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Nova tradição saloia: proibido fotografar
- Publicado em terça, 17 agosto 2010 20:44
Fotografar na rua é cada vez mais complicado. A mais recente prova disso mesmo recebi-a hoje: em São Mamede de Janas, terra de ermida circular como poucas há em Portugal, o sinal na igreja neste período de festas é um rotundo NÃO É PERMITIDO TIRAR FOTOS. E na festa, os olhares de suspeita sobre quem fotografa são mais do que muitos.
Tiram-se milhares de fotos com telemóveis, outro tanto com compactas e por aí adiante. Mas quando se puxa de uma reflex e se demora mais do que o tempo do instantâneo para fazer algo... as pessoas fogem. Ou questionam-nos. Fotografar é cada vez mais uma actividade mal vista..
Em São Mamede de Janas, além dos que pelo movimento ou cara/esgar que me fizeram me disseram que não podia fotografar, fui interpelado por um visitante que não gostou que eu o estivesse a fotografar. Não estava, de facto, tentava apanhar um raio de sol que entrava pela janela da ermida, pelo que tudo lá dentro ficava imerso numa penumbra. Tentei conversar a bem e até mostrar-lhe o que tentava fotografar, mas ele manteve a sua, irredutível e nem a companheira com que falava e que o tentou dissuadir de me aborrecer, o levou a desistir de dizer que eu não o podia fotografar e que "isso da fotografia é perigoso". Estamos portanto neste pé. E o que me preocupa é que isto começa a ser regular. Ainda há dias, numa festa popular em Queluz, fui interpelado pelas mesmas razões.

Agora, eu sei que estava a fotografar dentro da igreja e que na entrada havia um sinal de proibição. Mas não me senti em falta. Cubro as festas de São Mamede de Janas desde os anos 80 e pela primeira vez me deparei com uma proibição de fotografar. Tentei falar com alguém responsável mas só apanhei uma daquelas senhoras das comissões de festas que me disse que com flash ou sem flash - em resposta ao que perguntei - era tudo igual. E desatou a tratar de outras coisas sem me dar resposta. Disse-lhe - e não sei se me ouviu - que era por causa de respostas assim que ninguém respeitava a indicação. De facto, dentro da igreja, de telemóveis tocando a flashes disparando, havia de tudo. Calculei que eu, sentado sossegado num canto, tentando fotografar o ambiente, sem usar flash, não iria incomodar.

Fiz mal? Acho que não. Afinal, a ermida de São Mamede de Janas é o centro da festa, e sem esse elemento chave da ambiência não faz sentido documentar o evento. A arquitectura original presta-se a fotografias únicas a que a luz coada pelas janelas em redor acrescenta algo de especial, que nos leva a outro tempo. Esquecer a importância da imagem para registar esses momentos, num tempo em que os eventos tradicionais vão perdendo muita da sua ligação às origens e mesmo público, é impedir a excelente ferramenta de divulgação que é a fotografia de levar a mensagem a muito mais gente. E afinal, nos momentos de festa, o interior da igreja é um espaço comunitário onde se conversa, numa garrida manifestação tonal que não parece ter importunado o Mais Alto. Nem isso nem os flashes dos telemóveis e compactas. Por que razão há-de alguém terreno e com menos poder querer instituir leis em dias que devem ser de festa?


































































