Câmaras
Fujifilm X100: adorável frustração
- Publicado em Terça, 17 Maio 2011 11:09
Fantástica de usar, mas frustrante em alguns aspectos, assim é a Fujifilm X100, uma das mais aguardadas câmaras do momento mas, provavelmente, o equipamento menos indicado para muitas pessoas. É lenta, bloqueia e tem bugs. O contrário de um aparelho para fotografia de rua. Mas faz excelentes fotografias.
A conclusão da DPReview após o teste da Fujifilm X100 é de que o aparelho é ao mesmo tempo uma sedutora proposta mas um erro para quem procura mais rapidez na obtenção de resultados. Para esses, escreve a DP Review num teste de 27 páginas (o que é uma página na web?), a opção mais sensata pode ser uma câmara da geração "sem espelho".
A Fujifilm X100 é uma espécie de, usando a anedota, loira espampanante que não deve abrir a boca para não quebrar a imagem que dela emana. Efectivamente, a DPReview refere que descobriu no aparelho falhas que nunca esperaria ver numa câmara lançada em 2011, até a total incapacidade para focar manualmente ou fazer outra operações enquanto a câmara escreve no cartão de memória, uma tarefa em que leva IMENSAMENTE LONGO TEMPO.
Entende-se que este não é um aparelho para grandes corridas, sendo sobretudo uma versão moderna das máquinas de telémetro (rangefinder) de outrora, mas caramba, estamos em 2011 e as pessoas necessitam de andar mais depressa. E, de qualquer modo, até com uma velha máquina se podia mexer em todos os botões enquanto a imagem era "escrita" no filme. Bem, quero dizer, mais ou menos...
A Fujifilm X100 acaba, na DP Review sem direito a um Recomendado que muitos esperariam encontrar. É imponente como ideia mas no fim da corrida leva 73% de pontuação, nada de especial se pensarmos que até a Sony Nex-3 levou 70%. Eu sei que são campeonatos diferentes, mas o público ainda olha para as pontuações sem medir o resto.
Michael Reichman, do Luminous Landscape, publicou também uma apreciação da Fujifillm X 100 em que diz:
Odeio tudo o que se me atravessa no caminho quando pretendo ajustar parâmetros de uma câmara rapidamente porque a situação o exige. Se estou a usar uma câmara técnica de grande formato tenho infinita paciência para ajustar lentamente os controlos. Mas não num aparelho concebido para fotografia de rua ou documentário. Mesmo uma pressão extra num botão, ou a necessidade de correr ao longo de um menu para encotnrar um parâmetro podem significar que a imagem se perdeu, e isso é inaceitável. Acho que o meu passado como fotojornalista alimenta essa frustração". ..."O problema é relevante porque a X100 foi claramente concebida como uma câmara para fotografia de rua. Quando faz alguma coisa que impede o fotógrafo - como sucede - de trabalhar, por causa de más escolhas de interface, é ainda mais desapontante."
E Michel Charpentier, um outro fotógrafo que experimentou a Fujifilm X100 diz que no caso de alguém já possuir um aparelho do tipo Micro Quatro Terços deve reflectir bem antes de avançar para o "casamento"... porque "a nova dama tem caprichos e não oferece muito mais do que a actual companheira... mesmo se é tão bela que se pode ser seduzido pelo charme. Mas assegure-se das razões para a escolha ou vai acabar com um bibelot um pouco caro, enquanto que uma m4/3 mais rápida, com objectivas intermutáveis, pode continuar a fazer o verdadeiro trabalho."
Com estas notas de avaliação parece que o caminho da Fujifilm X100 não vai ser tão fácil assim. É evidente que se trata de um aparelho de nicho, mas quando alguns dos gurus desse nicho, como é Michael Reichmann, denotam alguma frustração ante a proposta da Fujifilm, um sinal de alerta fica no ar. É que nos dias que correm não há espaço para lançar no mercado versões beta dos aparelhos.









































































