Técnica
Canon: APS-H para vídeo e fotografia
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- Publicado em 01-11-2011
Afinal o sensor APS-H da Canon parece não estar morto. A fusão das linhas EOS 1D e Ds, aparente na nova EOS- 1D X não vai matar o sensor de formato intermédio na marca, sugere a Canon. Um mistério que pode ser desvendado a 3 de Novembro, com uma apresentação em Hollywood. Vídeo digital?
A Canon é o único fabricante do mercado com três dimensões de sensores: APS-C, APS-H e FF (formato integral). Para os menos conhecedores da génese do APS pode parecer estranho, mas na verdade a Canon só está a repetir o que no filme analógico existia quando o formato APS foi lançado: uma película que na câmara podia ser adaptada para fazer três formatos: o APS-C, ou Clássico, com 25,1x16.7mm, relação de lados de 3:2, o APS-H (concebido para a televisão de alta-definição), com 30,2x16,7mm e uma relação de lados de 16:9 e o APS-P, Panorâmico, de 30,2x9,5mm, relação de lados de 3:1, para impressão de... panoramas.
Criado em 1996 para proporcionar aparelhos mais pequenos, informatizar o processo fotográfico... e levar toda a gente a comprar câmaras novas (ora pois!), o formato APS nasceu da fusão de esforços da Canon, Fujifilm, Kodak, Minolta e Nikon, que pretendiam criar um padrão na fotografia (note-se que já na altura a Olympus estava de fora, talvez sonhando com outro padrão...). Apesar dos esforços, a sua existência foi curta, com os primeiros sinais do digital a deitarem por terra qualquer esperança de futuro. Recordo-me de ouvir em Portugal, em reuniões da indústria, profissionais de sector clamarem que se devia defender o APS - de que ninguém gostava, efectivamente - para evitar a invasão do digital. Esses arautos haviam enfiado a cabeça na areia, como avestruzes, e recusavam ver o que vinha aí. Em 2004 a Kodak descontinuou o APS. Menos de uma década depois parece que a própria Kodak está a descontinuar-se...
Ficou, contudo, o APS-C, cuja designação acabou por ser usada para os sensores digitais usados nas primeiras reflex. A relação de dimensão face ao sensor de 35mm mantinha-se, daí o valor de 1.5x de corte (crop) que marcou esses novos sistemas de captura de informação. A Canon, contudo, optou por criar duas linhas no formato APS: os sensores APS-C, para o grande público, com uma ampliação de 1.6x face ao Full Frame e os APS-H, com 29x19mm e um factor de corte de 1.3x.
O APS , no filme, era uma espécie de mentira. A imagem era sempre registada integralmente no filme, que através de molduras transformava a imagem para as dimensões pretendidas pelo utilizador. Portanto, o que sucedia é que o filme tinha dimensão correspondente ao APS-H sendo dali que surgiam as opções C e P. É interessante retermos isto porque de alguma forma explica porque a Canon, ao avançar para o APS digital, decidiu ter a gama C, mais pequena e fácil de produzir e uma gama H, destinada a profissionais.
É importante recordar que a produção de sensores digitais era muito complexa inicialmente, pelo que os custos eram elevados. Isso levou ao uso do formato mais pequeno possível na faixa APS-C, reservando-se o Full Frame, logo que tal se tornou possível, para as câmaras profissionais. Pelo meio a Canon introduziu o APS-H, destiando a profissionais que podiam viver com a "ampliação" de 1.3x nas suas objectivas mas preferiam ter um equipamento mais acessível e, também, mais rápido na captura de imagens. É com base nesta concepção que a gama da marca acaba por subdividir-se, ao longo de mais de uma década, em três patamares:
- APS-C (22.5 x 15mm): EOS 1000D, EOS 400D, EOS 450D, EOS 40D, EOS 50D
- APS-H (29 x 19mm): EOS-1D Mark III
- Full Frame (36 x 24mm): EOS-1Ds Mark III, EOS 5D, EOS 5D Mark II
Essa distribuição parece de algum modo ser abandonada com a introdução da nova EOS-1D X, que adopta o formato integral (36x24mm) e que aparenta ser o primeiro sinal da fusão das gamas 1D e 1Ds numa só. A ideia que logo surge no mercado é que a Canon vai colocar o APS-H na prateleira. Algo que a Canon acaba por refutar, dizendo que ainda tem planos para o APS-H. Que planos?
É difícil saber exactamente o que pensa uma marca, mas talvez não seja difícil fazer algum futurismo olhando para os desenvolvimentos recentes. Em Agosto de 2010 a Canon anunciou que tinha desenvolvido um sensor de 120 milhões de pixéis ((13,280 x 9,184 pixels) com excelentes capacidades de vídeo. Anteriormente tinha produzido um sensor de 50 milhões de pixéis. Ambos para o formato APS-H. que quando o APS analógico foi criado se destinada a... televisores de alta-definição, com uma relação 16:9. Pois...
A nova EOS-1D X é uma revolução em vídeo (e noutras áreas) mas isso pode ser somente o começo de uma nova fase para a Canon. A marca tem para dia 3 de Novembro uma apresentação especial que muitos sugerem estar voltada para a área do vídeo, onde a Canon em grandes esperanças. Curiosamente, no dia 3 de Novembro a RED, que muitos consideram ser um referencial na área do video digital, tem também a apresentação da sua nova câmara. É possível pensar em "choque de titãs" ao ler a informação disponível de ambas as marcas...
A vertente de vídeo não me interessa sobremaneira neste preciso momento, mas confesso estar curioso. Porque sei que o vou acabar por usar em algumas produções pessoais logo que passe a usar regularmente uma EOS (ah sim será sempre Canon) para fotografar. De que formato será, não sei, porque talvez a Canon esteja a preparar surpresas no segmento das EOS XX ou mesmo na gama abaixo da EOS 1D.
Efectivamente não é de agora que se fala numa eventual passagem dos sensores da Canon para formatos acima do APS-C. E embora eu acredite que o APS-C é mais do que suficiente para a generalidade dos usos, sei que... quanto maior melhor. Donde, mesmo mantendo o APS-C em linha, o que faz todo o sentido dado o investimento em objectivas, parece-me cada vez menos difícil que o mesmo utilizador concilie os diferentes formatos, adequando-os ao que necessita. Tenho um amigo que tem câmaras do formato APS-H da Canon e apostou numa EOS 60D para fazer vídeo. Agora, é verdade, já encomendou a EOS-1D X, porque parece ser o equipamento a escolher no momento. Isso significa que ele vai passar para o FF e manter o APS-H. Mas para outros pode fazer sentido, até por uma questão de custos - se bem que isso hoje seja menos significativo, a gama EOS 5D veio prová-lo - usar um sensor APS-H. Que bem pode surgir numa EOS-3D, por exemplo.
Dado que a Canon afirma não ter planos para acabar com o APS-H, e ante a revolução que a EOS-1D X parece traduzir, e acrescentando a isso as novidades, sobretudo em vídeo, que me parece estarem a caminho para dia 3 de Novembro de 2011, a Canon pode bem ter um novo "roadmap" com novidades interessantes para 2012. Vamos aguardar.
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