Câmaras
Fujifilm X-Pro 1: APS-C para bater o 35mm
- Publicado em Terça, 10 Janeiro 2012 01:05
Apresentada no CES, em Las Vegas, a nova proposta da série X da Fujifilm tem quatro trunfos para vencer: baioneta, sensor, visor e objectivas. Mas a Fujifilm X-Pro 1 tem um preço anunciado que assusta muita gente. A verdade, porém, é que nem todos podem ter um clássico.
A apresentação da Fujifilm X-Pro 1 no CES (Consumer Electronics Show) em Las Vegas é algo a que faltei. Agradeci à Fujifilm o convite que me foi feito mas estou, de facto, cansado de viagens para feiras. Entre a Grã-Bretanha, a Alemanha e os Estados Unidos, por causa de fotografia e videojogos, cansei-me de viagens. Portanto o que escrevo aqui é fruto da informação disponibilizada e não de um frente a frente que outros tiveram. Terei uma X-Pro 1 para experimentar logo que possível, por agora tenho aqui em casa uma X100 que, de facto, acaba por ficar na sombra ante o que a X-Pro 1 oferece.
A nova proposta da Fujifilm parece ser, afinal, o produto final de que a X100 terá sido a versão de ensaio. É terrível dizer isto, mas tem alguma ponta de verdade. Devo salientar, contudo, que para alguns a X100 será tudo quanto necessitam, porque a focal fixa que a acompanha será o que pretendem para uma fotografia em que quase passam despercebidos, algo que será mais difícil de fazer com as objectivas intermutáveis e maiores na frente do corpo deste novo modelo.
Dito isto, é difícil não se ficar com vontade de pegar e mesmo de ter uma X-Pro 1, porque a Fujifilm parece ter encontrado ali forma de resolver todas as questões colocadas quando a X100 surgiu. A X-Pro 1, com o seu sensor de 16 milhões de pixéis APS-C é a arma anunciada para suplantar até os sensores integrais, isto nas palavras da Fujifilm, que arranjou forma de ao distribuir os captores de luz sobre a superfície do sensor o fazer de forma a dispensar o uso de filtros de low-pass, "culpados" pela quebra de nitidez nos sensores convencionais.
O novo sensor inspira-se na distribuição algo aleatória do grão nas emulsões fotográficas, com grupos RGB de 6x6 pixéis agrupados de forma desordenada, para evitar os efeitos de falsas cores e moiré criados em sensores convencionais. A presença de captores R, G e B (Vermelho, Verde e Azul) em cada série horizontal e vertical de pixéis minimiza a formação de falsas cores e melhora a reprodução tonal.
É com esta arma, o sensor X-Trans CMOS, que a Fujifilm se prepara para nos provar que o seu sensor APS-C bate os de 35mm. Vai ser interessante o que vai seguir-se, como o leitor calcula. Uma nota importante: a introdução deste sensor obrigou a desenvolver novo processador da imagem, pelo que o EXR Processor Pro presente nesta nova X é um passo adiante no processamento dos dados nos aparelhos da Fujifilm.
Mas o segundo trunfo do aparelho é outro. O novo visor híbrido capaz de dar-se com a intermutabilidade de objectivas. Algo que parecia não ser possível quando do lançamento da X100, e portanto explicando que o aparelho surgisse com uma focal fixa, acaba por ser uma barreira derrubada nesta nova câmara. A Fujifilm manteve a capacidade de comutação automática entre o visor óptico e o electrónico e inscreveu no sistema, que foi redesenhado, a capacidade de dar-se com diferentes objectivas, o que explica que logo no lançamento a marca apresente três ópticas, 18, 35 e 60mm Macro, prometendo mais um leque de novas soluções para o futuro próximo. Da minha experiência com o sistema de visor híbrido na X100 devo dizer que esta é uma das melhores soluções que vi até agora, se bem que ainda não seja perfeita. Estou curioso de ver se a Fujifilm evoluiu o sistema na X-Pro 1. Uma coisa sei que é nova: o utilizador pode ajustar livremente a ampliação no visor independentemente da focal em uso. É evidente que o sistema funciona também em automático, ajustando-se em função da focal acoplada.
A nova baioneta é um sinal da aposta da Fujifilm neste sistema. Ao avançar para a criação da X-Pro 1 a marca desenvolveu a sua própria baioneta para as objectivas XF Fujinon apresentadas. A objectiva foi concebida para aproveitar ao máximo este sistema "sem espelho", pelo que a zona traseira da objectiva fica muito próximo do sensor, como aliás se percebe se olharmos para a mira indicadora do plano do filme na X-Pro 1, que está bem mais para a frente do que na X100. Com essa aproximação a Fujifilm incrementa a resolução de um a outro extremo da imagem, o que contribui para uma melhor qualidade final.
As objectivas são o quarto elemento deste caminho para o sucesso. Baseadas na experiência da Fujifilm na produção de objectivas para televisão e câmaras de médio formato, as três objectivas “XF18mmF2 R”, “XF 35mmF1.4 R” e “XF60mmF2.4 R Macro” oferecem, num corpo em metal, excelente prestação, desde o controlo da exposição em passos de 1/3 EV a um bokeh também excelente, graças às lâminas do diafragma que criam uma abertura circular. E garantem ao utilizador um leque de possibilidades, desde o primeiro momento, em termos de captura de imagens.
Concebida para satisfazer as necessidades de profissionais em busca de, mais do que uma alternativa a uma reflex, uma outra forma de fotografar, perto dos aparelhos de telémetro de antanho, a Fujifilm X-Pro 1 parece ser a solução perfeita para os dias que correm. Misto de sabor pretérito e moderna tecnologia só o seu preço, apontado como rondando os 1700 dólares para o corpo, coloca reticências a alguns. Por esse valor é possível encontrar câmaras reflex completas com maior capacidade de solucionar diferentes desafios. Porém, mesmo que isso seja verdade, esta X-Pro 1 não pode ser classificada nesse patamar. É um pouco como adquirir um Morgan clássico para se conduzir somente porque se pretende ter o prazer de ter um carro antigo... mesmo que se lhe coloque um moderno GPS para saber voltar a casa. Alguns nunca terão dinheiro para o Morgan e terão de ficar-se pelo GPS e... um carrinho mais económico. Ou uma câmara, neste caso. Isso não nos pode impedir de sonharmos.









































































