Câmaras
DSLR em queda face a "sem espelho"?
- Publicado em Sexta, 09 Setembro 2011 09:18
Uma recente notícia da Bloomberg sobre o mercado fotográfico sugere que Canon e Nikon têm de preocupar-se a sério com as câmaras "sem espelho". E um ror de histórias surgiu na Internet na esteira dessa notícia. Depois de ler alguns desses textos tenho de saber o que tomam algumas pessoas. Vivem num outro mundo.
Antes de avançar nas minhas considerações pessoais sobre o assunto de "sem espelho" contra "reflex", deixem-me dizer que podem encontrar o artigo da Bloomberg aqui. A Bloomberg é especialista em economia, e é desse prisma que vê as coisas. Por isso mesmo, e para isso basta fazer uma pesquina na Internet, descobre-se que os "especialistas" da Bloomberg são responsáveis por múltiplos disparates na sua percepção da fotografia. Isto porque a entendem da perspectiva de quem usa um iPhone para fotografar e julga que consegue fazer murais - esta é uma piada à Nokia, eu sei - e efectivamente não vão além disso.
Pensar que a fotografia é só isso é... redutor. Efectivamente, as pessoas podem comprar compactas - e divertir-se imenso com elas, sobretudo se souberem fotografia, mas não tanto se não souberem (mais sobre isto um destes dias, com um artigo meu na revista de Outubro do Parque Biológico de Gaia) e podem até comprar quilos de aparelhos Micro quatro Terços, NEX e outras coisas, mas não vão ter a mesma resposta que encontram numa reflex. Isto é, se quiserem fazer a fotografia em toda a extensão.
Eu sei, e não falo por escutar, o que é tentar fotografar acção com uma Micro Quatro Terços, só com o ecrã traseiro ou com o visor electrónico, e fazer o mesmo com uma reflex. Tenho duas Micro Quatro Terços que prezo muito, mas que não pensaria usar para fotografar veados, por exemplo, como tenho feito por estes dias em Mafra. Ou surf, como experimentei. São coisas diferentes. E como já usei modelos de outros tipos e nunca encontrei razão para dizer que o fim das DSLR está próximo... tenho tudo dito.
A minha experiência com pessoas que frequentam os meus workshops é que querem uma reflex. E mesmo quando chegam com uma compacta e lhes ensino a tirarem partido da dita, a sua escolha final é sempre a mesma: uma reflex. Isto é, quem gosta de fotografia e a quer fazer em toda a linha tem de pensar, por norma, na versatilidade de uma reflex. Até agora ainda não encontrei uma outra resposta a dar a esta questão. E com quatro décadas a mexer em equipamentos fotográficos e três décadas a escrever regularmente... acho que tenho alguma ideia do que estou a dizer.
As alegações de portabilidade e outras coisas... não me convencem. A Pentax mostrou-nos há dias uma estranha proposta, a Pentax Q, tão pequena que se fica a pensar o que o sensor consegue fazer, para depois lhe adicionar um adaptador monstruoso para... usar as objectivas de sistemas maiores. Assim a ideia de pequenez cmeça a ficar reduzida.... e além disso, estamos a enviar toda a informação para um sensor tão pequeno que me faz alguma confusão como é que a mesma gente que escreve quase religiosamente sobre a necessidade de termos sensores "como o 35mm" nas câmaras digitais, depois fica extasiada e canta glórias a sensores do tipo unha de gato. Sinceramernte, acho que devem tomar alguma coisa...
É verdade que o segmento de aparelhos reflex não é o que era. Mas uma Canon EOS 600D até um aparelho pequeno e leve, com 133 x 100 x 80 mm e 570 gramas. Uma Lumix G3 tem 115 x 84 x 47 mm e 336 gramas. Se pensarmos o que uma oferece face à outra em termos de versatilidade na cobertura de todo o tipo de situações, a conversa não vai muito mais longe. É isto que me guia quando penso em equipamentos: qual me oferece mais possibilidades? Eu sei que uma câmara pequena me dá vantagens para algumas coisas, mas noutras as limitações surgem. Portanto, talvez eu tenha de pensar em ter dois equipamentos, um para "pequenas coisas" e outro para quando quero fruir o todo da paixão fotográfica.
Aliás, basta ler com atenção o documento da Bloomberg para se perceber que a situação não é tão preto-no-branco como os títulos de alguns artigos derivativos da informação sugerem. As pessoas adoram fazer "circo" e é isso que as leva a puxarem pelo bombástico. Mas a realidade pode ser diferente. É provável que a Canon e a Nikon entrem também nesta corrida de equipamentos alternativos, mas não sei como serão. Mas se a ideia é ter algo que realmente seja capaz de competir em toda a linha, os primeiros sinais de uma provável câmara deste tipo da Nikon, que os rumores sugerem será apresentada este mês de Setembro, não são muito interessantes: o aparelho, a existir, vai ter um sensor mais pequeno do que o Micro Quatro Terços e custar qualquer coisa na esfera dos 900-1300 dólares. A ser verdade, isto deixa-me com vontade de fazer uma pergunta: quem é que vai querer pagar tanto dinheiro - mais do que por uma Canon EOs 600D - por um aparelho com menos escolha em termos de objectivas e menor qualidade de imagem, devido ao sensor usado. Afinal, não estamos todos a sonhar com grandes sensores de 35mm?
Eu não, mas isso é história para outro dia. Vivo feliz com o meu APS-C, que me parece ser a medida lógica em termos de compromisso.









































































