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O Aborto Ortográfico e a Estrela de Belém

Contrariamente a muitos que esperavam alguma coisa de bom da discussão do AO90, dito aborto ortográfico, na Assembleia da República, eu não esperava que dali saísse boa coisa. De há muito que deixei de acreditar na gente que, infelizmente, os Portugueses deixaram que (n)os governassem.

O Parlamento é um ninho de gente que na sua maioiria nada faz a não ser pela vidinha. Todos o sabemos. Aquilo é um ninho de víboras que ora se mordem umas às outras ora mordem o infeliz cidadão que lhes passa perto. O mais triste de tudo isto é que são víboras alimentadas pelo dinheiro dos contribuintes, sem que se veja alguma forma de as desalojar dos poleiros. Onde se vão revezando, trocando de lugar, mas sem grandes mudanças; as mesmas moscas sobre a mesma m****.

Claro que tudo isto é, como todos sabemos, resultado do nosso "inconseguimento" - para usar um termo popular entre as altas esferas pensantes deste País, e que revela o que nos calhou em sorte todo o tempo - para correr do poleiro para fora sucessivos "arcos governativos" que se governam é a eles e a uns quantos amigos. No Abortês Hortográfico - que outra coisa se lhe pode chamar? - tal como em tantas outras coisas, revela-se o que de pior existe em Portugal: a falta de nexo, de ética, de rigor, de verdade, dos que supostamente governam a nau. Olhando o historial de mais de duas décadas deste Aborto, percebemos que esquerda e direita assinaram de cruz, ao longos dos tempos, este crime de "lesa-Língua", sem se preocuparem com o resultado. Ninguém parece escapar impune quando se analisam os documentos que suportam este crime conta a Língua Portuguesa.

Isto recorda-me o general romano que falava de um povo da Ibéria que não se governava nem deixava governar. Portugal é, de facto, uma nau ingovernável, com loucos ao leme, uns atrás dos outros, como se prova olhando para o percurso feito até aqui. Se alguém duvida, basta ver o que nos fizeram à Língua. E querem continuar a fazer, por decreto, aceitam alguns, por interesse, escondem outros, por estupidez e analfabetismo, sabe-se de mais uns quantos, cujas intervenções públicas sugerem esse estado calamitoso da massa cinzenta que lhes anima o corpinho. Ou o que quer que têm no lugar da dita.

E como se não bastasse termos gente de cueiros ainda suspensos nas partes baixas, gente cuja única experiência de vida é de "jotinha" e apoio de padrinhos influentes, que foi eleita vá lá saber-se como, no leme da nau, temos ainda de suspeitar que esta sanha da turba contra a Língua Portuguesa, que cria um fosso entre gerações, e estupidifca, pela simplificação sem nexo que almeja atingir, temos de suspeitar, digo eu, que essa defesa é uma espécie de vingança tardia de gente que nunca soube escrever duas linhas seguidas nos ditados escolares, e agora se une para vingar-se das aulas de Português. Para mim só isso explica que, de repente, exista gente, que nos entra diariamente casa adentro através das mais diversas formas, com muitos "contatos" que lança "retos" (seria reptos?), e pensa mesmo que os "fatos" (há quem tenha decidido abolir todos os cês) são reais.  E que sempre que confrontada com um erro o desculpa com as confusões do AO, e uma aparentemente alegre "elasticidade" de escrita que parece agradar a esta gente. Os que menos sabem escrever vivem felizes nos dias de hoje.  De repente todos parecem escrever bem, porque já ninguém sabe ou quer sequer saber, como se escreve. E de arautos nos jornais e televisões, marionetas, paus-mandados, tem chovido os aplausos a este AO que nos aproxima... do abismo.

E agora, ante a evidência, vinda de quem mexe com a língua, de escritores, a tradutores, jornalistas - claro que existem em todas estas áreas ovelhas negras que venderam a alma a um qualquer diabo ou são simplesmente estúpidas, desculpem-me mas não tenho meias palavras para tal ignomínia - de que o AO é mesmo um ABORTO, cancro que mina a Língua Portuguesa, os deputados e os desgovernantes já em campanha eleitoral fazem finca pé na estupidez e, depois de nos tirarem salários, regalias sociais e sentido de comunidade, despojam-nos da Língua cuja evolução natural foi sabotada nestes últimos 24 anos. Por decreto!

As pessoas manifestam-se contra o dinheiro que lhes roubam, os empregos, as regalias, mas não parecem capazes de unir-se em torno de um bem que uma vez delapidado não mais poderá ser reposto: a Língua Portuguesa. A Língua é o que nos une, que faz com que avós, pais e filhos possam entender-se. Sem isso vamos caminhar para a construção de um País onde grunhir será o verbo. Basta ver as variações que vão coexistindo já proferidas pelas bocas dos altos sábios governantes da Nação, e toda a pandilha que lhes segue atrás. Basta ver como escrevem e falam muitos dos (des)governantes. É um perfeito "inconseguimento nacional". Que Povo é este, amorfo, sereno, como animais na fila do matadouro, aceitando tudo o que lhes vomitam em cima?

E no topo de tudo isto, temos o exemplo maior do símbolo da Presidência, que promulga sem pejo o AO mas anuncia, orgulhoso, que em casa escreve como sempre fez. O exemplo do que há que fazer vem, afinal, de cima, pelo que apelo somente a uma coisa de todos vós: siga-se o exemplo de Belém. E ensine-se às gerações vindouras, por todas as formas, o repúdio desta abominação!

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