Câmaras
Fujifilm: terceira X é uma bridge
- Publicado em Quinta, 24 Novembro 2011 11:28
A terceira câmara da série X da Fujifilm é uma... compacta do conceito bridge, com zoom de 24-624 mm, para os que querem tudo num só pacote e não se importam de perder qualidade para tal alcançar. É outro conceito do X.
A Fujifilm clama que esta nova X define novos padrões em termos de design e prestações... mas na verdade a X-S1 agora apresentada é uma renovação, isso sim, do conceito das câmaras de ponte (bridge cameras) que num determinado período no tempo do filme parecerem querer substituir as reflex.
Misto de um aparelho reflex com o conceito "tudo num" das compactas, portanto com zoom de grande amplitude associado às reflex, mas sem a opção da intermutabilidade que associamos ao formato preferido dos amadores, as bridge cameras passaram para o universo digital como mais uma alternativa, mesmo se o conceito "bridge" ficou algo perdido nessa passagem.
A Fujifilm, que sempre manteve esta gama na sua linha, e que tem apostado nela como alternativa às reflex, sugerindo mesmo em termos de marketing que assim é, pretende agora reavivar o interesse do mercado, através de um modelo assinalado como "made in Japan" que pretende destacar-se de tudo o resto através de um corpo com elementos em metal nos comandos, numa evidente sinalização de uma diferença para melhor. A isso juntou uma série de características de funcionamento que, entende, apelarão a um público mais exigente.
Se considerarmos o relativo fracasso que foi a HS-10, que aspirava a substituir aparelhos reflex mas acabou penalizada pela evidente falta de qualidade da imagem, afinal algo que se pretende ter em alta numa câmara fotográfica, é com alguma curiosidade que se olha para esta aposta, que segue na mema linha, mas pretende subir a fasquia através de reformulação de uma série de aspectos. A verdade, porém, é que as primeiras imagens de demonstração das capacidades do aparelho, disponíveis para análise no site da Fujifilm, não abonam muito em prol da qualidade. E são, saliente-se, imagens do fabricante para promover o produto.
Em temros técnicos a X-S1 apresenta um sensor EXR da Fujifilm associado a um zoom de 24-624mm f/2.8-5.6, portanto 26x de amplitude óptica, a que as capacidades do Fujifilm’s Intelligent Digital Zoom acrescentam um pouco mais, para um alcance de 52x, seja 24-1284mm na correspondência ao 35mm.
Os números são impressionantes e... foram feitos para impressionar. Porque as pessoas continuam a achar que é possível, num equipamento destes, atingir mais do que um fotógrafo profissional tem num equipamento que custa milhares de euros. O que muitos parecem esquecer é que a 1284mm, para além da degradação própria de uma artimanha digital, surge um outro factor: até o bater do coração do fotógrafo provoca movimento na imagem, criando uma redução de nitidez que depois será visível quando se ampliar a imagem. No ecrã da máquina é capaz de parecer bom, mas maior é, por norma, o desastre absoluto.
É evidente que a Fujifilm tratou esta objectiva Fujinon com todo o cuidado, montando-o em 17 elementos de video, com quatro deles asféricos e ainda duas lentes ED (para redução da dispersão luminosa) para gartantir a melhor qualidade, de extremo a extremo. A objectiva tem as cremalheiras internas em metal, para garanir suavidade no ajuste do zoom. Mas é evidente que nada disso resolve o problema do movimento causado pelo fotógrafo nas focais mais longas.
Assim sendo, o limite lógico de uso de uma objectiva destas ronda os 400mm, mesmo assim um valor interessante para quem pretende ter um equipamento só capaz de fazer - quase - tudo. Esqueça-se a faixa de 200mm acima dos 400mm, a só usar em casos extremos, esqueça-se a ampliação digital da focal, que continua a ser uma treta e o que temos até pode ser, face ao que a HS-10 oferecia, uma nova aposta interessante da Fujifilm.
Para quem não se importe de conviver com as limitações de um sensor pequeno face aos sensores APS-C ou mesmo m43, o sensor de 2/3 de polegada de 12 milhões de pixéis EXR CMOS da Fujifilm usado na X-S1 (idêntico ao da X-10) pode ser quanto baste. Com a vantagem de um equipamento deste tipo continuar a ser uma impressionante máquina de fotografia em planos aproximados, oferecendo um SuperMacro que foca a 1cm do do motivo. Mesmo no modo normal este zoom foca a 30cm, um valor confortável para encher o visor. E para os apreciadores do bokeh, as nove lâminas do obturador podem significar uma cereja no topo do bolo.
Em teoria, pelo menos, o sensor EXR CMOS da Fujifilm permite seleccionar de entre três modos de funcionamento face às condições luminosas: High Resolution para boas condições de luz, Wide Dynamic Range em situações de contraste e HIgh Sensitivity & Low Noise quando a luz falta. O utilizador pode também deixar o Auto EXR activo e esquecer tudo isso. Alguns dizem que não faz qualquer diferença, outros juram que sim. Não sei, nunca experimentei...
Capaz de fazer 10 fotogramas por segundo - mas a seis milhões de pixéis de resolução - a Fujifilm X-S1 parece querer competir nessa corrida também. Em modo normal, 12MP portanto, faz sete fotogramas por segundo, o que me parece mais do que suficiente. E o aparelho faz vídeo em Full HD.
A Fujifilm não abandonou o visor, mesmo que electrónico, como alternativa ao ecrã LCD traseiro. Com os modos convencionais de exposição e outros que seguem as modas do tempo, a câmara oferece sensibilidades ISO de 100 a 3200 ISO em RAW e até 12800 em JPEG... que não acredito seja grande ideia usar. Fique-se pelos valores mais baixos que possa usar. Isto, claro, se pensar que esta pode ser a câmara para si. Uma nova X que é, afinal da família das compactas e que diverge da linha X que a X-100 e X-10 representam. Sabendo-se que a Fujifilm prepara uma nova X, fica a dúvida sobre em que segmento a vai colocar? Uma reflex Fujifilm X?









































































