Profissional
Capital da Cultura 2010 cobra taxa a fotógrafos
- Publicado em domingo, 01 agosto 2010 23:18
Os responsáveis do Zeche Zollverein, um dos mais importantes monumentos industriais da Alemanha e Património Mundial decidiram cobrar uma taxa aos fotógrafos... A Federação Europeia de Jornalistas já ergueu a voz para juntar fotógrafos de todas as áreas contra tamanho disparate. E diz que todos os edifícios públicos deviam ser livres para fotografar.
Visitantes do espaço, na região industrial do Ruhr, que este ano é Capital Europeia da Cultura, foram surpreendidos pela decisão de aplicação de uma taxa a todas as fotografias “não-jornalísticas”. Os visitantes são convidados a obter uma autorização para fotografar, pela qual têm de pagar.
O Zeche Zollverein, que é mantido quase globalmente com dinheiros públicos, e um dos espaços mais visitados no percurso histórico pelo núcleo das indústrias de carvão e aço alemãs, tem, acabei de fazer a pesquisa, mais de 48.500 fotos indexadas no Google. Na wikipedia existem algumas supostamente livres de direitos e que podem ser usadas. No Bing estão 21.700 fotos registadas. Quer isto dizer que mesmo se descontarmos as oficiais, as obtidas por amadores e colocadas online podem dar uma boa maquia aos autores da brilhante ideia. Isto porque esta decisão está a ser tomada com retroactivos...
Verdade! Um jornalista de um espaço online foi recentemente contactado pela direcção do Zeche Zollverien que pretende que pague as fotos que tem no seu blog. O caso levou a Federação Europeia de Jornalistas, em conjunto com a sua afiliada alemã, a solicitar aos fotógrafos e grupos civis que se unam numa petição contra as taxas impostas na fotografia do Zeche Zolverein. Segundo Arne König, presidente da FEJ, “este é um sistema ridículo de taxas imposto pelas autoridades no que é suposto ser uma mostra cultural da Europa. Qualquer um deve ser autorizado a tirar fotos de edifícios públicos e este sistema deve ser removido imediatamente.”
Arne König afirma ainda que “a questão do uso não-jornalístico é muito questionável e que a direcção do Zeche Zollverein deve explicar o que entende por não-jornalístico antes de considerar lançar a taxa.”
“Taxas para um uso designado não-jornalístico vão dificultar o trabalho de freelancers” avisa König. “Os jornalistas freelance são agora forçados a pagar centenas de euros pelas fotos publicadas nos seus blogs ou mesmo guardadas nas bases de dados de editoras.”
Segundo a FEJ muito jornalistas independentes publicam o seu trabalho nos seus blogs ou através de outros canais antes de obterem encomendas de editoras. Impedir que o façam, porque o trabalho não é considerado jornalístico, por não ter um canal directo e final já definido, é cercear as possibilidades de uma classe que já está a ser atacada por todos os lados e que alguns consideram à beira da extinção ou mesmo extinta.
A pegar a moda, o que é das coisas mais rápidas de suceder, como se tem visto – olha este nosso governo a definir taxas para fotografar na praia da Ursa ao cair da tarde, a ponte sobre o Tejo com nevoeiro ou as gaivotas nos cacilheiros, a Igreja a cobrar em Fátima e por aí adiante... a juntar a outras que já nos querem impor – fotografar vai ser uma arte cada vez mais subterrânea. De facto, da maneira que isto vai, dentro de algum tempo até acaba por ser ilegal.
Digo isto com alguma razão. Hoje mesmo estive a fotografar uma festa tradicional num espaço público, e quando fazia fotos de músicos em parada fui abordado por um homem da assistência que me veio perguntar se tinha acabado de o fotografar. Disse-lhe que não e ele foi-se embora... mas depois fiquei a pensar que posso bem ter recebido um sinal do que vem aí.
De volta ao Zeche... decidi usar como ilustração imagens do Google. Espero não estar a incorrer em falta, apesar do uso jornalístico que lhes estou a dar. Informar os leitores de mais um disparate. Se quiser saber mais ou assinar a petição, visite a FEJ.



































































