Num corpo diferente dos modelos anteriores, mais pequeno e mais barato, a Olympus continua a sua exploração do Micro Quatro Terços. O resultado é uma máquina quase perfeita que tanto serve a quem agora começa como vai satisfazer o amador avançado ou profissional em busca de uma alternativa.
Por um preço acima dos 600 euros, a Olympus E-PL1 vai obrigar-nos a reescrevermos a história do formato que a marca divide com a Panasonic. De facto, depois de nos ter dado em dois modelos Olympus de aspecto mais clássico, e para alguns mais bonitos, o cheiro das coisas que é possível fazer, é num corpo que parece uma caixa, mas que cedo se revela ergonómico q.b. e muito funcional que nos leva até ao ponto mais alto das capacidades actuais do MFT (Micro Four Thirds) ou Micro Quatro Terços, numa relação qualidade/preço que coloca em cheque as compactas tradicionais no mesmo segmento de preço.
Rivalizando até com a Panasonic GF1, que corre por um preço mais elevado, a E-PL1 é o protótipo da câmara perfeita. Usá-la ao longo das últimas duas semanas, logo após a E-P2, permitiu perceber que a Olympus deu o salto para diante, criando um modelo que define de forma evidente as potencialidades do formato MFT (ou MQT) e coloca tudo isso ao alcance do fotógrafo que pretende a máxima qualidade num pacote embolsável.
Verdade, com a objectiva tipo bolo-de-noiva da Olympus, uma 14-42 mm excelente para servir a tempo inteiro, a E-PL1 é um sonho de aparelho para ter por perto. De paisagem a planos muito aproximados faz tudo, e estamos ainda no limiar da exploração das potencialidades do parque óptico que começa a nascer para este sistema. Com uma objectiva entre 50 e 150mm cobrem-se, num pacote muito portátil, as necessidades de, diria, 95 por cento dos fotógrafos ao redor do mundo. Num conjunto que cabe numa mala pequena e que pesa um quilograma... Em Portugal o equipamento vai estar disponível por € 649 com a objectiva 14-42mm e por €799 com o conjunto 14-42 e 40-150mm com o adaptador que permite usar a óptica do Quatro Terços no MQT.
Ao usar de forma tão intensa a E-PL1 fico com a noção absoluta do que falta neste aparelho para ser perfeito: um visor a sério, que substitua ou seja alternativa ao ecrã traseiro. De facto, quando se pretende usar o aparelho de forma mais... perdoem-me o termo, séria, o que se nota é que um visor dava jeito. Não é fácil segurar a câmara de forma tão estável espreitando pelo ecrã traseiro. A minha tendência foi sempre de aproximar a cara do sítio onde deveria estar um visor para garantir que segurava a câmara bem. É um tique de anos a fotografar mas reflecte a noção absoluta de que com o aparelho encostado à cana do nariz e contra a face tenho um suporte melhor que garante menos fotos tremidas. É algo que sabemos desde sempre, pelo que a ideia de estender os braços e olhar para um ecrã de razoável dimensão contraria essa sabedoria. O que isto quer dizer é que para se tornar ainda mais concorrencial o MFT tem de encontrar a forma de colocar um visor a sério – o visor externo opcional é uma alternativa mas não é a solução vencedora, até porque torna o aparelho menos prático – no corpo. Por mim até podem reduzir a dimensão do ecrã traseiro, que é de 2.7 polegadas na E-PL1 e dar-lhe um visor. Então, esta seria a câmara perfeita.
Esta ideia da câmara perfeita pode irritar alguns, mas na verdade a E-PL1 está nesse caminho. Se olharmos para trás e tomando a classificação dada à E-P1 da Olympus no Verão de 2009 pela DPReview, que deve ser um espaço de referência para muitos, descobre-se que lhe deram 4 estrelas e meia. Isso significa que a E-PL1 merece cinco estrelas. Não acredita? Então saiba que a E-PL1 tem tudo o que a E-P1 tem (excepto a velocidade mais alta de obturador, que é de 1/2000 contra 1/4000), tem ainda um flash incorporado que se revela de facto excelente para encher sombras e mais e custa bem menos. Como se não bastasse isso, é bem mais amiga do utilizador, através de um Live Guide que explica como obter os melhores resultados numa série de situações fotográficas e oferece a par com todas as funcionalidades que um amador avançado vai exigir uma interface simples para quem pretende resultados mas não entende nada de diafragma/obturadores, sensibilidades e temas afins, explicando num sistema WYSIWYG (O que vê é o que realmente vai ter.... se quer a tradução imediata) o que está a acontecer quando o utilizador define, por exemplo, que quer a foto com menos área focada. É tão simples que só mesmo vendo.
