Técnica
Fujifilm X 100: o caminho para o futuro
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- Publicado em 31-01-2012
Ao longo das úiltimas semanas tive uma Fujifilm X100 para experimentar. Não vos vou maçar com dados que já leram noutros locais, mas reflectir sobre o que a X100 representa na Fujifilm.
Esta X100 é uma versão beta ou se quisermos RC (Release Candidate) das câmaras que a Fujifilm se prepara para lançar. Mesmo a X10 já é, apesar do tamanho, uma versão mais próxima da aposta final, algo que parece consumar-se com a X-Pro 1 que hoje mesmo é apresentada em Lisboa, dentro de horas (são 2.30 da manhã quando escrevo isto).
Desde o momento do lançamento deste aparelho que os fotógrafos se tem esforçado ou por obter um exemplar do aparelho... ou manter-se afastados dele. Os sucessivos sinais de remessas esgotadas sugerem que este é/era um aparelho esperado por muita gente, mesmo se no campo da prática esta não é a mais fácil das câmaras com que um fotógrafo pode conviver.
Deixemo-nos de rodeios. A Fujifilm X100 é lenta a arrancar, lenta a gravar imagens - soirbetudo em RAW - lenta em quase tudo, até, por vezes, na focagem. Num tempo que que toda a gente parece ter pressa esta câmara é um sinal contrário. Sabemos, neste momento, que a Fujifilm pode fazer melhor, mas a questão que se tem de colocar neste momento é se a Fujifilm X100 é a máquina errada ou o tempo é que é incorrecto?
Na verdade, embora por vezes se goste de ter tudo em jeito de "fast-food", a verdade é que muitos anseiam por um ritmo mais calmo, e nesse aspecto a X100 recorda quase outros dias, outros tempos. E quase pode assumir-se que o tempo que o aparelho demora a gravar um ficheiro corresponde ao avanço do filme nos sistemas mecânicos de outrora, com uma alavanca na zona do polegar a servir para empurrar novo fotografma para a abertura por onde a luz entra.
Quase aposto que alguns leitores estarão a dizer que esta é uma desculpa... mas outros concordarão que existia algum fascínio na sequência de fazer uma foto, avançar o filme, enquadrar de novo... coisas que quase se perderem no matraquear moderno do digital. Ora esta Fujifilm X100 parece ter não só o aspecto das máquinas de antanho, mas também o coração daqueles tempos. É, portanto, à luz dessa ideia que avanço na reflexão sobre o que foram estes dias com o aparelho.
A Fujifilm X100 é um aparelho completo, com todas as funcionalidades que se podem esperar numa câmara destinada ao amador avançado que sabe o que quer. O elemento mais curioso de todo o conjunto, para mim, foi o visor híbrido, que representa uma aposta única da Fujifilm, capaz de resolver alguns dos problemas da actual mania de dispensar pentaprismas e de trocar os visores ópticos por aquilo que chamo de vídeo-porteiros. Já referi este aspecto em anterior artigo e é o que acabo por fazer aqui, já com mais dados da experiência tida estes dias. Este visor que duplica entre o óptico, cristalino e puro, e um electrónico que nos dá mais informação e até é mais adequado em alguns casos é uma peça curiosa que sugere potenciais novidades futuras que talvez, um dia, me façam acreditar que podemos ter algo que respeite sempre a transparência única de um OVF (Optical ViewFinder). Por agora, mesmo com este esforço da Fujifilm, vamos somente de caminho.
Dito isto, a Fuijifilm tem consciência de que os fotógrafos gostam de visores ópticos e encontrou uma solução híbrida que quase oferece o melhor de dois mundos. Um visor óptico com informação essencial e seleccionável sobre o que está acontecer, e um visor electrónico que parece uma central de comandos com múltiplas opções de apresentação de dados. Eu, que pugno por visores ópticos, descobri-me por vezes a comutar entre um e outro - tal é a facilidade de o fazer - para obter os melhores resultados em diferentes situações.
De facto, apesar de todas as vantagens visuais do OVF, existem limitações no seu uso. O erro de paralaxe é um deles, e como a sua acentuação é elevada em planos aproximados a Fujifilm limitou a focagem com o visor OVF, pelo que a partir de um determinado ponto é o visor electrónico que tem de entrar em funções. Isso evidencia que este híbrido é uma necessidade porque de outro modo a X100 teria limitações ao nível do seu campo activo de foco.
Efectivamente, dada a qualidade do EVF da Fujifilm, acaba-se por usar o dito muitas vezes, reservando o visor óptico para as situações em que a qualidade da luz - normalmente intensidade elevada - sugere que a visão directa é mais fácil. Isto leva-me a pensar que, feito com regra, um visor electrónico pode ser um bom atributo para muitos aparelhos, mesmo se para mim nada bate, em termos do que gosto de fazer, um verdadeiro visor óptico numa reflex... exactamente por toda a versatilidade que oferece, e que não encontro no OVF na Fujifilm X100.
Confesso que uma vez aceite o ritmo lento, ou melhor calmo, da Fujifilm X100, se vive bem com o aparelho. A qualidade das imagens está ao nível do que uma câmara reflex oferece, mesmo se a objectiva fixa da X100 é um limitador daquilo que se pode registar com este aparelho. Mas só é um limitador quando se pretende mais, algo que será possível encontrar nas objectivas intermutáveis da nova X-Pro 1, mas por outros valores e peso. Porque para quem pretende um aparelho simpático, de confiança, para carregar atrás no bolso de um blusão, a X100 é uma boa resposta. Para, claro, apreciadores do toque do metal, do jeito pretérito de todo o modelo, de uma certa nostalgia do passado que também se revive nesta primeira aposta em X da Fujifilm.
As fotos junto evidenciam alguns dos exercícios feitos com o aparelho. São mais importantes do que voltar a mostrar, aqui, múltiplos aspectos da câmara, que por esta altura já todos conhecem. Esta câmara leva-nos a querer brincar, e fazer fotos em diferentes locais, ensaiando novas abordagens.









































































