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Técnica

Teste DSLR Olympus E-5: o derradeiro sensor Panasonic

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A Olympus E-5 que chegou para teste colou-se-me na mão como uma E-3. São tão semelhantes. Mas a dois anos de distância resta saber se este pacote leva alguém para o campo da marca. E que sensor vamos ver na próxima E profissional, agora que o fim da aliança Panasonic Olympus se aproxima.

Número de referência do corpo AB1500030. Objectiva ED 12-60mm f/2.8-4 SWD com o número 230005416. Estes são os meus dados de referência da Olympus E-5 que me chegou para teste. Retenho-os para confirmar que é mesmo de uma nova câmara que se trata, porque num olhar superficial esta podia ser uma E-3.

Mudanças efectivas? Ah, sim, o sensor de 10.1 da E-3 foi trocado por um sensor de 12.3 milhões de pixéis na E-5. Este modelo oferece ainda vídeo HD ante a total ausência do dito na E-3 (o que era normal em 2008) e recorre a um novo processador de imagem, o TruPic V+ que permite, entre outras coisas, que a sensibilidade suba a 6400 ISO.

Verdade, além dos 5000 ISO a imagem terá demasiados sinais do que é expectável, pelo que, sob pena de me considerarem um conservador, me fico por valores mais baixos. Bem mais baixos, dado que tento sempre que posso viver a 100 ISO. Por isso esta corrida das sensibilidades não me afecta muito, mesmo se é confortável, em determinadas ocasiões, ter alguma margem. Ela existe na Olympus E-5, mas é inferior à de modelos concorrentes, o que pesará, por certo, nas escolhas das pessoas. Algumas feitas sem que as pessoas saibam a razão exacta, mas enfim...

A resolução efectiva do sensor é outro ponto negativo nas ambições da Olympus de ganhar mais fiéis. Num mercado que vai a caminho de dobrar a casa dos 20 milhões de pixéis em sensores APS-C, o marketing funciona bem, mesmo que não seja totalmente justificado, para quem tem mais milhões. Nesse plano os 12.3 milhões da E-5 colocam-na no fim da fila, o que não é bom para atrair público.

Dito isto, a verdade é que este sensor parece ser idêntico ao usado na Olympus E-PL1, o que sugere que a Olympus confia no seu produto para seduzir clientes. Numa situação ideal as pessoas veriam que a TIPA acabou de dar à E-PL1 um prémio, elevando-a à categoria de aparelho de Micro Quatro Terços com capacidade para fazer resultados profissionais, e perceberiam que a E-5 pode não fazer as maiores fotos do mundo, mas o que faz faz bem. A verdade é que não vivemos num mundo ideal, as pessoas não relacionam factos e são facilmente levadas por parangonas atraentes. Donde, vão comprar noutra rua.

Quadros de teste da E-5 nos laboratórios DIWA Labs. Pode consultar estas tabelas online no próprio siteIsto deixa-me com uma Olympus E-5 para testar que eu sinto é como que um produto em fim de ciclo, face à mutação constante do mercado. Acabada de chegar, é “velha “ nas especificações: faz vídeo em HD, tem menos pixéis, não é a mais bonita DSLR do mercado e é pesada, muito pesada.

A verdade é que como ferramenta fotográfica, e uma vez que se lhe tome o jeito da interface cheia de opções e atalhos lógicos, a Olympus E-5 se revela aquilo que é: um aparelho de sabor clássico que esconde no interior formas de resolver profissionalmente as mais difíceis situações fotográficas. E que deixa transparecer tudo isso nas fotos que guarda no cartão de memória (agora CF ou SDHC, adeus ao mal-amado xD), que abrem no computador com resultados onde saliento, em jeito de velha paixão pessoal, os azuis profundos. A cor dos logótipos da marca reaparece sempre nos céus fortes que os modelos da marca apresentam.

As fotos saídas do aparelho são como que o bater sincopado de um relógio. A comparação com a minha E-PL1, companheira de muitas brincadeiras criativas, prova a consistência da resposta. Nesse campo a Olympus continua igual a ela própria e é aí que consegue, calculo, recrutar os fiéis que vão adquirir este modelo depois de terem encetado a ligação noutros modelos, das mais populares versões até à E-3 profissional.

Pessoalmente, tenho um namoro de longa data com a Olympus, não por ligação directa mas porque a minha primeira associada no mercado fotográfico, na Grã-Bretanha, usava Olympus por sugestão minha, a novíssima, então, OM-10, e o meu cunhado era um fiel da marca, com várias OM de topo no saco. Que acabou por trocar por outra marca quando a Olympus desistiu do mercado de reflex, na passagem para o autofoco.

É toda essa gente que migrou que a Olympus dificilmente terá de volta algum dia. Mesmo se alguns fizeram o caminho com a E-3, a verdade é que se torna difícil concorrer com as luzes dos espectáculos de outras marcas: digo Canon e Nikon, porque no resto estamos na mesma situação.

Em resumo: a E-5 é uma excelente câmara, mas o mercado vai passar-lhe ao lado (pronto, mais uma boa desculpa para a Olympus não anunciar aqui...) porque esta corrida não parece parar. E na verdade... a Olympus também não está a ajudar.

Recentes afirmações de que a marca não produziria mais objectivas para o segmento Quatro Terços criam desconfiança nos compradores. Então se deixam de produzir objectivas o que sucede com as câmaras? E os rumores em torno de uma efectiva centralização do negócio no Micro Quatro Terços também não ajudam a cimentar a confiança.

É verdade que responsáveis da marca vieram recentemente afirmar que não voltariam a  deixar orfãos os que já apostaram na Olympus, mas esse tipo de discurso não ajuda a trazer mais gente para o comboio da marca... e agora estamos ante um novo cenário, do final da aliança da Olympus com a Panasonic no que aos sensores respeita. Em 2011 a Olympus deixa de estar limitada pela exclusividade de sensores da Panasonic, pelo que as sugestões de que pode vir a utilizar “revolucionários” sensores da Kodak, por exemplo, num suposto modelo “profissional “ Micro Quatro Terços criam ainda mais confusão. Sem esquecer que em 2009 se referia a provável utilização de sensores Super CCD da Fujifilm...

Deixa-me inquieto a ideia de um sensor Kodak. Tem-se provado, uma e outra vez, que não são a melhor escolha.... É um pouco como a história da Pentax, que também tinha planeado usar um revolucionário sensor da Philips e desistiu quando percebeu que ia pelo mau caminho. Uma história para eu aprofundar noutro dia...

Todas estas coisas podem estar a contribuir para “emperrar” um crescimento das escolhas em torno da Olympus E-5, o que é efectivamente uma pena. Porque se as pessoas fotografassem mais e olhassem menos para os pixéis iriam descobrir que no Quatro Terços se fazem excelentes fotografias. Desde que os fotógrafos as saibam fazer... Esse é o segredo.

 

Prós: Ecrã rotativo, robustez e ergonomia

Contras: Resolução inferior e qualidade menor a elevadas sensibilidades

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