Morel vs AFP: 120 milhões de dólares em jogo
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- Publicado em 04-05-2012
A prova de que vale a pena levar por diante um processo contra quem usa abusivamente imagens colocadas na Internet, julgando e defendendo que o seu uso é livre está a ganhar os contornos finais.
O fotógrafo Daniel Morel, que avançou com um processo contra as agências noticiosas AFP e Getty Images quando descobriu que imagens suas do tremor de terra que abalou o Haiti em 2010 haviam sido usadas pelas agências sem qualquer contacto com o autor pode vir a ganhar o processo, marcando um passo decisivo na pouca vergonha que tem sido a apropriação, até por meios de Comunicação Social, de fotografias.
A notícia publicada pelo British Journal of Photography e para que se remete o leitor, traça o historial e deixa pistas para mais informação em torno de uma história que tem como ponto chave o email, sempre citado pelo fotógrafo, enviado por Eva Hambah, editora fotográfica da AFP na América do Norte, a 16 de Maio de 2010: "a AFP foi apanhada com a mão no frasco dos doces e agora vai ter de pagar."
Daniel Morel, que trabalha com a agência Corbis e que estava no Haiti, de onde é oriundo, na altura do sismo que abalou aquele País, colocou as imagens na Internet para mostrar o que estava a suceder, mas não para que outros explorassem comercialmente o seu trabalho, como sucedeu. O facto de ter uma instituição por detrás ajudou a levar por diante esta luta de dois anos que agora parece aproximar-se de um desfecho que, a seguir os contornos até agora definidos, vai dar ao fotógrafo um bom pé de meia para a velhice: mais de 120 milhões de dólares pagos pelas agências, o que pode ser um bom exemplo para que outros deixem de servir-se do que encontram na web com a mania de que tudo ali é livre. Não é.
O que diriam os fotógrafos portugueses, amadores e profissionais, mas sorbetudo os que não têm outra solução senão calar, se existisse uma associação disposta a defender efectivamente os seus direitos nesta matéria, perseguindo legalmente os prevaricadores? Vale a pena o esforço de fazer, em Portugal, algo assim? Ou estamos todos a viver uma letargia que deixa que usem o nosso trabalho sem pagamento?












