Câmaras
Canon EOS 60D e cartões de 2TB... que não existem
- Publicado em segunda, 30 agosto 2010 14:08
Uma das notas apresentadas para justificar o uso de cartões SD na nova Canon EOS 60D é a possibilidade de usar cartões com capacidades de 2TB. No marketing da marca alguém esqueceu que quando houver cartões assim, se alguma vez os houver, dado que os dados são teóricos, a EOS 60D será pré-história.
A associação da Canon EOS 60D com os cartões SDXC que tem um plano de desenvolvimento que os levará a atingirem 2TB de capacidade é um dos argumentos de marketing da marca, criando no público que lê superficialmente as notícias a ideia de que vão ter um cartão que mais parece o coelhinho da Duracell: nunca mais acaba. Ora a verdade é bem diferente.
Propositadamente deixo-vos o original inglês do press-release da Canon. Que diz:
“The EOS 60D is one of the latest Canon models to support high-capacity SDXC memory cards, providing up to 2TB of available space, allowing photographers to keep shooting HD video and full resolution RAW and JPEG stills without changing cards.”
E para quem não se sente à vontade transcrevo o press-release em português distribuído pela Canon Portugal:
"A EOS 60D é um dos modelos Canon mais recentes a suportar cartões de memória SDXC, proporcionando espaço de armazenamento de 2TB e permitindo aos fotógrafos continuar a gravar vídeo HD e ficheiros RAW e JPEG sem mudar de cartão."
Note-se, agora que temos ambas as versões, que, apesar de ligeiras diferenças, nenhuma refere que os cartões de 2TB não existem. Não caberá à marca dizer isso, mas a sugestão que se pode gravar por muito tempo sem trocar cartão é enganadora, porque efectivamente o patamar actual dos cartões SDXC (que significa Secure Digital Extended Capacity) é de 64GB com os primeiros cartões de 128GB a surgirem no mercado, provavelmente, durante 2011. O que quer dizer que estamos muito, mas mesmo muito longe de 2TB. E se pensarmos que um cartão de 32GB, o mais corrente, custa cerca de 250 euros, estamos ainda mais longe, ao pensar no custo.
Mas a ideia de ter um cartão assim é tentadora: qualquer coisa como uma centena de filmes em HD ou 136 mil fotos em JPEG da melhor qualidade cabem num cartão de 2TB. Tem razão o marketing da Canon em dizer que se pode filmar e filmar e filmar sem tirar o cartão. Imagine-se, agora, a perder um cartão com tanta informação... quando ele existir.
Efectivamente, os 2TB apontados pela aliança que desenvolve a tecnologia SD são teóricos e ninguém sabe ainda como é que vão ser implementados (e se o serão...), pelo que em termos reais ninguém pode saber quando é que os poderemos usar. Os analistas sugerem que dentro de cinco anos, talvez...
Ora equacionando este prazo com a realidade dos lançamentos da Canon, quando houver um cartão de 2TB a EOS 60D já terá sido substituída por uns três modelos melhores, que provavelmente farão ficheiros fotográficos ainda maiores, talvez na casa dos 100 milhões de pixéis cada um. Então, o cartão de 2TB só levará uma quantidade de fotos muito semelhante à que levam os actuais cartões, pelo que nada terá mudado... e será na mesma necessário trocar de cartão.
Esta verdade, que tem sido sempre assim à medida que o mercado evolui – cartões crescem mas os sensores também – parece ter escapado ao marketing da Canon (ou então fizeram de propósito) mas o que é mais terrível é que continua a ser salientado por todas as notícias como uma das vantagens da nova câmara. O que não é evidentemente verdade. A razão para a Canon ter mudado dos CF para os SD chama-se... espaço. Dado que o aparelho tem menos espaço útil do que a EOS 50D, foi necessário cortar na área de armazenagem de dados, e o SD era o que fazia mais lógica. E como afinal a EOS 60D, mais do que uma renovação da gama das dezenas da Canon parece ser uma Super Rebel (ou 560D....) é natural que use cartões SD. A verdade é essa.










































































