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Google quer matar JPEG... mas não vai conseguir
- Publicado em Sexta, 01 Outubro 2010 14:51
O Google parece cada vez mais a Microsoft. Quatro anos depois daquela o ter tentado com o Windows Media Photo depois HD Photo e depois JPEG XR, anuncia que vai matar o JPEG com um novo formato para a web, o WebP. Provavelmente, digo eu, acaba o Google antes.
Com o WebP o Google anuncia um novo formato de imagem que, espera, fará da web um lugar mais rápido, reduzindo a dimensão dos ficheiros de imagem sem, dizem, afectar a qualidade. Segundo informação prestada pelo Google, fotos e imagens representam 65% da informação transmitida pelos websites, pelo que reduzir o peso de toda essa informação pode ser uma boa forma de acelerar a web.
Os responsáveis do Google indicam mesmo que seleccionaram, de forma aleatória, um milhão de imagens na web, as gravaram como WebP e descobriram que podiam obter uma redução da dimensão do ficheiro até 39%. E apresentam uma galeria onde é possível comparar o "antes" e "depois".
Não quero ser desmancha-prazeres, mas os rapazes do Google podem bem colocar-se no fim da fila e esperar pela sua vez para destronarem o JPEG. É que muito mais gente tentou antes e o resultado está bem à vista. Ninguém, se lembra deles... ou muito poucos. Da Kodak à Microsoft, passando pela própria Comissão do JPEG 2000, que reuniu gente do JPEG original... todos viram os seus esforços gorados.
O bom e inimigo do óptimo e neste caso o JPEG é tão bom que torna difícil a implementação de algo que até pode ser melhor... e que não será necessariamente o caso do WebP do Google. Mas olhando para trás, basta pensar na Comissão do JPEG 2000, que tinha como meta lançar um formato derivado do JPEG mas melhor. Acompanhei a história na altura, até porque um dos membros da comissão do JPEG 2000 era um português que entrevistámos para a Fotodigital na edição de Fevereiro de 2003 da edição em papel da revista. Já se ia no terceiro ano de estudos e afinal o substituto do JPEG nunca passou de uma promessa, mesmo se está disseminado por algum software e no Photoshop é possível usar (ou era, confesso que não me preocupa muito) um plugin para gravar no formato. Em 2010 deixou oficialmente de ser suportado pelos browsers, o que sugere que foi reformado antes de ter nascido...
Na verdade o JPEG 2000 nunca destronou o "velho" JPEG (formulado a partir de 1983 e com o primeiro padrão definido em 1992), mesmo se os fabricantes de câmaras acharam o formato prometedor. Afinal, nunca o implementaram nos seus aparelhos, e se quisermos cada fabricante "reinventou" o seu próprio JPEG nos seus aparelhos. É isso que explica que a Kodak tenha criado o ERI-JPEG para uso nas suas reflex digitais profissionais (fruto de uma parceria com a Canon e as EOS-1). O ERI-JPEG não era mais do que um JPEG com gama dinâmica expandida (lembro-me de ver os exemplos, com o detalhe no vestido branco da noiva e no fato preto do noivo...) e que a Kodak queria colocar nas mãos de todos os fotógrafos profissionais. Alguém se lembra do ERI-JPEG? Pois, bem me parecia...
O JPEG é tão bom, de facto, que a Fujifilm tinha na sua reflex digital S3Pro ficheiros JPEG que acabaram por ser considerados melhores do que os RAW da máquina. A gestão que a Fujifim conseguira fazer do formato nos seus aparelhos, em sintonia com os sensores Super CCD que usa, demonstrou à saciedade o que se podia retirar de um JPEG.
Em 2006 toda a web se fez eco de uma notícia: a Microsoft vai matar o JPEG. Pois! Quatro anos antes de o Google dizer o mesmo. E também a Microsoft tratou de implementar suporte para o seu formato no seu Internet Explorer - como agora se diz que o Google fará com o Chrome. Como se calcula em 2006 havia bem mais gente a usar o Internet Explorer do que, ouso dizer, gente usa (ou usará) o Chrome. Mas nem isso ajudou a Microsoft a implementar o seu formato HDPhoto, que existe, mas vive num limbo reservado aos candidatos ao lugar do JPEG. Alguém ouviu falar de um fabricante disposto a implementar o formato nas suas câmaras? Eu também não.
Na verdade, o que sucede é que o HD Photo da Microsoft, que começou por chamar-se Windows Media Photo (obviamente...), acabou por ser "adoptado" pela comissão que estudava o JPEG 2000, e que após um acordo com a Microsoft (a quem isto interessa) o passou a estudar, dando-lhe um novo nome: JPEG XR. Que quer dizer.... JPEG com eXtended Range. Como o ERI-JPEG da Kodak. Eles adoram todos criar nomes... A comissão do JPEG 2000 que agora se podia chamar... comissão do JPEG XR, definiu em Março de 2009 que o formato seria estudado como possível novo padrão... e a 19 de Junho de 2009 aprovou-o como tal. Isto é, um padrão JPEG. Mais um, valha-nos Deus...
Um grupo de trabalho desta Comissão reúne entre 11 e 15 de Outubro, em Guangzhou, na China, e tanto quanto sei não tem em agenda qualquer avaliação do WebP como um novo padrão JPEG. Mas provavelmente o Google vai seguir o mesmo caminho da Microsoft com o HDPhoto e propor o seu formato...
É por tudo aquilo que sei que esta notícia de que o Google quer matar o JPEG não me aquece nem arrefece. Dentro de meses ninguém se vai realmente lembrar disso. Mas uma coisa é certa: o Google é cada vez mais parecido com a Microsoft.
E em jeito de fecho deixo uma nota mais: sabendo eu como sei que muitas das imagens em JPEG que existem na web têm uma dimensão exagerada porque quem as colocou lá não sabia fazer "save for web", ou não tratou sequer de optimizá-las, por preguiça ou desconhecimento, os valores apresentados pelo Google como a redução efectiva de dimensão dos ficheiros também não me surpreendem. Mas entendo que sirvam ao que o Google quer: encontrar uma boa justificação para implementar o formato WebP no seu browser Chrome. Segundo alguns o que o Google quer é poupar, ao reduzir a largura de banda que usa, servindo o formato WebP em vez de JPEG sempre que detectar que o Chrome é o browser usado. Desse ponto de vista é capaz de ter razão. Mas daí a matar o JPEG, mesmo unicamente na web (já nem penso em aparelhos fotográficos), vai uma distância que... ainda ninguém conseguiu cruzar. E vamos nisto há mais de uma década.
Para saber mais sobre o estudo do Google para o formato espreite aqui.









































































