Câmaras
Teste: Casio EX-S200, a esguia câmara de Natal
- Publicado em Quarta, 22 Dezembro 2010 10:31
Este é o último teste de uma câmara em 2010 e por isso mesmo o tema Natal é recorrente nas imagens. Porventura a pior escolha para a elegante e muito fina Casio EX-S200, cujo processador de imagens gosta é de dias brilhantes.
É esguia, compacta, e colorida na versão laranja que a Casio me fez chegar. É muito automática, tanto que não deixa ao utilizador muito controlo, como, acho eu, seria desejável encontrar presente em todos os modelos de máquinas fotográficas.
Ainda há dias um meu colega de escrita no sítio Pixiq, para onde escrevo, comentava, em torno de um artigo meu sobre a falta de liberdade criativa das compactas, que é realmente estranho como os fabricantes foram estupidificando as máquinas à medida que a tecnologia evoluiu. Integraram montes de modos automáticos para fazer tudo, mas esqueceram-se de deixar o modo que daria a muitos utilizadores imenso prazer: o controlo absoluto de parâmetros, mesmo que com o risco de erro. E não parece ser por causa de uma dificuldade de implementação, mas sim por pura estupidez e devoção tecnológica. Enfim...
Dito isto, esta Casio, sendo desse grupo de câmaras, deixa alguma margem de manobra ao utilizador... se bem que este tenha de saber o que está a fazer para a poder dominar, o que é contrário à noção lógica de aprendizagem, que sugere que alguém começa a aprender fotografia numa compacta e depois sobe de escalão para uma reflex. É impossível, aprender fotografia aqui, porque não se controla nada e para dar a volta ao sistema há que saber bem o que se faz. É um paradoxo...
Assim sendo, esta Casio EX-S200 é uma máquina de instantâneos cujo eventual potencial criativo só se consegue explorar com relativo à vontade sabendo o que cada modo e função fazem. Se não for assim, fica-se limitado ao que o aparelho quer. Isto, claro, em termos de controlo efectivo da exposição, diafragmas e velocidades, porque no resto o aparelho oferece opções agradáveis, da selecção de ponto AF (para evitarmos que a máquina escolha o que acha bem, contrariando o fotógrafo), a redução da emissão de flash e até a opção de ajuste manual (bem, lá próximo) de foco, entre 20 cm e infinito. Obrigado, para aquelas alturas em que o sistema não consegue mesmo atinar.
Através de uma interface que a Casio tem mantido sensivelmente igual, a Casio EX-S200 deixa-nos aceder de forma rápida e intuitiva às opções de configuração, e ao modo BS, que significa Best Shot (embora parte do que lá está acabe por ser... Bull Shit).
Em uso a simpática laranja da Casio não difere de mil e um outros modelos disponíveis no mercado: tira fotografias. Com boa luz, devo dizer, porta-se à altura, mas quando a luz se vai sofre do terrível problema de muitas compactas, isto é, começa a mostrar as limitações do sensor. Por isso mesmo as minhas fotografias de Natal com o aparelho, quando o deixei governar o ISO e ele subiu a 800 ou 1600 ISO, encheram-se de sinais evidentes de grão ou ruído digital, O detalhe das imagens começa a ir-se, pelo que nem os 14.1 milhões de pixéis do sensor associados à objectiva zoom de 4x (27-108mm) conseguem dar-me imagens que eu gostasse de ampliar muito. Em fotos com luz abundante é outra coisa, mas se pretende detalhe fino em fotografias acima do valor básico de sensibilidade, isto é 100 ISO... mantenha-se ao Sol.
O truque nestas coisas passa, evidentemente, por obrigar o aparelho a usar 100 ISO – como fiz em algumas das fotos do interior da Basílica de Mafra – e apoiar o aparelho em qualquer ponto, para as necessariamente longas exposições. Eu sei que é uma solução que muitos não advogam, preferindo segurar a câmara na mão e deixar o ISO correr solto, mas como diz o outro “não há almoços grátis”.
Deixo para outros espaços as considerações demasiado técnicas e “sempre iguais” sobre funcionalidades da Casio EX-S200. Para a ficha técnica correspondente procure no sítio do fabricante, eles nem sequer me pagam para a divulgar. Esta é uma nota prática, com base no uso da câmara em condições normais de fotografia e vídeo, de que saliento os aspectos que para mim, enquanto fotógrafo – e não rato de laboratório – achei mais importantes de referir. Para outras leituras, procure noutros locais. Ele há montes de espaços que trauteiam a canção dos fabricantes. E há ainda, se analisar, bem, uma variedade de interpretações do que é um bom aparelho fotográfico, provando que para lá dos "científicos" testes de laboratório, sem alma mas supostamente precisos, existe uma infinidade de verdades sobre a Casio EX-200. Esta é a minha, fruto do uso de um aparelho que está aqui em cima da minha mesa, ao lado de uma compacta Canon que a Canon parece ter-se esquecido de me pedir de volta. Se bem que o vá fazer, eu sei. E sinceramente não me importo. Estou um pouco farto de compactas. É sempre a mesma cantiga. Divertidas, mas anseio sempre por mais e melhor. Acho que é isto!
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Prós: Pequena, esguia, bons resultados com boa luz Contras:Ruído a partir de 800 ISO, limitações no controlo |










































































