Câmaras
Sony A390: a DPReview não aconselha a sua compra
- Publicado em quinta, 29 julho 2010 01:16
Depois das NEX que a DPReview aconselha que ninguém compre, é a vez de uma reflex levar o mesmo carimbo. A nova Sony Alpha A390, mais uma numa colecção que não parece ter qualquer lógica. A tradição Konica Minolta desbaratada. E a Sony de saída do segmento DSLR, provavelmente.
A classificação de 60% atribuída pela DPReview à nova reflex da Sony sugere que é mesmo de fugir da dita. Até a Pentax, que não tem as aspirações de hegemonia da Sony consegue ter uma pontuação de 65% na sua Pentax K2000 de 2009, o que é, por certo, um mau sinal.
E se pensarmos nos modelos com que esta proposta da Konica Minolta, perdão da Sony, vai concorrer, as Canon EOS 550D e similares, então é para esquecer. A pontuação do modelo da Canon é de 77% na DPReview. O que explica a razão que leva o responsável pelo teste deste modelo a escrever, no fim do artigo que “para um utilizador da Sony Alpha (ou Konica Minolta) que fotografa sobretudo à sensibilidade ISO base, com Live View e em modo automático a Sony DSLR-390 merece um olhar, e é definitivamente mais agradável do que o modelo anterior. No entanto, o sistema AF Live View é menos impressionante em 2010 do que quando foi apresentado pela primeira vez e comparada com câmaras como a Panasonic Lumix DMC G2 (que pelo menos iguala e com algumas combinações de objectivas bate mesmo a A390 em termos de velocidade do AF em Live View), a Alpha 390 é um aparelho volumoso, lento e sem requinte. Efectivamente a A390 só pode ser considerada como uma proposta viável se o seu preços baixar abaixo de 500 dólares. No seu preço actual é difícil recomendá-la."
Sabendo eu e os leitores que a DP Review tem dificuldade em desaconselhar um equipamento, este aviso tem uma mensagem mais dura escrita. Num mercado tão concorrencial como é o das reflex, esta nova proposta da Sony é um novo tiro no pé, algo que tenho vindo a vaticinar há muito tempo. Efectivamente, depois da A350 tudo começou a descarrilar no edifício DSLR da marca. Uma ou outra referência mais interessantes não conseguiram evitar o ruir de todas as esperanças de quem vinha do passado ou acreditando no futuro investiu no que a Sony oferecia. Quem procura numa reflex mais do que uma compacta vestida em roupagens "reflex" começa a ter dificuldade em rever-se no que a Sony apresenta.
A sapiência da herança Konica Minolta parece ter-se desfeito em fumo, e a Sony continua a produzir aparelhos reflex às carradas, sem entender a filosofia inerente ao meio. A engenhosidade de algumas soluções acaba por não conseguir salvar da mediocridade o que é mais importante neste segmento: a qualidade da imagem. A leitura global do artigo publicado na DPReview é reveladora dos problemas que vão dominando cada nova proposta da marca. Veja-se a média das classificações das novas reflex Sony e percebe-se que desde a A550, de Dezembro de 2009, com 70%, são os mais baixos de todos os aparelhos deste tipo.
Afinal, esse desnorte da engenharia Sony não está só. Basta pegar nas traduções das páginas portuguesas dedicadas a este segmento onde até a terminologia usada está desajustada, com termos que revelam a falta de conhecimento de quem gere esse lado da exposição do produto e percebe-se que falta a tradição, o saber que a Minolta tinha.
Será que algum dia a Sony vai conseguir recuperar esse lado do negócio? Se calhar não, a acreditar nos mais recentes rumores que sugerem que a marca se prepara para investir a sério na gama NEX e abandonar, num prazo que pode estender-se até dois anos, o segmento das DSLR. A começar pelos modelos de FullFrame, que foram um desastre financeiro para a marca.










































































