Câmaras
Urso a 3200 ISO, urso a 12800 ISO...
- Publicado em quarta, 23 junho 2010 13:59
Por norma, até nos meus workshops, digo que quanto menos ISO melhor. Mas Vincent Munier ou Paul Burwell não sabem nada disso. E puxam pelos ISO. Os resultados sugerem que a luz é cada vez mais intensa, mesmo no escuro.
A foto de Paul Burwell que ilustra a edição de Verão da revista Outdoor Photographer Canada mostra uma imagem que causou alguma sensação: não pelo tema, um urso, mas por ter sido tirada a 3200 ISO com uma Canon EOS 5D Mark II.
O autor obteve o registo com uma objectiva de 500mm e fotografou a 1/400 f/4 e afirma que este deve ser uma das primeiras capas realizadas tendo por base uma foto de tão elevada sensibilidade. Claro que a história é interessante, mas não é uma novidade.
De facto, se recuarmos no tempo alguns anos, na edição em papel da Fotodigital publiquei uma capa com uma foto – de flores - a 800 ISO registada com uma compacta Fujifilm Finepix Z1. Se considerarmos que a edição número 34 é de Maio de 2005, os 800 ISO de então – e num sensor bem mais pequeno que o da Canon -, valem tanto ou mais do que a capa do urso a 3200 ISO. Até porque toda a tecnologia evoluiu, até a de redução e limpeza do ruído... Portanto, nada de especial.
Mas esta nota levou-me em busca de outras capas de revistas ou livros publicados com imagens usando elevadas sensibilidades. O que nos conduz à capa da Chasseur d’Images de Novembro de 2009, que refere uma foto feita a 100000 ISO e nos mostra uma feita... a 12800 ISO. É necessário abrir a publicação para encontrar uma foto feita efectivamente a 102400 ISO, mas que não tem a qualidade da presente na capa. Para que conste...
Efectivamente, o valor de 12800 ISO já é elevado que baste, e uma barreira que só com o digital parece possível ultrapassar. Sendo a escala ISO logarítimica, um valor de 102400 corresponde a 6 vezes o valor de 1600 ISO (1600, 3200, 6400, 12800, 25600, 51200, 102400 ISO...) que, excepto por alguns filmes de astrofotografia da Konica a 3200 ISO, representava, por muito tempo, o limiar do possível em fotografia, e a preto e branco.
Os fabricantes jogam, actualmente, com esses valores nas suas acções de marketing – e o público parece adorar esse quanto mais melhor – mas se olharmos o pdf da Nikon sobre a experiência de Vincent Munier com a D3s a foto publicada mostra uma sensibilidade de 12800 ISO. Como, aliás, outras imagens do documento. Esse parece ser o limite efectivo aceitável. O que não significa que efectivamente tudo vá parar aqui, porque estamos a anos-luz (o termo funciona bem aqui) do que era possível com filme, e a evolução das sensibilidades nos sensores ainda não acabou. Podemos hoje, mesmo que com muito grão/ruído “ver” coisas que seria impossível registar com emulsões fotográficas.
Para a história fica ainda uma pista para um livro com imagens de elevada sensibilidade impressas.
A capa do livro de James Fennel “Vanishing Ireland – Further Chronicles of a Disappearing World” foi feita com uma Canon 5D MK 2 a 1/50 f/7.1 a ISO 4000. O autor refere que muitas das fotos interiores do livro foram também obtidas com elevada sensibilidade. Com bons resultados.
O que se retira de tudo isto? Uma verdade a reter: por vezes é melhor uma boa imagem com grão do que imagem nenhuma. Uma nota a ter em conta quando se pensa que um baixo ISO é o melhor ISO para usar. Tenho de repensar o que digo nos meus workshops. Estamos sempre a aprender. E a descobrir que as regras também são para quebrar.










































































