A primeira câmara com uma base de dados de GPS integrada, a Lumix TZ10 é uma excelente compacta na tradição Lumix, mas não a use para chegar a casa. O GPS só tem uma vaga ideia e devora baterias. Fora isso é uma Lumix de gema.
Quando liguei a TZ10 pela primeira vez sabia que não ia ter aquela voz monocórdica a dizer-me por onde ir – agora vire à esquerda no próximo cruzamento e percorra 200 metros – mas também não esperava descobrir que podia viajar no tempo. Pois... mas eu explico.
Já existem compactas com GPS, mas nenhuma como a Lumix TZ10, que tem uma base de dados geográfica incorporada. A base de dados do GPS do aparelho tem pouco mais de meio milhão de referências, e se em algumas cidades até pode dar bons resultados, por estas bandas devem ser muito poucos os sinais registados, pelo que o GPS da Lumix TZ10 tem, não uma direcção geográfica mas uma vaga ideia... Tão vaga, de facto, que acaba por referir coisas estranhas ou aparentemente estranhas. Como por exemplo na rua da Capela, em Rio de Mouro, referir uma Capela de Nossa Senhora ... quando da capela não há mais que a memória na rua. O que me leva a suspeitar que ou a base de dados usada remonta a outros tempos (deve ter havido por aqui uma capela) ou então, por breves instantes, viajei no tempo...
Brinco, claro, até porque isto não é um GPS que dê coordenadas de orientação - como parecem querer pensar algumas cabeças mal pensantes dos fóruns nacionais, onde reina muita ignorância... - , mas é um bom ponto de partida para explicar que o GPS da Lumix TZ10 não tem uma noção exacta das coisas mesmo com recurso á base de dados. Ou pelo menos não as explica bem na interface visível (chama Pavilhão do Conhecimento a um ponto na Segunda Circular, em Lisboa), tudo por causa da limitação dos pontos geográficos referenciados. O sistema ou lê por aproximação ou indica o último ponto onde esteve antes de a câmara ser desligada. Porque lá no fundo, se for ao ficheiro Exif, encontra as coordenadas precisas do ponto onde fotografou. O que significa que a informação do lugar exacto onde cada clic foi feito está acessível. E se associar as suas fotos a um programa de geomapeamento vai ver como elas revelam onde esteve. O que pode ser bom mas também pode ser mau, como se calcula. Agora qualquer um vai poder, através das suas fotos, saber onde andou. Já não bastam o telemóvel, a via verde e outros “olhos” do Big Brother.
Isto tudo para dizer que apesar da má capacidade de comunicação, lá no fundo ele guarda os dados todos. O problema é que para o fazer devora baterias. Verdade: espere fazer menos de 100 fotogramas com o GPS ligado. A necessidade de constante actualização do sistema a par com todos os outros sistemas da câmara dá cabo das expectativas de vida útil de qualquer bateria. É o problema de integrar numa máquina fotográfica um “papão” de energia. O meu conselho: se quer mesmo usar a TZ10 esqueça o GPS. Ou use-o com absoluta moderação.
Note-se: a ideia do GPS, até porque guarda as coordenadas - o que outros aparelhos já fazem também, isto não é uma estreia – é boa, e pode ter aplicação em algumas situações. Mas se não necessita em absoluto do GPS desactive-o e viva feliz com uma bateria que entra num ciclo normal (+/- 300 disparos) e cumpre com o que se espera dela. Foi o que fiz e não tive mais preocupações.
A Panasonic continua a incrementar as capacidades dos seus sistemas compactos em cada nova geração e aqui isso sente-se. O sistema de redução de vibração, agora designado POWER O.I.S. (Optical Image Stabilizer), funciona extremamente bem, mesmo na amplitude máxima do zoom, que é de 12x. O zoom baseado num sistema óptico Leica com variação de 25 a 300mm, é um dos pontos altos de um aparelho tão compacto. E a Panasonic integrou mesmo um zoom digital de 1.3x que funciona minimamente, mesmo se continua a não poder criar detalhe onde ele não existe. E a marca teve o cuidado de não exceder essa capacidade, por certo ciente dos problemas que causa. Seria como que querer manchar um aparelho que em uso corrente, como as imagens demonstram, oferece excelentes resultados.
A contribuir para isso estão duas coisas: por um lado a capacidade do aparelho para definir em modo automático (iA) o que é um bom resultado (interpretando as condições de luz, posição de motivos supostamente principais e comparando tudo isso com algoritmos de exposição, composição, etc. internos), por outro a liberdade dada ao utilizador de ajustar a seu bel-prazer, de forma livre, os valores de diafragma, obturador e compensação da exposição. Claro que existe uma limitação aqui, imposta pelo reduzido curso do diafragma, que não vai além de f/6.3, uma característica das compactas, mas a capacidade de variar o obturador entre 1/2000 e 60 segundos abre para alguma variedade na escolha.
A incorporação de algo que a Panasonic chama de Intelligent Resolution, nova forma de processar imagens do motor gráfico Venuns Engine HD, é ainda responsável pela melhoria de qualidade, ao definir três áreas distintas de tratamento em cada imagem – contornos de motivos, áreas de textura e gradações suaves – que ao serem editadas separadamente criam um resultado final mais agradável. Na prática o que o sistema faz é definir melhor as zonas de separação (contornos), como se faria com um “unsharp”, mas protegendo as áreas de textura, onde a acentuação é moderada mas de modo a avivar detalhe, e finalmente nas zonas de gradações suaves aplica uma suavização que visa eliminar o ruído. O sistema funciona em fotografia e também em vídeo, o que sugere a capacidade de processamento da actual Venus Engine HD.
O vídeo, 1280x720 HD com uma cadência de 30 fotogramas por segundo e no formato AVCHD Lite marca presença, com som e imagem ao nível da – boa – qualidade que a Panasonic nos habituou e que faz hoje de padrão exigido do mercado. E com o zoom utilizável durante os registos.
Em fotografia os habituais problemas do uso de sensibilidades muito elevadas fazem-se sentir, e por mais que os fabricantes prometam - e tentem – a dimensão efectiva do sensor cria um fosso entre o que é possível fazer aqui e, por exemplo, no Micro Quatro Terços. Mas se as pessoas entenderem isso mesmo e não quiserem mais do que aquilo que compram, a Lumix TZ10 é uma escolha lógica que oferece imagens como as publicadas, sem grande esforço. Experimente-a!
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Prós: Vídeo com zoom, resultados, controlo manual
Contras: GPS devora bateria. |
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