Câmaras
Canon EOS-1D X: o essencial da nova DSLR
- Publicado em Terça, 18 Outubro 2011 16:35
Sob uma capa que parece seguir a linha EOS 1D, a EOS- 1D X é de facto uma surpresa. A Canon escutou as preces de muitos utilizadores, e dos pixéis no sensor, comedidos, a um AF novo, parece ter cumprido com um caderno de encargos que coloca a X no horizonte de uma nova revolução.
Esta análise baseia-se na documentação técnica disponível, na leitura de quanto está a surgir por agora na web e nas minhas opiniões pessoais - e preferência pelo aspecto fotográfico do equipamento - fruto de um conhecimento razoável do sistema, que uso desde os modelos FTb da marca. Tenho quase 40 anos de uso de câmaras Canon, testando praticamente todos os modelos digitais e um vasto leque dos analógicos, desde os modelos A até à gama EOS.
Esta EOS-1D X que determina de uma vez por todas o abandono, pelo menos aparente, dos sensores APS-H, definindo o fullframe ou fotograma integral como a medida para a série 1 da Canon, tem nesse mesmo sensor uma das movidades do revolucionário sistema. Efectivamente, ao escolher um sensor de 18 milhões de pixéis (tantos quanto a EOS 7D mas num sensor maior, o que permitirá interessantes comparações...) a Canon determinou conceber o mesmo de molde a responder às exigências dos fotojornalistas e fotógrafos de acção a quem este aparelho parece destinar-se.
Este sensor completamente novo oferece uma gama ISO de 100 a 51200 ISO, com opções de 50 ISO para estúdio ou paisagem e dois patamares de expansão no outro extremo, 102400 a H1 e 204800 a H2, ideais para registos em que a informação é mais importante do que a qualidade da imagem. O sensor CMOS usa pixéis que são 1.25 microns maiores do que os do sensor da EOS 1D Mark IV e .55 microns maiores do que os do sensor da EOS 5D Mark II em conjunto com o sistema de microlentes que permitem reduzir a separação entre cada elemento captor de luz, para garantir uma eficiente distribuição do sinal luminoso, maior sensibilidade e, claro, menos ruído por pixel. O novo sensor eleva a já grande relação de sinal/ruído face aos anteriores modelos da marca, o que significa que é por aqui que a EOS-1D X vai começar a distanciar-se da geração anterior de aparelhos da Canon. Pode, de facto, falar-se numa nova fase da família EOS, com tecnologia que irá estender-se a modelos mais populares nas suas próximas versões... provavelmente a uma nova EOS 7D ou algo do género.
Para conseguir atingir esse nível mantendo a rapidez do sistema, a Canon teve de socorrer-se da força bruta de dois processadores DIGIC 5+, uma versão diferente dos primeiros DIGIC 5 usados em algumas das novas câmaras compactas da gama popular. Os resultados, indica a marca, são ficheiros tão perfeitos e isentos de mácula que permitem pensar em grandes ampliações para trabalho comercial. O sensor é mantido limpo - de partículas de pó - por um sistema de ultra-sons, o Ultrasonic Wave Motion Cleaning (UWMC), sistema de segunda geração que usa um novo revestimento a fluorina no vidro de absorção de infravermelhos, para melhor repelir a poeira.
A presença dos dois processadores DIGIC 5+ explica, a par com o processamento, a elevada cadência de disparo do aparelho: 12 fotogramas por segundo, um valor acima do habitual e que pode subir a 14fps com o espelho mantido em cima... mas fixando a focagem. Parece-me ser um "truque" sem grande interesse, mas 12 fotogramas por segundo vai por certo ser uma boa notícia para alguns. A isso junta-se um espelho cujo mecanismo foi revisto para poder acompanhar a cadência sem problemas.
As queixas sobre o sistema AF de anteriores câmaras da Canon em algumas situações podem estar resolvidas nesta X, que além de dois processadores DIGIC 5+ para gerir a imagem tem um processador DIGIC 4 dedicado em exclusivo ao sistema AF e fotometria. Os dois sensores DIGIC 5+ oferecem uma capacidade de processamento 17 vezes superior ao DIGIC 4, num sinal evidente de toda a matemática envolvida em cada click da EOS-1D X. O processador DIGIC 4 usa um novo sistema de leitura RGB de 100 mil pixéis, para garantir fidelidade cromática e boa exposição e funciona em conjunto com o novo sistema de focagem automática EOS iTR (Intelligent Tracking and Recognition). Toda esta capacidade de processamento de informação intridouz outra surpresa: a câmara corrige problemas de aberração cromática de diferentes objectivas Canon ao gerir a imagem, em vez de deixar que essa tarefa seja feita posteriormente, no computador. Mais uma ferramenta para "baralhar" os testes de objectivas...
