Equipamentos
Botas Gamo e o Freeport
- Publicado em Domingo, 16 Outubro 2011 15:34
A altura de adquirir calçado novo para saídas fotográficas é sempre um momento de alguma dificuldade para mim. Na escolha do melhor par face ao que existe no mercado e na necessidade de entrar em muitas das lojas deste País. Maldita música ambiente...
As minhas velhas botas cardadas... perdão Rockport, abriram-se na frente, fruto de tantas vezes me ajoelhar para fotografar coisas ao nível do chão. Foram para o sapateiro, coser e colar à boa maneira antiga, mas já sei que estão no caminho de saída no que toca muitas das aventuras fotográficas.
Apesar de ter ainda um par de reserva - comprei três iguais da última vez que o fiz - e foi há uns bons anos, nuns saldos do Freeport, decidi meter pés ao caminho e procurar umas botas novas para a estação de Inverno. Ou melhor, para andar sempre, porque raramente deixo de usar as Rockport - os dois pares em uso - até no Verão. O conforto que me dão é bem-vindo e o calor não é problema com elas.
As minhas Rockport aguentaram tudo: chuva, lama, pó, maus tratos (não sou de facto muito cuidadoso com a sua limpeza) e nunca se queixaram. Da travessia de regatos baixos até andar na beira-mar, desde que não as cubra com água, nunca tive problemas. E algum banho integral forçado, por descuido ou escorregadela, nunca teve resultados drásticos. Seco todo o tempo. O Inverno passado foram, como escrevi num artigo aqui, capazes de resistir a uma chuvada intensa, na Tapada Nacional de Mafra, que me deixou quase num pinto. Nem o meu casacão North Face, que anda a necessitar de mudança, resistiu...
A colecção Rockport deste ano não me agradou sobremaneira e os restos da colecção do ano passado também não, pelo que tive de pensar em alternativas. Não é fácil. Por anos, quando surgiu em Portugal, usei calçado da Ecco, que conhecia bem do período em que vivi na Dinamarca, mas depois os modelos interessantes deixaram de surgir em Portugal e tive de procurar alternativas. A Rockport cedo se tornou numa opção segura, depois de algumas experiências com calçado Timberland que se revelou pouco resistente nas minhas caminhadas.
Agora, necessitando de procurar uma alternativa, fixei-me numas Shadow da marca espanhola Gamo, mais conhecida internacionalmente pelo seu equipamento de tiro desportivo - começou por fazer chumbos - mas com uma gama de vestuário e calçado para ar livre que me agradou e merece ser investigada. Estas botas resistentes a água (neve, chuva, etc.), são feitas em couro Nubuck com membrana Geotherm System que garante a evaporação da humidade e respiração do pé sem deixar entrar água. Exigem um tratamento cuidadoso, à base de limpeza com água e secagem natural, mas prometem ser uma boa experiência, que começou logo no momento de as calçar. Extrema suavidade e conforto, como as Rockport, indiciando que vamos ser bons companheiros por muito tempo. Isto, claro, se resistirem aos maus-tratos que acabo por dar ao calçado nas saídas fotográficas. É isso que vou testar na fase seguinte.
Comprar estas botas foi, e esta é a segunda parte deste artigo, um teste à paciência. Entrar nas lojas do Freeport - e em boa verdade em quase todas as lojas deste país - é um suplício para mim. E julgo que para mais pessoas, mas poucos se queixam. A música ambiente da generalidade das lojas parece ter sido feito para nos martelar o cérebro, não nos dando sequer o espaço mental para pensarmos ajuizadamente no que estamos a fazer/comprar. Eu não sei quem escolhe a música para a generalidade destes espaços, mas aquele "tamtam" repetitivo que nos servem não é para mim um convite para ficar muito tempo. Queixo-me em muitos locais; nos Media Markt que visito ou peço para baixarem o som ou baixo ou desligo-o eu... ou simplesmente saio a bramar com todos e não compro nada.
A música, como sabemos, pode ser usada para criar estados mentais. Ora eu acho que quem escolhe esta quer manter os funcionários - ou então já são eles que estão com o cérebro lavado e aceitam de bom grado o "tamtam" - num estado meio catatónico, o que aliás explicará os olhares vazios de alguns funcionários em alguns locais. Está por estudar o efeito que tem a imersão naquele tipo de som um dia inteiro de trabalho. Aquilo é maléfico, não deixa espaço para as pessoas fazerem o cérebro funcionar. Recorda-me coisas como a tortura da água da Pide-DGS, só que agora ninguém se queixa.... E agora que nos querem fazer trabalhar mais meia-hora por dia o tempo de imersão vai aumentar.
No Freeport, de várias lojas que visitei, saí apressadamente incapaz de conviver com aquela batida que me deixa irritado. Se as pessoas fizessem isso, talvez de facto a música mudasse, mas as pessoas parecem estar já "vacinadas", movendo-se como autómatos. Seria interessante saber se existem licenças para passar aquela mistela musical todo o dia, mas isso a mim não me diz respeito. Como cliente, contudo, sinto que tenho o direito de exigir que acabem com a sanfona quando pretendo fazer uma compra. Se mais pessoas exigissem, talvez isto mudasse. Assim, o "tamtam", que no Freeport vai da música ambiente no exterior à do interior das lojas, numa cacofonia de mau-gosto... e de facto não estamos a falar de música ambiente, porque ali ela não é um fundo do ambiente mas a batucada em destaque, só me afasta. E sempre afastará.
Então como comprei as minhas botas? Porque no meio de todo aquele lixo musical encontrei um oásis, na loja da Columbia, onde a única música ambiente era a voz das funcionárias em vivo diálogo com os clientes. Tive tempo e espaço mental para experimentar, ver, rever, perguntar e decidir-me, sem me sentir pressionado por qualquer tipo de "droga musical" vomitada de altifalantes. Comentámos - eu e a minha mulher - isso com as funcionárias, antes de sairmos do oásis, atravessando rapidamente todo o Freeport para fugirmos daquela espécie de Big Brother musical (não o do concurso de TV mas o outro que poucos parecem conhecer...) que parece pairar no ar por sobre todo o Freeport, uma lavagem cerebral que se insinua na mente das pessoas todos os dias. Felizmente que no parque de estacionamento já se ouviam os passarinhos.









































































