Técnica
Nikon D3200: mais pixéis do que necessário
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- Publicado em 27-07-2012
Uma recente análise da Nikon D3200 revela um dado interessante que, presumo, se estende a várias marcas: os utilizadores nunca tiram partido do sensor que compram, porque a objectiva que usam não permite. Então para quê criar sensores tão grandes?
Raramente escrevo sobre Nikon porque, infelizmente, a marca não existe em Portugal. Isto é, tem uma representação há anos, mas é como se não tivesse. É pena, a marca merecia melhor, mas é o que temos. Ponto final no assunto. Agora escrevo sobre a recente D3200 da Nikon, não exactamente por causa do aparelho, mas por causa do sensor de 24 milhões de pixéis que oferece.
Muitos amadores (e os profissionais também, pelo que talvez deva escrever... fotógrafos) deixam-se impressionar pelo elevado número de pixéis e querem logo mudar de máquina, pensando que vão ter melhores fotos. É mentira. Terão maiores fotos, mas se o que fazem é m****. só terão uma m***** maior. Se isso os faz felizes, ora façam favor.
Pronto, temos uma reflex para o segmento de entrada com 24 milhões de pixéis. Muitos. De facto, desde que a Canon (e refiro a Canon poque é um exemplo que conheço bem) criou a EOS 50D, com 15 milhões de pixéis o que sucedeu em Agosto de 2008, portanto há quatro anos, que o fabricante diz que ao atingir aquele limite de pixéis no sensor, só as melhores objectivas dão conta do recado, pelo que quem tiver objectivas baratas não necessita de esforçar-se a usar sensores de maior volume de captores por mm2, porque não serve para nada. Aliás, na altura a Canon indicou mesmo que era chegado o momento de começar a melhorar o seu parque de objectivas, para dar resposta aos sensores cada vez mais exigentes.
A Canon está neste momento a usar sensores na esfera dos 18 milhões de pixéis tanto nos modelos mais avançados (e nas profissionais, mas com sensores Full Frame) como na entrada de gama. De facto, a Canon parece ter estabilizado nos 18MP, até para a sua "sem espelho", EOS M, que usa o sensor da EOS 650D. A Nikon, entretanto, sobe para 24MP num aparelho de entrada, dando a esse segmento mais pixéis do que os utilizadores conseguem usar.
Efectivamente, são os responsáveis da própria Nikon, em declarações à DPReview, que acabam por revelar, mesmo que indirectamente, que a maioria dos utilizadores nunca tirará partido do potencial do sensor, simplesmente porque as estatísticas confirmam que a maioria deles nunca usa mais do que a objectiva de 18-55mm que acompanha a câmara, e que é insuficiente para ir buscar toda a informação dos captores do sensor.
Temos, portanto, que para a generalidade dos utilizadores a Nikon D3200 é um puro desperdício, porque vão pagar por um sensor de que não tiram rendimento. É um dado interessante e que acho que devia ser devidamente avaliado pelas marcas, pelos fotógrafos e por todos os consumidores. Vale realmente a pena criar câmaras com cada vez mais pixéis, se as pessoas não usam esse potencial? Se 15 milhões de pixéis representam o ponto de viragem e a densidade razoável para muitas utilizações, para quê continuar a... fazer Ferraris quando o que é necessário é ter bons Fiat 500? Isto transposto para a nossa realidade seria algo como... para quê criar tantos licenciados se do que necessitamos é de gente capaz de meter as mãos na massa e fazer coisas?
Desculpem-me a nota político-social (que não foi uma alusão velada ao expedito Relvas) e vamos lá voltar ao território desta nota. Vale, então, a pena insuflar 24MP num sensor de uma Nikon D3200? Provavelmente não. Seria melhor colocar menos pixéis, até porque o aparelho se destina a um segmento de entrada (que tantas vezes só coloca imagens na Internet ou imprime... 10x15cm), e aproveitar a diferença para fazer um sensor mais eficiente (até pela provável redução do ruído obtida por uma menor densidade de captores maiores) e... baixar os custos. Mas isto sou eu a pensar logicamente, algo que o mercado não parece fazer. Porque quando se pergunta às pessoas, elas referem sempre... mais pixéis. Querem mais pixéis!
Uhmmm... Talvez seja por isso que a Nikon já vai em 24MP. É uma espécie de pescadinha de rabo na boca e não há volta a dar-lhe. A próxima Nikon APS-C vai ter 36 milhões. E as dos outros também. Parece que é o que a malta quer. Resta saber... para quê.









































































