Câmaras
Canon "mirrorless" afinal pode ser uma mini-reflex
- Publicado em terça, 20 julho 2010 14:28
A Canon afinal tem uma nova câmara em desenvolvimento, mas pode não ser uma “mirrorless”. Mas pequena vai ser. Só que reflex. Dito por um responsável da marca numa entrevista à Reuters que sugere estarmos ante uma mini-reflex. A 27 de Julho a Canon pode ter mais novidades.
Masaya Maeda, responsável da divisão de Image Communication Products da Canon afirmou em recente entrevista à Reuters que a marca tem em desenvolvimento uma versão mais pequena das suas câmaras reflex para competir com a nova gama de câmaras “sem espelho” lançadas pela Panasonic, Olympus e Sony.
A afirmação é interessante pela exactidão da referência a uma “câmara reflex mais pequena”, o que introduz uma nuance nova mesmo nas notícias das agências noticiosas, que por vezes tratam tudo como se fosse o mesmo. Efectivamente, o conceito do “mirrorless” misturou-se com o Micro Quatro Terços e muitas vezes confunde-se uma coisa com outra, esquecendo que as propostas de Panasonic/Olympus são diferentes da Sony. E esta é diferente da Samsung.
Saliente-se, aqui, que a Canon não refere a Samsung na sua afirmação sobre o que está a desenvolver. De facto, se esquecermos a questão do espelho, a Samsung NX10 é o que mais se aproxima de uma reflex tradicional, ao usar um sensor APS-C num corpo que se parece com o de uma reflex. Talvez seja esse o caminho que a Canon pretende seguir, mas deixando o espelho lá dentro, agora que se começa a sentir que o calcanhar de Aquiles de muitas soluções “mirrorless” é exactamente aquilo que as destaca: a ausência do espelho. Só isso explica que um acessório como o Visoflex da Leica esteja a caminho do Micro Quatro Terços. Permite ter uma visão limpa, cristalina, que nenhum aparelho electrónico parece capaz de oferecer.
De facto, olhando para a notícia da Reuters não deixo de me sentir agradado por encontrar em rodapé uma afirmação de um especialista da área fotográfica, Kazumasa Kunota, da Okasan Securities, que diz “olhar através de um visor (óptico) é diferente de ver indirectamente através de semicondutores”.
Isto assim dito vai de encontro ao que tenho escrito uma e outra vez: nemhum sistema até ao momento concebido consegue reproduzir a visão de um sistema reflex. E não falo por ouvir dizer mas com conhecimento de causa. Possuo dois equipamentos Micro Quatro Terços – um com ecrã traseiro outro com excelente visor electrónico – e sei que nenhum deles me permite ter a mesma visão clara das reflex que uso. Tenho usado praticamente todos os equipamentos com visor electrónico, da Samsung NX10 às Olympus, Panasonic e similares, e nenhum consegue ser mais do que um aceitável substituto quando se pretende fazer fotografia a qualquer hora do dia. Além das dificuldades de visionamento em determinadas condições luminosas, continuo a sentir que estou a fotografar remotamente”, através de um, como lhe chamo, vídeo porteiro.

Isto tudo para voltar à notícia da Canon. Masaya Maeda não adiantou detalhes sobre a câmara, mas quando questionado se o aparelho teria um espelho ou seguiria a corrente dos sistemas “mirrorless” afirmou que “ não se trata de ter ou não um espelho. Existe uma necessidade do consumidor de ter equipamentos mais pequenos e de boa qualidade. Nós vamos satisfazer essa procura.” E negou que tal - a inclusão do espelho - fosse difícil de atingir, afirmando que a Canon já fez aparelhos de reduzida dimensão anteriormente.
De facto, a Canon fez uma série EOS no tempo do formato de filme analógico APS (de que fomos buscar o acrónimo dos sensores actuais, APS-C) que pode bem recuperar para criar aparelhos - ainda - mais pequenos.
A EOS IX E foi a primeira câmara da colecção Advanced Photo System e surgiu em Outubro de 1996. Compatível com toda a gama de objectivas EF, oferecia três pontos AF, controlo de focagem pelo olhar, leitura multi-zonas com seis zonas. O desaparecimento do formato APS levou a Canon a deixar de lado a gama, que ainda teve mais alguns modelos (curiosamente a nova gama NEX da Sony bebe ideias aqui em termos de design), mas que agora pode recuperar. Se compararmos dimensões de modelos Micro Quatro Terços com a solução “com espelho” da Canon, verifica-se que, afinal, em termos de dimensão de corpo até uma Panasonic Lumix G2 é maior do que uma Canon EOS IX E.

Como nota de rodapé refira-se que quando se fala em realmente pequeno em termos de aparelhos reflex é necessário pensar na Pentax System 10, lançada entre 1978 e 1983, tão pequena que a câmara e três objectivas cabiam na palma da mão. Mas a qualidade do filme 110 ditou-lhe o futuro, ficando como uma curiosidade da indústria, se bem que outros fabricantes tenham produzido equipamentos do mesmo, tipo, como a Minolta, que depois ainda criaria a Vectis no sistema APS-C, uma das melhores pequenas reflex do mercado. Sei-o porque tenho uma...
A confirmar-se tudo o que acima escrevi sobre a Canon, quem ri por último pode mesmo rir melhor. A Canon recupera um produto em que investiu há uma quase duas décadas atrás (desde que começou a investigar o formato APS) e dá ao mercado um aparelho compacto, com o mesmo sensor e objectivas do APS-C e mais pequeno. Note-se que ao não ter de criar no interior do aparelho um compartimento para o filme a Canon pode reduzir a espessura do mesmo, o que lhe permite reduzir ainda mais as dimensões do modelo. Se conseguir fazer tudo isso e manter o pentaprisma ou pentaespelho e espelho basculante, terá criado o melhor de dois mundos. E em ligação directa aos produtos que já tem em linha na família EOS. Economia de escala e fixação de clientes.
- Dimensões Olympus E-PL1 115 x 72 x 42, 334g
- Dimensões Samsung NX10 123×87×39.8 (excluindo as zonas que emergem do corpo), 353g
- Dimensões Lumix G2 124 x 84 x 74, 371g
- Dimensões Canon EOS IX E 132 x 80 x 59, 485g
- Dimensões Canon EOS 550D 129 x 98 x 62, 550g
A Canon anuncia a 27 de Julho as suas novidades. É uma boa razão para ficar atento.










































