Em termos gerais o sistema de controlo do aparelho foi reajustado, de modo a tornar-se mais simples para quem começa, diria que intuitivo, e mais completo e satisfatório para quem já sabe o que está a fazer. É um sinal de quanto os engenheiros da Olympus investiram neste modelo aparentemente de entrada de gama mas de facto repositório do que está para vir, e de uma nova filosofia que atrairá mais gente para o MFT. De facto, depois de tocar na E-PL1 e se esquecermos a falta de um visor efectivamente digno desse nome, diria que este é o modelo de aparelho que recomendo vivamente a quem pretende mais do que uma compacta com os seus sensores diminutos (e sempre limitados na qualidade) e não quer uma reflex.
Todas as fotos foram obtidas com a objectiva 14-42mm f/3.5-5.6 L da Olympus
A E-PL1 não concorre com uma reflex pura e dura – o visor ajudaria – mas tem todos os atributos para ser uma opção viável para quem sabe que tipo de fotografia pretende fazer. Com uma cadência de disparo de 3 fotogramas por segundo não é a rainha da velocidade mas tem coisas que alguns aparelhos reflex nem sequer sonham: por exemplo o flash de bordo da E-PL1 pode controlar sem fios uma unidade externa da Olympus, o que eleva a capacidade de controlo da luz para um patamar que poucos aparelhos reflex, até semi-profissionais, conseguem oferecer. E o diminuto flash de bordo permite ainda configurações de primeira e segunda cortina ou até a redução da emissão de luz até 1/64, uma abordagem que permite a sua utilização em planos muito aproximados. Só a configuração do flash tem 11 opções possíveis... o que sugere quão profissional a E-PL1 é em termos de ajustes acessíveis ao utilizador. Até a selecção do ponto de foco se faz em instantes, para os 11 pontos seleccionáveis no ecrã, associáveis a outras configurações do sistema AF. Brilhante.
De facto, a E-PL1 acaba por revelar-se uma ferramenta extremamente profissional – e igualmente amiga do principiante – num só corpo, o que é um feito de que poucos fabricantes se podem gabar. Um único reparo: ao decidir tornar mais fácil o acesso ao modo de vídeo a Olympus posicionou o botão de activação do dito numa zona onde o polegar assenta... o que me levou a muitas vezes activar o vídeo quando o que queria era segurar melhor o aparelho. É um pormenor, mas aqui fica. Do lado bom temos o sistema de focagem manual assistida, que funciona muito bem – não é manual mas isso não importa aqui – e que em planos muito aproximados ou macro se revela extremamente eficiente, ainda por cima aliado a uma opção de ampliação rápida da área coberta (o ícone da lupa na zona onde o polegar assenta) que permite um ajuste fino do foco. É nessas alturas, com a ampliação, que se verifica que a falta de um visor para estabilizar o aparelho pode ser crucial: a imagem presente no ecrã parece ter sido obtida no convés de um barco numa tempestade. Eu sei que a E-PL1 tem um sistema de estabilização de imagem inscrito, mas sinceramente acho que o trocava por um visor a sério...
Capaz de aceitar o visor electrónico externo da marca, e agora permitindo que ele seja usado a par com o flash integrado, o que eleva a funcionalidade em duas vias, porque o iluminador também permite o controlo sem fios de unidades externas, a E-PL1 é um verdadeiro sonho de aparelho e um que me tenho divertido a usar ao longo destes dias. É claro que com novos modelos da Panasonic anunciados não vai estar só durante muito tempo, mas por ora detém o papel de equipamento pioneiro na introdução de uma série de coisas e na afirmação do potencial do MFT a um preço que cria problemas aos modelos mais caros de “point and shoot” de diversos fabricantes... até da própria Olympus.
É crível que esta não seja a câmara para todos, até porque alguns querem ter um grande zoom, coisa entre 30 e 700mm num corpo que cabe num bolso. Mas a qualidade paga-se e nada do universo das compactas consegue bater um sensor com esta dimensão, que se traduz em melhores resultados mesmo a baixas sensibilidades e muito mais quando ela sobe. E melhores resultados em tudo o resto, praticamente. É por isso mesmo que continuo a acreditar que quem pretende elevar o patamar da sua fotografia e quer um aparelho para ir a todo o lado, tem aqui uma boa escolha. Com a vantagem de esta E-PL1 ser excelente para dar os primeiros passos e depois revelar-se capaz de acompanhar as ambições profissionais ou avançadas do seu proprietário. As fotos publicadas revelam a versatilidade de áreas em que a E-PL1 cumpre com nota alta. Porque tem dentro tudo aquilo que é necessário para fazer excelentes fotos. Só lhe falta o visor para ser perfeita. Cinco estrelas, portanto!
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Prós: dimensão do sensor, facilidade de uso por amadores e profissionais, resultados. Contras: posição do botão de filmes e... com um visor era a câmara perfeita. |
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