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Como comprar um cartão de memória para férias

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Cartões de memória que só podem ser gravados uma vez para uso policial, cartões que dispensam leitores... de cartões, e capacidades em crescendo são notas numa viagem ao mundo dos cartões. Confusa, como descobrirá. Entre díspares promessas de velocidade e preços variados sem explicação é uma selva.

O Compact Flash foi o mais popualr dos cartões de memória em determinada altura. Hoje, calculo que divide a fama com os SD, os únicos verdadeiros sobreviventes da guerra de formatos, se esquecermos a Sony que continua a disponibilizar a sua pastilha elástica Memory Stick sem conseguir que outros a usem.

 

Mesmo a polícia japonesa porefere SD. De facto, segundo as últimas notícias, a polícia japonesa prefere SD WORM, um tipo de cartão lançado pela SanDisk que tem como destinatários todos aqueles que necessitam de garantir que os dados no cartão são a foto real tal e qual foi registada. O cartão SD de 1GB é um WORM. Não, não é verme ou minhoca, se foi isso que pensou, é um Write Once Read Many, singificando que o cartão não permite mais do que uma operação de gravação (bem permite mais mas com equipamento muito especial).

Alguém se recorda dos primeiros tempos dos cartões, quando os fabricantes acreditaram que essa seria a forma de arquivo de fotos do futuro, e até surgiram no mercado álbuns  para guardar os ditos cartões, como se fossem uma colecção de selos? Não? Pois estes cartões não sendo o mesmo servem para isso: para guardar imagens (ou som), supostamente ao longo de um século inteiro sem degradação, para que possam servir como provas em investigações policiais e outras actividades do foro da justiça. Claro que as aplicações não se esgotam na polícia japonesa, pelo que se espera que estes cartões à prova de alterações vão por certo encotnrar clientela. Que não é, suponho, o fotógrafo tradicional. Que faríamos nós com cartões de 1GB que não podiam ser transferidos, apagados e usados de novo?

Já a ideia de poder transferir as fotos do cartão sem ter de estar ligado a um computador, mesmo que seja através de um leitor de cartões parece ser interessante para muitos. Tanto,m de facto, que a Toshiba acaba de anunciar a criação de um fórum de promoção de um padrão para cartões de memória com rede sem fios embebida. A Toshiba pretende que a indústria defina um padrão para cartões SD (pois, sempre os SD) e tem já na mão um cartão de 8GB que permite transferir ficheiros JPEG e RAW usando uma a norma 802.11 b/g.

A criação de um padrão é uma medida normal nestas coisas quando surge mais do que um concorrente. Ora até ao momento só a Eye-Fi apresentava produtos deste tipo, não existindo qualquer alternativa. Agora, com a chegada da Toshiba - e é natural que a procissão arranque com mais participantes – o cenário vai mudar. E os preços vão, obviamente, baixar.

O que sobe é a capacidade dos cartões. Os Sandisk SD já atingiram 64GB na versão Ultra SDXC, como a Fotodigital já noticiou, e vão atingir, no futuro, os 2TB. Por ora, mesmo os 64GB são desaconselhados como aquisição para quem sofre de problemas de fundo de maneio. Custam os olhos da cara. E não faz qualquer sentido comprar um cartão assim para a maioria das câmaras compactas e mesmo algumas das reflex... que usem o formato.

Que o usem, sim, porque nas reflex, pelo menos as de topo, continua-se a usar o Compact Flash (o que pessoalmente agradeço proque me faz impressão a dimensão diminuta dos SD, mesmo se uso alguns). E do lado da associação que defende o padrão também há novidades, com o anúncio da especificação CF 5.0, que permitirá ter cartões de 144PB (petabytes). Qualquer coisa como 150,994,944GB. Actualmente o limite teórico dos cartões CF é de 137GB...

A pergunta que se impõe aqui é: e é realmente necessário? Se considerarmos que a corrida dos pixéis estão mais calma de momento, e que cartões de 16 e 32 GB são o mais corrente entre utilizadores de CF – com alguns subindo a patamares superiores de capacidade, claro – não me parece uma aposta muito boa, excepeto para alguns segmentos, como o vídeo. Em termos de fotografia um cartão de 16GB guarda cerca de 700 fotos em formato RAW num sensor de 15MB, o que me parece ser mais do que suficiente para o utilizador comum. É verdade que deixámos de ter medo de guardar todos os ovos no mesmo cesto – outrora havia a tendência para ter vários cartões pequenos em vez de encher um só com muitas fotos – mas isso não significa que um cartão de 32 GB Sandisk Extreme III não chegue a muitos. E são 185 euros. Claro que para os menos pobres há sempre os Extreme Pro de 64GB por 1000 euros. Mais coisa, menos coisa...

Os preços dos cartões são, aliás, uma dor de cabeça. Há dias parei durante algum tempo no expositor de uma FNAC – mas já fiz o mesmo noutras grandes superfícies – e diverti-me a questionar-me sobre se alguém se entenderia. Além de variadas marcas – bem, “remarcas” – de cartões, existem os mais variados preços, sem que tudo esteja devidamente explicado a quem pretende comprar a não sabe bem o que fazer. É qe não basta saber que um cartão de x gigas leva y fotos com o sensor z. Há que saber que velocidade efectiva esse cartão tem para se saber se a aquisição é válida para a cãmara que se possui. É evidentemente estúpido comprar um Extreme III para uma cãmara comprada no Lidl... Isto é um exagero mas é válido para bem mais combinações  do que lhe dirão. Os cartões mais baratos podem ser lentos para algumas das modernas compactas com capacidade de vídeo, sobretudo HD, mas também não é necessário ir aos mais caros. Mas como é que um cliente menos informado consegue sair com um cartão que resolva os seus problemas, se a tendência nos locais de venda é para lhe despejarem o mais caro que consigam?..

Acredite leitor que não é fácil. Por que razão o cartão de 32GB de uma marca é mais barato do que o de 16 de outra, se ambos dizem... velocidade estonteante? E como se isso não bastasse surgem mesmo incongruências que derivam da flutuação de preços e de stocks antigos mantidos em catálogo a par com novos produtos mais baratos e melhores. Uma absoluta confusão. Por isso mesmo, se chegou até aqui e vai comprar cartões para férias... leia primeiro o manual da sua câmara para saber que cartões são mais indicados. Informe-se. E depois decida. Perguntar na loja pode ser o pior que faz...

 
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