Equipamentos
Canon EF-S 60mm: Macro e todo-o-terreno
- Publicado em Domingo, 12 Junho 2011 11:16
Até recentemente a "velha" 50mm f/1.8 da Canon tem sido a minha objectiva obrigatória. Agora troquei-a pela Canon EF-S 60mm f/2.8 Macro USM, uma objectiva luminosa e ao mesmo tempo especial. Faz o mesmo e ainda mais. Carrego menos no saco e tenho mais opções. Vantagens de usar APS-C.
A objectiva de 50mm f/1.8 da Canon, que custa uma centena de euros, é uma óptica que sempre aconselho as pessoas a comprarem. Não por ser uma 50mm normal, mas porque é o passo mais certo para ter luminosidade q.b. numa objectiva que continua a funcionar mesmo quando todas as outras ficaram no saco, por causa da luz.
Alguns aconselharão as versões mais luminosas e caras – pois – mas eu contento-me com a 50mm f/1.8. Para quem usa uma reflex digital com fullframe – poucos, calculo – é uma 50mm f/1.8, melhor do que qualquer zoom. Para quem usa o formato APS-C, no caso da Canon com um “crop” de 1.6x, é uma objectiva de retrato, fabulosos 85mm f/1.8, que custaria muito mais se comprasse a original. É, pois, uma escolha a pensar seriamente.
Alguns, que gostam de implicar, parece, dirão que esta história dos “crops” e de relacionar assim objectivas é errada, não respeita o molde científico e outras tretas. Ele há por aí gente que gosta mais de rabiscar fórmulas no ar do que fazer fotografia, e se o leitor pretende ir por esses caminhos, deixe de ler este texto e siga esses... doutores.
Na prática, uma 50mm é uma 85mm, em termos gerais, quando colada na frente de um sensor APS-C. As diferenças que possam existir não são visíveis em uso comum e, para mais, para a maior parte das pessoas nada disso faz sentido porque vivem com o APS-C e não com o formato de 35mm de outrora. E eu que vivi 3 décadas com o outro não lhe sinto a falta e gosto do APS-C, que me enche as medidas e chega para o que faço. Ponto final, vamos lá ao que interessa.
Eis-me portanto um defensor da 50mm f/1.8. Que cumpriu a sua missão mas agora parece estar reservada a um papel mais passivo, porque a troquei. É verdade. Troquei-a e não estou arrependido. Antes que me tomem por um vira-casaca, devo dizer que esta opção foi pensada e surgiu fruto da necessidade.
O meu conjunto habitual para fotografia depende de quatro objectivas: 17-40mm, 100-400mm, 100mm macro e a 50mm. É isso que carrego comigo praticamente para todo o lado. Tudo excepto a 100mm macro, que só levo, por regra, quando necessito das suas capacidades.
A minha 100mm macro é uma excelente mas antiga óptica. É a primeira objectiva macro do sistema EF da Canon, sem motor USM sem IS, sem nada. Barulhenta como o raio e lenta, os insectos fogem quando o “brrrrrr” do movimento dos elementos ópticos assinala a tentativa de focagem. Por vezes é um desespero para focar, lá e cá, cá e lá, e nem mesmo o limitador de velocidade, que cria duas zonas de cobertura de foco, parece ajudar muito.
A minha 100mm tem 21 anos e ao atingir a maioridade, desistiu de focar. Foca, mas tem uns barulhos estranhos e bloqueia. De repente deixei de ter a minha macro. Funciona em manual mas não é a mesma coisa e necessita de ser reparada. Ora é essa a minha dúvida: vale a pena investir numa óptica com 21 anos, de uma geração mais do que ultrapassada em termos tecnológicos (opticamente é excelente, digo-vos), quando existem coisas melhores por aí? Mais rápidas a focar, com estabilizador, silenciosas, etc.
É uma questão que ainda estou a ponderar. Mas entretanto necessitava de uma alternativa e olhando para o que existe tinha duas, na esfera dos 100mm macro: a nova proposta da Canon, com USM e IS mas demasiado cara para mim neste momento do campeonato, ou a versão mais antiga, que está disponível por cerca de 500 euros.
Confesso que hesitei por algum tempo. A ideia de continuar a ter uma 100mm Macro, que no formato APS-C se transforma numa 160mm f/2.8, dando uma razoável distância até ao motivo, é sedutora. E para mim significaria continuar com o mesmo equipamento, mas melhorado, dado que a 100mm macro que primeiro substituiu a minha já tem USM.
Escrevo significaria porque numa manobra radical decidi optar pela 60mm Macro do sistema EF-S, quero dizer só compatível com corpos do formato APS-C. É uma ideia que parece assustar alguns, por acharem que no dia que mudarem para um sensor de maior dimensão – o mítico 35mm que muitos parecem ainda olhar como Graal destas coisas – vão ter de deitar fora este investimento, mas isso é algo que a mim não me preocupa absolutamente nada. Não penso mudar do APS-C para outro formato, a não ser que os fabricantes deixem de suportar o APS-C. O que não parece estar para suceder.
