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Nova associação defende "Shoot for peace"
- Publicado em Quarta, 25 Agosto 2010 12:12
Já pensou que as suas fotos podem contribuir para demonizar o “outro” criando barreiras ao entendimento mundial? A IGVP foi criada para combater essa tendência. E pede que "shoot for peace". Ami Vitale e David duChemin são alguns dos fotógrafos que já apoiaram a ideia.
É estranho que a tecnologia que serve para nos unir sirva também para separar pessoas. A fotografia e a videografia que, em aliança com a web, levam imagens do mundo rapidamente de um para outro lado é uma moeda com essas duas faces: e muitos de nós participam activamente do lado mau dessa força, sem perceberem o alcance dos seus actos. Numa era de mais fácil comunicação universal estamos, efectivamente, a ser menos capazes de resolver as nossas diferenças ou a mostrar sensibilidade para o sofrimento em redor de nós.
Ao colocarmos no Facebook, muitas vezes sem autorização, imagens de pessoas em situações caricatas, ao modificarmos, para criar uma mensagem, uma determinada fotografia, até ao seleccionarmos, de forma inocente, o ponto de vista para o enquadramento que fazemos, podemos estar a contribuir para a disseminação de mensagens erradas.
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Carta da Paz Visual da IGVP As imagens estão em toda parte. As imagens formam visões do mundo.
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Exemplo? Pego num simples, que se aprende na rotina dos jornais: ao fotografar uma manifestação de rua com a presença policial o repórter pode dar-lhe diferentes significados. Se fotografar a mesma do lado dos polícias, mostrando-lhes as botas numa perspectiva ao nível do chão, com a multidão do outro lado, mais pequena pelo efeito de uma grande angular, sugere o peso do controlo pela força no momento. Mas se optar por uma foto em plano normal, talvez com um manifestante a trocar palavras com um agente da lei, a mensagem passa a ser outra, de procura de diálogo. Estes dois exemplos sugerem a miríade de opções que o fotojornalista tem ao seu alcance. O que retira desde logo a ideia da objectividade do autor.
A verdade é que simplesmente ao definir o enquadramento o fotógrafo já está a construir uma realidade que é sua. Em 1903 Edward Steichen, o fotógrafo nascido no Luxemburgo e naturalizado americano dizia que “no princípio, quando o operador controla o tempo da exposição, quando na câmara escura o revelador é misturado para detalhe, ausência ou incremento de contraste, a falsificação começou. De facto cada fotografia é uma falsidade do começo até ao fim; uma fotografia puramente impessoal, sem manipulação, é algo praticamente impossível.”
É com a consciência de tudo isto que nasce a IGVP, International Guild of Visual Peacemakers, (Guilda Internacional de Pacificadores Visuais) A IGVP foi criada para construir pontes de paz através das fronteiras étnicas, culturais e religiosas, através de comunicação visual que é simultaneamente responsável perante um padrão ético e criada por todos quantos genuinamente se preocupam com as pessoas.
Numa altura em que os ecrãs de televisão, o YouTube e outras fontes de informação se enchem com imagens de violência e ódio no mundo, fotógrafos de diferentes quadrantes, numa lista que engloba nomes como David DuChemin, Gavin Gough, Matt Brandon, Jeffrey Chapman e Ami Vitale, juntam-se para formar a IGVP, cujo website foi lançada oficialmente a 16 de Agosto de 2010.
“Através dos esforços de pacificação visual, os aspectos comuns da Humanidade que todos dividimos podem tornar-se visualmente acessíveis às mentes de milhões, inspirando umna maior compaixão a nível mundial” diz Mario Mattei, fotógrafo cultural, presidente e co-fundador da IGVP. A IGVP pretende “unir a comunidade fotográfica e de pessoas de bem” diz Mattei, “e promover a Carta da Paz Visual, que alerta a todos – a Oriente e Ocidente - para a necessidade de um visionamento consciente dos media”.
A Carta da Paz Visual, que qualquer um pode assinar mesmo que não se sinta motivado para aliar-se à IGVP na tarefa de disseminar a ideia de que estamos todos a bordo do mesmo autocarro, alerta, de facto, para a necessidade de olharmos com maior atenção para as imagens que nos são servidas diariamente, e a pensarmos nas implicações do nosso pensamento, muitas vezes superficial, sobre o que nos dizem que é o mundo em redor de nós.
Pela sua importância a Fotodigital transcreve o documento, que pode ser acedido no site da IGVP. Se se identifica com esta meta assine a Carta da Paz Visual da IGVP. Carregue sobre a imagem na caixa lateral para aceder à página respectiva.

A IGVP pretende acabar com os estereótipos que nos levam a olhar os “outros” como o inimigo. Num ano em que é anunciado o regresso aos palcos de Roger Waters com o super-espectáculo The Wall, esta parece ser a mensagem a reter. De facto, nos recentes vídeos de promoção do concerto, que chega a Portugal na Primavera de 2011, Roger Waters diz, ao referir-se à sua música e ao papel do The Wall como revelador da necessidade de derrubar muros, que não existe um Us and Them, que “nós somos os outros também”. Uma verdade a reter quando decidir premir o disparador da sua máquina fotográfica.










































