A focagem é feita com base na informação de 61 sensores do novo High Density Reticular AF, o mais sofisticado alguma implementado numa câmara da Canon. Com 21 sensores da área central do tipo cruzado, efectivos com aberturas de f/5.6, dependendo da objectiva em uso, o sensor tem ainda cinco pontos centrais do tipo cruzado mas de orientação diagonal, para diafragmas de f/2.8. Todos os sensores são sensíveis a contraste horizontal com aberturas máximas de f/5.6 e os 20 pontos AF externos funcionam como sensores de tipo cruzado com aberturas de f/4.0. A selecção de pontos do sistema AF é também mais simples para uma maior rapidez de escolha pelo utilizador. Todo o sistema foi concebido para oferecer os melhores resultados em condições de pouca luminosidade, alargar a área de cobertura AF e melhorar a resposta face a todos os sistemas usados em anteriores câmaras EOS.
Todas as funções AF apresentam o seu próprio menu e uma ferramenta de configuração permite ajustar a sensibilidade do sistema bem como outras variáveis. Um guia auxilia os fotógrafos a seleccionarem o modo mais indicado para diferentes situações. O sistema é efectivamente similar ao da EOS 7D, onde pela primeira vez foi aplicado.
O novo sistema EOS iTR AF, ou Intelligent Tracking and Recognition, melhora a prestação do sistema de autofoco. O sistema usa a capacidade de detecção de faces a par com a informação de cor para definir os elementos preponderantes em termos da exposição e focagem, uma função quen pode ter aplicações em fotografia social ou sempre que é necessário manter focados elementos humanos em movimento no enquadramento.
A EOS-1D X é ainda a primeira Canon da família digital com capacidade de fazer múltiplas exposições, combinando até nove fotografias num só fotograma, através de quatro modos distintos de gravação da imagem. No segmento de vídeo há também uma série de novidades, começando logo na capacidade de filmar segmentos de 29 minutos e 59 segundos (de modo a respeitar a legislação europeia que continua em vigor), mas muito acima dos blocos iniciais de 4GB dos anteriores modelos EOS.
Novas formas de gravação que respondem às solicitações dos profissionais de cinema, um sensor que reduz o "moiré" de anteriores versões, dois métodos para embeber "time-codes" que tornam fácil usar material proveniente de diferentes câmaras na montagem, controlo manual de áudio durante a gravação são funcionalidades do segmento de vídeo que os utilzadores daquela vertente apreciarão.
Adicionalmente, a Canon lança o novo WFT-E6 – transmissor WiFi compacto, concebido para a transferência de imagens quando não está disponível uma ligação com fios. Suportando o padrão WiFi 802.11n e oferecendo suporte Bluetooth para ligação a dispositivos GPS externos, o WFT-E6 proporciona uma transferência segura de imagens e vídeos para um servidor ftp ou a possibilidade de reproduzir o conteúdo num ecrã compatível através de uma conexão DLNA .
A EOS-1D X é também compatível com o novo receptor GPS – GP-E1. Permitindo aos utilizadores adicionar informação relativa à localização aos dados EXIF e identificar geograficamente o percurso efectuado durante a reportagem fotográfica, o GP-E1 é particularmente útil para fotógrafos de vida selvagem ou repórteres que poderão necessitar de registar a localização da cena para referência futura.
Aparentemente igual às anteriores EOS -1D, a X é diferente por dentro e também no exterior, onde alguns comandos foram reajustados, de novo respondendo aos pedidos dos utilizadores. O duplo joystick traseiro é um sinal disso mesmo, mas esse é só um sinal mais de um aparelho que vamos ter de descobrir nos próximos meses. Com a certeza de duas coisas:
- ainda não é aqui que o sistema de flash via rádio da Canon entra na dança;
- muita da tencologia agora apresentada vai, mesmo que de forma mais simples, surgir naquilo que vai ser uma nova geração da família EOS da Canon.
Efectivamente, 25 anos após ter lançado o primeiro modelo EOS, ainda analógico (a EOS 650, em 1987), e 12 anos após o lançamento da EOS D30 (2000), a Canon introduz um aparelho que marca um novo patamar de exigência. E faz tudo isso sem se deixar iludir, afirmando que "a qualidade não está somente na quantidade de pixéis".









































































