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Notícias

Imagens virtuais dominam feira de fotografia

Num tempo em que se culpa o Photoshop das mentiras que o Homem cria e se pede verdade nas imagens, da moda ao fotojornalismo, a maior feira de fotografia do mundo abriu as portas a imagens que não existem: CGI, HDR e 3D em parada!

Foco principal da edição de 2010 da Photokina, a área de CGI – Computer Generated Image, ou imagens criadas em computador, permite “fabricar” em computador imagens fotorealistas que os especialistas acreditam serem parte importante do processo de comunicação no futuro.

Trata-se, garantem, de uma tecnologia chave em aplicações onde a necessidade de visualização existe independentemente da existência real de um objecto. Temos assistido ao desenvolvimento de CGI no cinema, como parte dos efeitos especiais, e nos videojogos, onde a tecnologia teve um desenvolvimento fulgurante na criação de... mundos virtuais. Mas associá-la à fotografia numa feira que se pauta por ser um altar da fotografia, sugere como os tempos estão a mudar, e como, socialmente, vivemos com dualidades inexplicáveis: por um lado todos apontam o dedo ao Photoshop, criando-se mesmo um verbo, “photoshopar” que tem um sentido negativo, para o uso excessivo da ferramenta... esquecendo-se  que é quem a usa que abusa. Por outro lado eleva-se o CGI como tecnologia chave de uma edição da feira maior da fotografia. Que fazer?

Afinal as imagens que não existem já estão de há muito a ser usadas em comunicação, mas é natural que o seu uso se desenvolva ainda mais com a criação de novas ferramentas, cada vez mais sofisticadas. Foi esse o ponto fulcral da zona de operações do CGI na Photokina. Integrado num projecto da feira de “Encontre os Profissionais na Photokina”, o CGI Solution Center serviu como palco de demonstração das capacidades das ferramentas disponíveis.

A produção  de CGI permite, a partir de informação tridimensional sobre um produto, criar imagens virtuais em computador que depois podem ser animadas, integradas em cenários reais, tornadas tão reais que... deixam o público na dúvida sobre as fronteiras entre real e irreal.

No espaço CGI da Photokina foi possível ver todo o fluxo de trabalho de desenvolvimento de um conceito e entender que o sistema não pretende substituir a fotografia tradicional, mas ampliar o potencial do uso de imagens pelo designer, alargando o leque de potenciais clientes. Com recurso a uma multiplicidade de ferramentas onde os programas 3D imperam, a tecnologia CGI veio para ficar... e ao mesmo tempo criar uma nova categoria profissional, com designers que conseguem fundir os diversos elementos numa mensagem capaz de seduzir o consumidor... mesmo que não verdadeira. Afinal, aquilo que a publicidade já faz actualmente!

O CGI anda de braço dado com as tecnologias 3D, mas o 3D na Photokina saltou para o domínio do grande público, com os fabricantes de câmaras, da Fujifilm à Panasonic, a apresentarem soluções 3D que pretendem conquistar um espaço no coração – e nas bolsas – do público. É uma batalha adormecida por anos e renovada de vez em quando, se bem que agora pareçam existir mais potencialidades para a levar a algum destino. O cinema 3D, que varreu de emoção o mercado global com Avatar, mas parece ter adormecido um pouco após esse frenesim, parece ter sido o elemento que deflagrou o interesse pela área. Resta saber se tudo isto não será uma moda passageira, que terá pelo menos o condão de fazer alguns, os que adoram e podem comprar todas as novidades tecnológicas, investirem em equipamentos que provavelmente não resistirão ao efeito surpresa e acabarão arrumados numa prateleira. A mais funda.

É essa, provavelmente, a mesma carreira que o HDR para o grande público seguirá. De uma actividade de “nerds”, relegada para os exercícios esotéricos da fotografia, a capacidade de reproduzir numa única imagem uma ampla gama dinâmica (isto é a capacidade para repetir na imagem digital aquilo que os olhos vêem... ou mais) tornou-se numa preocupação cada vez maior de entusiastas, até se tornar num palavrão que o grande público descodifica já e, claro, os fabricantes inscreveram na sua lista de “cenouras” com que seduzir mercados que só parecem ficar excitados com “the next big thing”. Sem muitas vezes saberem o que fazer com as pequenas coisas que já têm... como explorar devidamente as respectivas câmaras fotográficas.

O HDR começa a surgir como uma opção integrada dos aparelhos fotográficos. De repente está “in” ter-se HDR no aparelho, e os techboys da escrita vão, por certo, propagar esse conceito como algo que as pessoas não podem deixar de ter. E o que está a suceder é que o HDR excedeu até aquilo para que parecia ser criado – a capacidade de registar informação nas zonas iluminadas e escuras – criando a sua própria “twilight zone”, onde surgem várias reinterpretações de HDR, mais ou menos artísticas, mas tendencialmente afastando-se da realidade.

E é isso que parece estar a ser vendido: uma fuga mais... ou forma de escapar à realidade. É curioso. A mesma gente que se queixa do Photoshop como ferramenta perigosa e pretende mesmo limitar – até de forma insana – o seu uso, potencia por outro lado uma construção fotográfica que está a caminho da negação completa da realidade. Isto, claro, enquanto for moda e o mercado não se saciar dessa novidade, passando para um novo brinquedo, coisa que parece ser apetência natural dos humanos nestes tempos modernos. Não vivem sem a espantação de um novo brinquedo. Mesmo que esse brinquedo mais não seja do que uma forma automática – e muitas vezes limitada – de fazer algo que já podiam fazer anteriormente, com alguma dedicação ao trabalho manual. Que é, afinal, parte do prazer da fotografia. Mas pronto... andar na moda é preciso. É?

Foi também tudo isto que passou pela Photokina. Que este ano teve o seu caldo de novas tecnologias e se voltou para a Internet como forma de expandir a mensagem que sai de Colónia. Redes sociais, vídeo online, etc. Pena que muito de tudo isso na língua alemã, o que é lamentável num certame internacional que atraiu 180 mil visitantes, 68 por cento deles de fora da Alemanha.

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