Câmaras
Câmara do futuro da Canon é modelo dos anos 90
- Publicado em terça, 06 julho 2010 14:24
Um dos pontos alto da Exposição Mundial de Shanghai 2010 é a Câmara Maravilha da Canon, que sugere como serão os aparelhos dentro de duas décadas. Mas a base da ideia é um aparelho lançado em 1990, com um leque de tecnologias actuais e o sonho/promessa das que virão no futuro.
Os espaços de fotografia da Internet fervilham hoje com a notícia de apresentação pela Canon da sua visão da Wonder Camera, um modelo de uma só objectiva e que efectivamente só faz vídeo, que pode ser a câmara que todos vamos usar no futuro. O longo artigo do Gizmag, repetido/comentado por dezenas de outros espaços, elabora sobre o que vai ser o conceito, como a Canon terá em projecto objectivas até 5000mm de focal, estabilização de imagem como nunca vimos, sensores de muito elevada resolução e o adeus absoluto aos botões e comandos, com os dedos controlando tudo.
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Considerando a noção que tenho das mostras de projectos de algumas marcas, e em especial de algumas conferências Canon de novas tecnologias, sei que algumas das coisas que vemos nessas demonstrações nunca chegam ao público ou sequer a existir. Vi objectivas líquidas e outras formas de estabilização nos anos 90 em Paris, em demonstrações Canon, e ainda estou à espera de ver aplicações práticas dessas ideias, por brilhantes que fossem. Fora dos laboratórios em em uso corrente.
Nos sensores de toque, a experiência que tive/tenho por estes dias com a Lumix G2 chega-me para desconfiar de comandos só de toque. O sensor de “vá pelos seus dedos” do aparelho é giro de mostrar a amigos, mas quando por descuido toco no ecrã, mesmo sem ser com os dedos, e mudo o ponto de foco ou activo outra função, fico demasiado irritado para acreditar que a tecnologia vá efectivamente ser assim tão prática para fotografar. Sim, mas impressiono as pessoas...
De volta à Wonder Camera da Canon, a ideia é interessante – e é de ideias que o Homem alimenta a sua progressão – e aconselho a espreitar o vídeo disponível assim como o artigo original. Mas este conceito não é tão novo como nos querem fazer crer. É mais um acumular de soluções em estudo ou já existentes, e inserido num aparelho que tem as suas raízes digitais na Canon Pro 70, lançada em Novembro de... 1998.
A PowerShot Pro 70 foi, na altura, concebida para os profissionais mais exigentes. Pois... na altura. Com um sensor CCD de ½ polegada e 1.68 milhões de pixéis, o aparelho usava uma objectiva 28-70mm (equivalente no 35mm), um zoom de 2.5x com dois elementos asféricos. O conjunto oferecia, indica a Canon na ficha técnica do aparelho, "excelente detalhe e elevada resolução".
Compatível com os flashes Speedlite EX da gama EOS, com um obturador entre ½ e 1/8000 e capacidade para fazer 4 fotogramas por segundo em sequências de até 20 fotos, a Pro 70 era um “tubo” alongado com uma zona de punho, conceito reencontrado na Wonder Camera.
A Canon lançou em 2001 um segundo modelo da série, a PowerShot Pro90 IS, a primeira a incorporar um zoom de 10x e o sistema óptico de estabilização. Apresentada como o exemplo da aposta da Canon em oferecer aos consumidores o melhor em tecnologia, a câmara repetia o formato “tubo” da irmã mais velha, mas era mais ambiciosa. Com um zoom 37-370mm f/2.8-3.5, focagem próxima a 10cm, obturador de 8 segundos a 1/1000, sensibilidade de 50 a 400 ISO, fotometria ponderada ao centro ou pontual, compensação de exposição, compensação de flash, flash integrado com alcance até 4 metros e uma série de outras funcionalidades entre as quais o registo em vídeo com áudio (em 2001), gravação em JPEG e RAW, e cartões CF num sensor CCD de... 3.34 milhões de pixéis (2.6 efectivos) o aparelho era uma “wonder camera” na altura. Sei-o porque levei uma PowerShot Pro 90 IS para uma viagem a Marrocos e nunca me arrependi.
E na verdade, existe mesmo uma antecessora destes modelos digitais, um de que me recordei já depois de começar a escrever esta nota. Em 1990 a Canon apresentou o seu primeiro "tubo" fotográfico, a Canon Epoca na Europa (com as designações Photura e Autoboy Jet nos Estados Unidos e Ásia), um modelo de filme - 35mm - com zoom de 35-105mm, autofoco com 3 sensores, macro/closeup a 55cm e flash integrado na tampa...
É destes modelos com até duas décadas de existência que a Canon parte para a construção da Wonder Camera que dentro de 20 anos usaremos. Que mais não é do que o “colar” de tecnologias e sonhos num desenho já com provas dadas e que mesmo outros fabricantes, como a Olympus, seguiram em modelos seus.
Leia o artigo completo em GizMag










































