Por que razão apostei na Canon EF-S 60mm f/2.8 Macro USM? Pelo preço. É a mais acessível porta de entrada no mundo Macro real (1:1, directo na objectiva) e eu vivo bem com a necessidade de me aproximar um pouco mais dos animais a fotografar (a foto da aranha é um exemplo disso mesmo). A 60mm necessita de estar a 9cm do motivo contra os 15cm da 100mm, para oferecer macro a 1:1. Alguns referem que existe uma diferença na capacidade de desfocar fundos face a objectivas Macro de maior distância focal, mas mesmo isso não me preocupa. Já comprovei no terreno, ao longo do último mês, que a 60mm Macro serve perfeitamente para o que pretendo. E se eu gosto de desfocar fundos em relação ao primeiro plano.
Esta escolha, ponderada, permitiu-me reduzir substancialmente o peso no meu saco de fotografia. Agora deixei de ter de carregar a 100mm Macro antiga, que pesa um bom bocado, 600 e tantas gramas, por uma objectiva de 335 gramas. E que, claro, é bem mais pequena do que a 100mm Macro.
Dotada de USM com opção de ajuste manual de foco todo o tempo, a focagem feita internamente, pelo que a objectiva não cresce, e com o elemento frontal que não roda, a 60mm Macro presta-se a um uso com acessórios como filtros. É intuitiva, leve e equlibra-se optimamente na minha EOS 50D, tornando fácil o uso na mão, até com uma só mão. Na foto da aranha aqui publicada, tenho a câmara apoiada sobre o meu ombro esquerdo enquanto o flash, 580 EX II está na mão esquerda, colocada do lado direito, ligado por um cabo de extensão. É um truque que quem usa o olho esqeurdo para focar tem facilidade em aplicar. Eu e Joe McNally.
Em termos ópticos a 60mm Macro não é diferente da minha 100mm antiga ou das outras Macro da Canon. Em comparação com a 100mm Macro USM o nível de nitidez é idêntico, o que sugere que a Canon apostou mesmo nesta única Macro do sistema APS-C. Para o utilizador é reconfortante saber que tem direito ao mesmo nível de qualdiade num pacote mais pequeno e... mais barato. Efectivamente, a 60mm Macro pode ser adquirida por um preço na esfera dos 400 euros, até menos, se aproveitar alguma campanha.
Essa foi uma das boas razões para a minha opção. Ao decidir que a 60mm seria a minha nova Macro pensei de imediato que a poderia usar como até agora tenho usado a 50mm, Eu sei que estamos a falar de coisas diferentes, mas a diferença em termos de diafragma é negligenciável, pelo menos para mim – e nas situações que experimentei até agora – e em termos de diferença focal, 50 ou 60mm tanto faz. Efectivamente o meu flash 580 EX II até refere a 60mm como uma... 50mm, Portanto, estou em casa.
A 60mm é ainda referida como tão boa como uma EF 50mm f/1.4, o que cala de vez aqueles que possam dizer que uma óptica APS-C é uma coisa inferior. Esses são os que por norma dizem que uma 50mm f/1.4 é a escolha a fazer por quem quer uma objectiva luminosa. Eu, que sou um simplista, acho que a f/1.8 funciona. E como recente teste da DxO demonstrou, a 50mm f/1.8 é rival até de objectivas muito mais caras.
Dito tudo isto, eu troquei a minha 50mm f/1.8 pela 60mm EF-S f/2.8 Macro, e estou contente. As fotos que acompanham este texto ilustram a variedade de situações em que a 60mm foi usada, algumas em vez da 50mm, como em retrato ou reportagem, noutras fazendo coisas que eu não conseguiria fazer com a 50mm.
Esta dupla funcionalidade da objectiva permitiu-me reduzir o número de objectivas que carrego para três, e agora constantemente. Enquanto até agora a 100mm Macro só seguia viagem quando eu calculava que ia necessitar delas, a 60mm Macro está todo o tempo presente, com a 100-400mm e a 17-40mm tratado de cumprir as restantes funções.
Se usa APS-C, pense no que acabou de ler. Talvez a EF-S 60mm f/2.8 Macro da Canon seja a sua objectiva todo o terreno. E Macro. Afinal, se gosta de macro, gostava de ter uma objectiva mais luminosa do que o zoom que provavellmente veio com a máquina e também acha a ideia de ter uma objectiva 50mm f/1.8 interessante, pela luminosida e preço, esta pode a escolha lógica, em termos de investimento. eu sei que é mais cara do que uma 50mm, mas é uma opção que abre novos horizontes e em uso não é tão diferente da 50mm. Além de que possui um motor USM. E antes que me esqueça. Com o "crop" do sensor a 60mm é efectivamente uma 96mm f/2.8 Macro. O que de alguma forma me devolve ao que eu tinha nos tempos do filme de 35mm: uma 100mm macro. Estou de novo em casa. Ou sempre estive.









































































