Câmaras
Sony apresenta reflex do tamanho da NEX. E agora?
- Publicado em terça, 24 agosto 2010 11:04
A Sony apresentou hoje, confirmando o que já se sabia, as duas reflex SLT A55 e A33, câmaras reflex de formato tradicional e com espelho e formato APS-C com o tamanho, praticamente, das NEX. E do Micro 4/3. Torna-se obrigatório perguntar: para que foi então tanto trabalho?
O lançamento dos dois aparelhos introduz no mercado uma nova categoria de aparelhos reflex: a SLT. Trata-se de uma Single Lens Translucent, indicando que o espelho tradicional foi trocado por um espelho translúcido que não se move da sua posição, o que permite a redução da área do mesmo, que nas reflex tradicionais tem de ser suficientemente grande para o espelho subir e descer em cadência com os disparos.
A Sony optou por fixar o espelho nestes modelos, o que permite desde logo uma coisa: uma cadência de disparo que atinge 10 fotogramas por segundo com o autofoco a poder seguir motivos em movimento com maior facilidade (dado que não há corte da visão) mesmo em modo de filme Full HD.
É evidente que se a associação de tecnologias actuais é uma novidade, o uso de um espelho translúcido não é uma invenção da Sony. A Canon criou-o nas suas reflex analógicas, primeiro em 1965, depois em 1972 e 1984, no que foi seguida pela Nikon. Sob a designação Pellix e mais tarde com a sigla RT a sugerir a visão em Real Time (Tempo Real) a Canon explorou a tecnologia e aplicou-a nos seus aparelhos até pelo menos à EOS1N-RS.
A desvantagem do sistema é que reduz a luz que efectivamente atinge o filme ou, neste caso o sensor. No caso da Sony a luz que fica depois da passagem pelo espelho não chega para que o sistema funcione a preceito em termos de visionamento directo – óptico – da imagem que passa pela objectiva, pelo que a marca decidiu ir buscar, tudo o indica, a tecnologia da Epson anunciada há meses – e que referi algures neste espaço – para criar um visor electrónico que deve ser usado a tempo inteiro para acompanhar o que se enquadrou. A qualidade desse visor parece capaz de trocar as voltas a tudo o que se viu até agora – não o vi, acho que a Sony já não existe em Portugal, nunca recebi resposta de um contacto que fiz – mas mesmo assim posso quase jurar que não terá a qualidade de um visor óptico directo, pelo que fica no ar esta minha reticência.
Com respectivamente 16.2 milhões de pixéis na SLT A55 e 14.2 milhões de pixéis na SLT A33, estes primeiros modelos da nova família SLT, baseada no uso de Translucent Mirror Technology (Tecnologia de Espelho Translúcido) tem do seu lado uma vantagem evidente que coloca mesmo em cheque o que a Sony fez com as NEX: são muito melhores, porque oferecem um visor integrado que funciona (e com cobertura de 100 por cento) e continuam a ter um aspecto semelhante às reflex, com a bossa no topo, apesar de terem uma dimensão praticamente igual. Efectivamente, a nova gama da Sony é sensivelmente do mesmo tamanho da Lumix G2, o que coloca um novo problema ao Micro Quatro Terços: além da Samsung agora têm pela frente a Sony com aparelhos usando um sensor APS-C mas que são praticamente do mesmo tamanho. Como se explicarão as vantagens de um sensor pequeno ante esta avalanche de novidades com sensores maiores?
A Sony iniciou uma pequena revolução, mesmo se com toda a tecnologia que temos actualmente não parece ter conseguido passar a barreira da velocidade dos antigos sistemas analógicos do mesmo tipo: a cadência máxima de disparo é de 10 fotogramas por segundo na A55. E de 7 fps na A33. E com limitações, como se descobre ao ler a análise já disponível na DPReview. Numa evidente sugestão de que é mais o marketing a funcionar do que a realidade.
É na area do autofoco que o sistema vem trazer vantagens. E no vídeo isso assegura que realmente, pelo menos em teoria, se consegue seguir um motivo em movimento, algo que até agora tem sido mais promessa do que realidade nas reflex digitais. E ante esta notícia do lançamento da Sony, a capacidade de focar continuamente em vídeo da Nikon D3100 fica, como se calcula, como uma nota menor, pelo menos até que se comparem resultados. O sistema mais clássico da Nikon não pode oferecer os resultados do sistema da Sony agora anunciado.
Disponíveis a partir de Setembro, os modelos da Sony vem baralhar ainda mais um mercado dividido em subsegmentos. Mas pelo menos agora a Sony parece ter feito alguma coisa de jeito e retomado um percurso que recorda a fase de lanmçamento da Alpha 350, em que parecia ter tudo definido. Este duo da marca assinala novos rumos. E no caso da A55 até os sinaliza, porque o aparelho em GPS incorporado.
Compatíveis com a gama de objectivas da marca (Sony/Minolta) a SLT A55 e a SLT A33 são aquilo que a Sony devia ter feito antes de sequer pensar nas NRX. Agora esta saber o que vai fazer com elas. Afinal, comparem-se tamanhos e especificações...
Antes estas novidades até a Canon EOS 60D empalidece. O que terá a Canon criado? Do lado da Olympus e Panasonic esperam-se, entretanto, coisas também nunca vistas. Os rumores de uma Olympus E-5 cheia de coisas novas está a correr.
Resumindo, mesmo se deixarmos de fora a elevada cadência de disparo, que não preocupará muitos – afinal quem necessita de 10 fps? – e outros excessos do marketing, a dupla da Sony parece ter-se reservado um espaço à parte no cabaz de compras do Natal que se aproxima. Até a DPReview, que desaconselhou a compra das NEX, deu agora uma GoldStar à A55 que teve oportunidade de testar. Resta saber o que os outros fabricantes terão debaixo do braço agora que estamos tão perto da Photokina. E fica no ar a pergunta final: para que servem as NEX agora?










































































