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BP, golfe e OVNIs: o Photoshop é culpado
- Publicado em quarta, 21 julho 2010 10:24
Das fotos falsas em torno do acidente da BP à “acusação” de que o Photoshop cria um OVNI que voa, em filme, nos céus da China, o mundo parece ter ensandencido e apontado a ferramenta da Adobe como origem de todos os males. Até no golfe o Photoshop faz das suas, fazendo desaparecer pessoas.
Ou melhor...fazem as pessoas usando a ferramenta da Adobe. Se bem que nem tudo possa ser assacado ao Photoshop, mesmo que ligando-o ao uso por humanos. É que no caso da China, parece estranho que as pessoas acreditem que algo que surge em movimento nos céus daquele país possa ser imputado ao Photoshop. É verdade que na esteira do acontecimento surgiram na Internet pretensas imagens de OVNI que toda a gente tinha fotografado, mas se descontarmos esse lado da história, é difícil acreditar que alguém tenha usado o Photoshop para pintar nos céus, à vista de toda a gente, um objecto em movimento. Eu sei que o Photoshop CS5 faz maravilhas, mas não tanto...
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Afinal existe mesmo uma explicação plausível. E não se trata de uma invasão de extra-terrestres ou de um anúncio da Adobe. Tudo contado na CNN.
Tudo pode resumir-se, afinal, ao habitual ensandencer de Verão que assalta a Comunicação Social e, parece o público. As mudanças bruscas de temperatura também podem explicar este fervilhar da imaginação. E no meio de tudo isto o Photoshop é cada vez mais uma figura presente, como se transformado no “inimigo público número 1” da verdade, quando afinal quem mente é quem o usa.
Isto leva-me a perguntar onde ficam os limites do que se pode fazer com o Photoshop. E se a Comunicação Social não estará a ir muito longe na sua assunção de que a fotografia é algo verdadeiro. Um caso? Bem, o recente caso de uma imagem de golfe que foi retirada da distribuição da Getty Images quando se descobriu que o fotógrafo havia retirado parte de uma pessoa visível atrás do fotografado deixa no ar a ideia de que atingimos um momento crítico. Seria assim tão importante aquele “meio corpo” estar dependurado no ombro do golfista ou seria melhor retirá-lo?
Afinal a confusão inicial em torno a imagem e que levou à sua retirada revelou-se como uma troca de imagens na altura da edição, numa saborosa história contada pelo fotógrafo depois de a notícia correr. É uma história a reter, pelo que significa do que pode acontecer no mundo real, mas também por traçar o quão exigente – demasiado exigente, segundo alguns – se está a tornar esta política de não alteração de imagens. É que para mudar o tom geral de uma imagem nem sequer é necessário o Photoshop: basta mudar o ângulo de captura, a quantidade de luz que atinge o sensor, a relação entre palnos focados e desfocados e outras coisas mais. O que fica registado no RAW é “verdade”, mas a verdade de quem?
Mais grave é o caso da BP, que parece ter falsificado fotos do seu centro de operações da recente crise da fuga de petróleo, colocando imagens sobre ecrãs que não estavam em funcionamento para dar uma ideia da intensa actividade no local.
A descoberta do trabalho amador feito em Photoshop agravou-se quando o EXIF da foto em questão revelou que a mesma é de 2001, portanto bem antes do evento que lançou a BP para as primeiras páginas dos jornais... e a ira do público. E agora a ira dos que não acham piada a estes exercícios de Photoshop.
E o pior que é não contente com uma primeira vez a BP parece ter também alterado outra foto relativa ao acidente. Se associarmos isto ao facto de a empresa ter tentado evitar por todos os meios que os fotojornalistas cobrissem aspectos das operações, começa-se a entender as razões. Só que se pretendem continuar têm mesmo de contratar alguém que saiba um pouco mais de Photoshop. Os exemplos descobertos revelam uma má qualidade do operador.
A história com todos os seus contornos já corre por diferentes locais, de jornais a blogs, mas leia-a no AmericaBlog. Vale a pena.


































































