Dois Povos, Duas Línguas ou... Não me Tirem o Português

A mais recente nota que me enviaram sobre a nossa Língua, deixou-me aturdido. Um anúncio de software em Português mostra uma bandeira que não é a minha. Ora que eu saiba, a bandeira portuguesa ainda não mudou. Se calhar, com o Aborto Ortográfico também vai mudar.

Estou farto desta m****. Desculpem-me o desabafo, mas é mesmo assim. Há muito tempo que ando a dizer isto, mas ninguém parece acreditar no que digo. Ou assobiam para o lado como se nada fosse. Este Aborto Ortográfico que algumas alimárias (não lhes encontro outro nome e até sei de alguns piores que lhe chamaria) assinaram, está a destruir um dos elementos essenciais ao Ser Português: o suporte de comunicação.

Há anos que assisto a isto. Começa na Adobe, que já não oferece Português na instalação de software como o Lightroom, mas sim Português (Brasileiro), e tem um site num misto de Português, Brasileiro e Abortês, e chega à Microsoft, que decidiu que íamos falar uma língua que não é a nossa, e que nos faz ter de aturar coisas como "baixar software" "treinamento", "acessar" e outros tantos disparates, para a seguir grafar um perspectivas que me diz que também eles não regulam bem da cabeça. Tivesse eu um Linux ou alternativa em Português e deivaxa a Microsoft à porta num instante.

Já deixei de usar o sistema de livros da Blurb, online, porque os idiotas acharam que eu não tinha razão ao clamar que Portugal não podia ser associado à bandeira brasileira e que o Português usado no site era outra coisa, uma mistura de termos que parecia ter sido conjugado por um papagaio que tivesse aprendido a língua através de cassetes já meio danificadas. De cada vez que lá vou, agora (cedo desistiram do site de Portugal), tenho de gramar com o convite para ir para o Brasil. Mas depois dão-me a opção de escolher pagar em em Euros ou Dólares... É uma absoluta falta de respeito, porque sabem que eu estou em Portugal. Idiotas!). Boicote-se já!

Anulei a minha conta na Porto Editora por não querer gastar dinheiro - que já era pouco - com livros que não respeitem aquilo por que a Porto Editora pugnou por anos. E eu sei, porque publiquei livros com eles. E desisti do sistema de facturação da Moloni, porque apesar de me prometerem, na fase beta, que as minhas faCturas teriam um cê, nunca implementaram a letrinha, o que me levou a procurar novas opções. Que, felizmente, existem. De faCto, agora já tenho faCturas.

Ando extremamente irritado por uma cadeia de supermercado alemã, a Lidl, achar que as suas antigas Promoções agora são AÇÃO, uma estupidez que acho pouco dignificante e que me leva a pensar o que os alemães fariam se eu lhes mudasse algumas palavrinhas da sua língua. Provavelmente começavam outra guerra... Mas claro que tenho de pensar nas alimárias que por cá deram aval e seguimento a esta trapalhada.

Já vi como nos jogos de computador o Português desaparece para dar lugar ao Brasileiro, e eu, que vou topando todas essas mudanças, não quero falar um crioulo brasileiro ou lá o que quer que seja, porque não o entendo, não pretendo sequer entender e gostava de poder continuar a falar com a minha gente. Ora muita da minha gente parece ter sofrido uma lavagem cerebral, e anda a cortar cês e pês por todo o lado, de facto, sem regra alguma. E escudam-se no Abortês para prosseguirem com tal alarvidade. Ora a este ritmo, cada um vai escrever como lhe aprouver, o que nos tornará num recanto ibérico de grunhos... dando grunhidos sem sentido. Eu já os oiço por aí, assim como os vejo na escrita que vou apreciando. Talvez seja isso que alguém pretende.

Como se não bastasse tudo isso, ainda tenho de gramar com estes anúncios que me atiram o Português para os braços do Brasil. Ora deixem-se de merdas, a Língua é nossa, se querem façam uma para vós: chamem-lhe Brasileiro ou o que quiserem e fiquem com ela, uma derivação do Português, e deixem-me em paz. Nem entendo por que razão isso não pode ser feito: nos países nórdicos, onde vivi, Suecos, Noruegueses e Dinamarqueses entendem-se razoavelmente entre si, mesmo se falam línguas - Sueco, Noruguês e Dinamarquês - diferentes, com algumas semelhanças.

Dê-se aos Brasileiros - os que o quiserem - uma língua toda sua: o Brasileiro. E ponha-se um ponto final nesta fantochada toda. Porque eu não me sinto irmão de ninguém - tenho uma meia-irmã com quem nem sequer me dou e vivo bem com isso - e muito menos de gente (não serão todos, claro) que me quer roubar a Língua. Não me vendam tretas de países irmãos unidos pela Língua enquanto me estão a tornar difícil, no meu próprio chão natal, falar com aqueles que são de facto Portugueses, e de que muitos, infelizmente, parecem adormecidos ante este verdadeiro assalto à Língua Portuguesa.

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