lhes acenam com as redes sociais. De repente despejam milhares de fotos de toda a família, e dados pessoais, em qualquer lugar acessível a todos.

Essa é, aliás, uma das razões do sucesso das redes sociais. Segundo Joseph Bonneau, um dos responsáveis por um estudo sobre o que sucede às imagens no Facebook realizado pelo departamento de segurança da Universidade de Cambridge, uma das traves-mestra da Web 2.0 (um cliché que ninguém sabe explicar bem, mesmo se vamos a caminho da Web 3.0, segundo alguns iluminados...) é o conteúdo enviado para a rede pelos utilizadores. Sobretudo as fotografias. No Facebook existem, por causa disso, mais de 40 mil milhões de fotos, mais de 200 por utilizador, com 25 milhões de novas fotos entrando na rede... todos os dias. É todo esse conteúdo que fica ao alcance de qualquer utilizador que saiba como procurar. Mas a manutenção de tantas fotos criou também um problema de arquivo, com duplicação de informação em servidores, o que origina que quando um utilizador decide apagar as suas fotos... elas possam não ser totalmente apagadas ou, na melhor das hipóteses, demorarem meses até saírem completamente do circuito. Isso significa que uma vez que se colocam as fotos numa rede social não se pode ter a certeza de alguma vez limpar essa informação da Internet. Se adicionarmos a isto o facto de a generalidade destes sites dividirem informação com “companhias associadas” (o que quer que isso signifique) é muito provável que os dados de um mesmo utilizador acabem em múltiplos pontos distintos entre si, talvez até geograficamente ao redor do mundo, pelo que qualquer hipótese de controlo de dados parece... ténue.

Para quem tiver interesse em ler mais sobre as descobertas dos investigadores da Universidade de Cambridge aconselho uma visita a  http://www.lightbluetouchpaper.org/, que pode ser ilustrativa de alguma da realidade das redes sociais.

De volta à fotografia, quando no começo  de 2009 o Facebook pareceu sugerir, por uma mudança de regras, que ia tornar-se detentor dos direitos de todas as fotos armazenadas nos seus servidores, impedindo os utilizadores de as pagarem, a comunidade tremeu. Ante as acusações de invasão de privacidade (que de qualquer modo parece estar a suceder, mas por outras razões) o Facebook recuou e manteve o mesmo contrato de serviço, mas ante as descobertas da Universidade de Cambridge acaba-se a pensar se esse recuo significa, na prática, alguma coisa. E afinal Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, afirmou, quando anunciou o recuo de posição, que os termos anteriores são a atitude certa a tomar. Mas acrescentou... “por agora”.

 

A posição da Comunicação Social face à utilização de imagens ainda não é precisa, mas desde 2005 que se vão avolumando casos de utilização, alguns elevando o tom de discórdia sobre o que é ou não legal ou aceitável destas práticas.  Ainda recentemente a TMZ usou imagens de Michal Jackson com amigos “roubadas” do Facebook.

Onde quer que esta verdade nos leve, o que está a suceder é que o volume de informação no Facebook e demais redes sociais continua a crescer, e milhares e milhares de fotos ficam ao alcance de quem as quiser apanhar. E se as últimas palavras da frase de Mark Zuckerberg tiverem algum sentido – “por agora – um destes dias os utilizadores do Facebook vão descobrir que contribuíram gratuitamente para o maior banco de imagens do planeta. Pessoal mas transmissível. Há que pensar onde é que deixamos as nossas fotos.

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