Técnica
Fujifilm X10: a máquina dos discos brancos
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- Publicado em 30-03-2012
O aparecimento de pontos brancos nas fotos tiradas com esta câmara provocou uma onda de ira na web. Antes disso, porém, todos amaram a X10, irmã mais pequena da X100. Haverá razões para deixar de o fazer? Em Maio serão resolvidos todos os problemas, promete a Fujifilm.
A Fujifilm começa em Maio de 2012 a resolver os problemas do sensor da Fujifilm X10. Escrevo isto na partida para sossegar mentes e explicar que apesar de ter experimentado a câmara há algum tempo decidi esperar até agora para escrever estas notas. Assim posso dizer que, como é óbvio, a Fujifilm assegurará o respeito pelos clientes que se sentem preocupados porque a sua X10 tem pontos bancos em algumas altas luzes.
Trata-se de um problema do sensor usado e que nem uma nova versão de firmware parece capaz de corrigir. Portanto, a Fujifilm vai recolher as X10 e, nos casos em que isso seja necessário, proceder a substituição. Quer isto dizer que a máquina não presta, como muitos escreveram na web, numa fúria tantas vezes insana e que grassa por todo o lado, mesmo disseminada por quem nunca antes havia notado qualquer problema na sua X10 mas de repente quer fazer parte do coro.
Acredito, sei , que existem problemas com a X10. Mas também sei que muitos dos que se tornaram em paladinos da divulgação da culpa da Fujifilm, da sugestão de um qualquer "esquema", e que tanto mal disseram da câmara, não haviam tido qualquer ideia dos globos brancos antes. Afinal, e basta passar uma vista de olhos pela web, nas datas antes da revelação dos globos bancos para descobrir que inúmeros websites, reputados pelas suas análises, só disseram bem do aparelho. E não mudaram de opinião mesmo depois de a informação sobre os pontos brancos começar a tomar conta das conversas.
Se deixarmos de lado esse aspecto, a que voltaremos mais adiante, a Fujifilm X10 é uma máquina deveras interessante. Trata-se de um aparelho sólido, bom de tocar e usar, que parte da ideia da X100 mas a oferece num corpo e sensor mais pequenos, mas com um zoom de 28-112mm f/2.0 /2.8 que abre para outras opções fotográficas. Com um sensor EXR CMOS de 2/3 de polegada e 12 milhões de pixéis, zoom manual, vídeo a 1080p, disparo sequencial a 7fps, ISO de 100 a 12800 (3200 ISO na resolução máxima), nível electrónico, flash integrado escondido no corpo e elevado manualmente (como os profissionais gostam), sapata para flash externo, estabilização de imagem, registo em RAW e um modo de panoramas até 360 graus que me deixou embasbacado (as coisas que hoje se fazem... e funcionam) esta câmara de controlo totalmente manual é uma boa escolha para quem quer viajar leve, sem dar nas vistas, e quer voltar a casa com a ideia de ter feito as suas fotos e não as que um qualquer automatismo lhe ditou.
O visor integrado não é, infelizmente, do jeito híbrido do da X100, sendo mais um túnel de penumbra e sem informação que se usa somente como recurso, num convite evidente a usar-se sempre o ecrã traseiro, mas isso é um pormenor numa ficha que no restante é de fôlego. Deixo de lado a análise dos números e de mil e um aspectos técnicos que o leitor pode encontrar noutros espaços, mais vocacionados para fichas técnicas. Aqui prefiro centrar-me na minha experiência com a câmara, em uso no mundo real. São as fotografias que tiro que uso como bitola para saber se um aparelho cumpre com as mimhas expectativas.
Em uso revelam-se algumas especificidades dos vários modos de operação que obrigam a definir estratégias. O limite de velocidade de 1/1000 em prioridade à abertura ou velocidade é uma estranha opção dos engenheiros da Fujifilm - porventura ligada aos modos EXR de definição da melhor exposição/qualdiade de imagem - mas que não se compreende porque em manual o aparelho sobe a 1/4000, mais confortáveis para explorar as brilhantes capacidades de desfocar planos dos diafragmas de f/2 e sobretudo de f/2.8 a 112mm. A não ser que a Fujifilm tenha decidido que este aparelho é mesmo para os amantes dos modos manuais e só a esses dá a total liberdade criativa de exploração do equipamento. Dito isto, na X10 cumpre-se uma verdade: quem mais souber de fotografia tira melhores resultados da máquina. É uma salutar disciplina que me agrada sobremaneira.
Com um sensor pequeno mas maior do que usado em muitas compactas, a X10 oferece uma qualidade acima do habitual no patamar das compactas, que é o seu, se bem que o seu preço seja, porém, mais próximo de uma reflex de entrada do que de uma compacta. Mas a versatildiade, a robustez do corpo e o ar retro do aparelho são também justificativos para o preço.
Em abono da verdade devo dizer que nunca deixo uma compacta definir a sensibilidade ISO por ela, porque sei que os resultados são pouco recomendáveis. Com a X10 não tive essa preocupação e cobri toda uma festa de aniversário na família com sensibilidades entre 100 e 3200 ISO sem que depois me arrependesse - muito - de o ter feito. A generalidade das imagens mostrou-se limpa, mesmo na esfera dos 800 ISO, com algum ruído depois disso. Consegui fazer uma colecção invejável de fotos sem fazer mais do que quase apontar e disparar.
Fotografei teatro, fotografei paisagem, comida, retrato, interiores, tudo o que me deu na gana, e os resultados são bons e obtidos em plena consciência das escolhas feitas para cada momento. Os resultados são excelentes, a luminosidade da objectiva convida a usar a X10 quando a luz se vai, e apesar da nudez do visor óptico, que nem uma marca do ponto AF em uso apresenta, uma vez definidos valores de exposição até se pode usar o dito para controlo de enquadramentos, usando o excelente controlo manual do zoom, que faz toda a diferença.
Temos, portanto, que este é o brinquedo perfeito para quem tenha o dinheiro para investir num e queira a mais pequena compacta com, porventura melhor qualidade do momento. Dito isto, existem alternativas para quem procura sensores maiores e outros níveis. Mas não são directamente comparáveis, porque uma câmara também se adquire pela paixão que as suas formas transmitem. E nesse capítulo a X10 é uma pequena jóia a recordar-nos o passado.
Será esta a altura para ir comprar a câmara? Se não pode esperar, sim. A Fujifilm vai resolver o problema das manchas brancas nas fotos, e portanto só terá de entregar o seu aparelho - e ficar sem ele alguns dias, calculo - quando a operação for iniciada. Mas se quiser esperar e todas as histórias na web o preocupam, espere um pouco mais. A partir de Maio todos os problemas serão resolvidos. Isto, claro se alguma vez eles existirem. Na maior parte das situações e sem que existam grandes contrastes nas fotos, as manchas brancas praticamente não aparecem. É essa a experiência que tenho de usar a câmara durante quase um mês e em situações bem distintas.









































































