Profissional
Tim Hetherington morto na Líbia
- Publicado em Quinta, 21 Abril 2011 19:04
O fotógrafo e cineasta Tim Hetherington, nomeado para os Óscares pelo seu documentário Restrepo, foi morto ontem na Lìbia, juntamente com Chris Hondros, fotógrafo da Getty Images. Um dia negro para o fotojornalismo.
Os dois fotógrafos foram mortos na cidade rebelde de Misrata. Tim Hetherington, que em 2007 ganhou o World Press Photo, morreu de imediato e Chris Hondros, gravemente ferido, faleceu horas depois. Dois outros fotógrafos, Guy Martin, da Panos Pictures, e Michael Brown, da Corbis, ficaram gravemente feridos no ataque.
Confesso que não pensei escrever esta notícia, a web está cheia de informação e não valia a pena repetir o mesmo. Mas não resisti a publicar esta nota porque em 2008 escrevi aqui mesmo uma notícia sobre a tentativa da World Press Photo de humanizar as imagens do certame. escrevi então isto:
As críticas de que tem sido alvo, nos últimos anos, o WPP, por causa da violência constantemente premiada, parecem ter empurrado os responsáveis do WPP para a realização de entrevistas com os fotógrafos vencedores, uma forma de, ao olhar o lado de lá do palco, perceber as condições de realização de cada fotografia. Desde 2007, com a imagem do fotógrafo Spencer Platt de jovens em Beirute, que o prémio tem sido mais abertamente criticado.
A que acrescentei então uma nota sobre um dos vídeos que mais me impressionara, exacatamente o de Tim Hetherington (infelizmente o link para o site da WPP já não funciona)
Os vídeos disponibilizados são, assim, uma forma de levar mais rapidamente a um número maior de pessoas a mensagem de cada um dos fotógrafos. Escutar Tim Hetherington a falar do que sentiu quando viu a sua imagem triunfar, descobrir que falou com o soldado fotografado mais tarde, ajuda a compreender melhor cada fotografia. Quer se goste ou não do que ela documenta. Esse aspecto é importante, e a colecção de vídeo/entrevistas reunidas pela WPP, cobrindo as imagens vencedoras de 2007 e 2008, ajuda-nos a perceber as motivações de cada autor. Quer se trate de Miguel Barreira, a explicar como fez a fotografia de bodyboard que o levou a triunfar na categoria de desporto na edição de 2008 do WPP, ou de Bold Hungwe a traçar os momentos da foto violenta que registou e lhe valeu o segundo lugar na categoria de notícias.
O que escrevi então é verdade agora, de forma trágica. Olhando as imagens de Tim Hetherington e de Chris Hondros que por estes dias enchem a web e as páginas dos jornais e revistas, quase como se isso fosse uma forma de adiar a sua partida, de os tentar ter por perto agora que se foram, na violência de um conflito que queriam mostrar ao mundo, faz-nos parar para pensar na importância do fotojornalismo, na importânca dos prémios que assinalam esse desafio de contar histórias com fotografias. Estamos na Páscoa, um tempo que devia ser diferente, mas afinal o Mundo continua a ser aquilo que todos os World Press Photo nos mostram. Talvez por isso mesmo, em jeito de despedida, fui buscar alguns vídeos que mostram o trabalho de Tim Hetherington e de Chris Hondros. Sente-se e espreite-os. E medite...










































































