Técnica
Olympus regressa às OM... vinte anos atrasada
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- Publicado em 06-02-2012
Com o Micro Quatro Terços a Olympus quis acabar com o pentaprisma e fazer câmaras pequenas. Agora, com a OM-D EM-5 recupera o pentaprisma, mesmo que esconda um visor EVF lá dentro. E pelo caminho perde o flash integrado.Em que ficamos?
As primeiras imagens supostamente da nova câmara da Olympus no Micro Quatro Terços já estao disponíveis e confirma-se o que se esperava. A marca retoma a ideia da série OM, a mais popular das suas criações no segmento reflex, e que abandonou no dealbar dos anos 90 do século passado. Por volta de 1992, de facto, após o lançamento da OM-707, ensaio com AF que não resultou e levou a marca a afastar-se da corrida. É verdade que o derradeiro exemplar da gama OM manual, a OM-4, esteve em produção até 2002, mas foi descontinuado nessa altura e já então servia unicamente uma franja muito pequena do mercado, que se havia convertido ao AF e depois ao digital.
Agora, após uma série de mudanças de direcção, diz e desdiz, incertezas, recuos e invenções no seu percurso pelo que queria fosse um formato universal, o Quatro Terços, a Olympus recupera a série OM, mas parece não saber bem o que fazer em termos de nome, e em vez de criar uma designação simples, tipo OM-D5, tem de recuperar a sigla OM mas adicionar-lhe o E da série que começou no Quatro Terços, e apresentar a... OM-D EM-5... Puxa, grande nome.
Fina, a seguir a ideia da Samsung NX10, o que é permitido pela ausência de compartimento do filme, a câmara tem 122x89x43 mm e pesa 369 gramas (sem o punho adicional) o que de algum modo demonstra que afinal as câmaras MQT não são assim tão pequenas face às antigas reflex. Pegue-se na OM-10 de 1979 e descobrimos que tem dimensões de 136 × 83 × 50 mm e pesa cerca de 430 gramas. Se considerarmos que em termos de objectivas nunca foi conseguida uma efectiva redução da sua dimensão, o peso médio de uma câmara reflex continua muito semelhante.
E é evidente que esta OM-D não é uma reflex como as aprendemos a amar. O que tem, realmene, é um visor electrónico, que surge no local onde antes estava o pentaprisma do espelho das reflex. É curioso que se crie o conceito das sem espelho para, por uma das razões, acabar com a "inestética bossa" no meio da câmara, e depois se volte a adicionar a mesma com outra função. Isto sugere-me que afinal o design original até tinha uma razão de ser, dado que estamos a voltar a ele, por uma ou outra razão.
Afinal, o que a Olympus cedo descobriu - e não só ela - é que o ecrã traseiro das câmaras só por si não é suficiente para garantir que as mesmas podem ser usadas todos o tempo - em situações de muita luz não se vê o que se fotografa - e que tinha de criar visores electrónicos externos que criavam uma nova e inestética bossa no topo dos aparelhos que haviam sido pensados para a não ter. Agora, com esta OM-D assume que a bossa é uma necessidade, mas pespega-lhe lá dentro um visor electrónico, para prescindir do espelho. Para mim é um aspecto negativo, porque nada consegue, ainda, por mais que o pintem, substituir o cristalino visor de uma reflex. Quem diga o contrário ou não sabe do que fala ou tem urgentemente de marcar uma consulta para a vista.
Temos, pois, uma OM-D EM-5 que surge, segundo parece, acompanhada de múltiplas objectivas e acessórios e promete coisas como um sistema autofoco mais rápido, até do que a Nikon D4, dizem alguns. Isto parece slogan de uma campanha polítia e nas campanhas, e nós sabemos bem isso, o que se promete não tem necessariamente de ser cumprido. E só tem de acreditar quem quer, claro, pelo que não me debruço mais sobre a afirmação.
A câmara tem um sensor de 16 milhões de pixéis, ISO de 200 a 25600 ISO, um ecrã traseiro de 3 polegadas rotativo, establizador de imagem de cinco eixos, faz vídeo FullHD e vai custar, indicam outros, cerca de 1100 euro. E não tem flash integrado, obrigando a comprar uma unidade externa.
Uma surpresa, que me recorda o disparate que a Olympus fez com o primeiro aparelho da sua gama E Micro Quatro Terços. É verdade, esta reflex para o grande público não tem flash integrado. Como o espaço do pentaprisma onde por norma surge o flash nas câmaras reflex que o têm foi ocupado com o visor electrónico integrado, foi necessário deixar cair o flash. Trocou-se uma coisa por outra, o que para mim é um mau serviço, por duas razões: o flash integrado é o único flash que muitos amadores alguma vez usam... e um visor óptico seria muito melhor aposta para todos. Isto, claro, que sou eu a pensar e escrever, que com 30 anos de escrita sobre fotografia e mais de uso da mesma, já me sinto um pouco capaz de pensar por mim e não ir atrás das modas que alguns tentam impingir-nos. Ou então já estou velho para mudar, porque comecei a usar câmaras e escrever sobre elas quando alguns dos que agora me lêem, e por vezes criticam estas observações, usavam cueiros...
Portanto, estou curioso de ver ao vivo e tocar esta câmara, para ver o que ela faz. Algo que em Portugal é dificíl porque infelizmente, se não se afina o diapasão pela cantiga das marcas, escrevendo que tudo nelas é belo, se deixa de ter acesso aos materiais para teste. E com a crescente ausência de verdadeiros escritórios das marcas em Portugal, o que temos é uma sistemática subserviência a ordens de aqui ao lado, que também não ajudam muito a resolver problemas.
Dito isto, a OM-D parece querer ser a E-5 do Micro Quatro Terços e o possível caminho da Olympus no segmento profissional, depois de ter andado afastada duas décadas, o que provavelmente foi a pior aposta que fez. Se esta câmara de preço popular almeja e consegue conquistar utilizadores profissionais é o que fica para ver nos próximos capítulos. Entretanto, a apresentação oficial, agora que os rumores já mostraram tudo, é para breve.







































































