Prática
Como fotografar aves... embalsamadas
- Detalhes
- Publicado em 11-04-2011
A foto de uma rapina no meu desktop espanta alguns e deixa outros na dúvida: é real? Não, é embalsamada. Um exemplo de como a luz de um único flash e um reflector podem ajudar a criar imagens dramáticas que cumprem o que delas se espera: chamar a atenção.
De facto o falcão que parece suspenso num ramo é uma ave embalsamada, uma de uma série que realizei e pretendo continuar a organizar na Tapada Nacional de Mafra. Mas o desafio é dar-lhes, de algum modo, um aspecto tão próximo do que seria obtido num ambiente natural.
Passei, recentemente,algumas horas no Museu da Tojeira, na Tapada Nacional de Mafra, a fotografar. É um espaço único que permite uma abordagem diferente do mundo animal. Ali é pos´sivel fotografar lobos, corujas, rapinas e mais animais sem problemas de ter de montar esquemas para os ver passar. Estão embalsamados.
É evidente que não é a mesma coisa e estas fotos não substituem as outras, mas como material documental do museu são improtantes. Isso não significa, contudo, que se faça uma foto documento sem procurar alguma construção, neste caso dramática, do ambiente.
Foi isso que procurei obter nesta foto, que como todas as outras que realizei e virei a realizar, tem uma regra: os animais embalsamados não podem ser retirados dos locais de exposição. O que significa que se tem de encontrar um ângulo que permita realizar a imagem separando o elemento chave do resto.
No caso de alguns animais que estão integrados numa reprodução dos seus habitats, é relativamente fácil realizar a fotografia, mas no caso deste açor, que é apresentado contra um fundo verde, tive de procurar uma solução que me desse o verde com uma tonalidade tão próxima quanto possível de um verde da Natureza. Entretanto, no decorrer da sessão, acabei por sentir que o contraste oferecido era excelente, e que apesar do verde algo dissonante, o resultado era visualmente dramático e apelativo. Como se tem provado desde que a imagem foi mostrada...
Para atingir o resultado pretendido necessitei de usar flash. A imagem com luz ambiente era um documento mas não me permitia criar a carga emocional que eu sabia poder obter com mais contorlo a luz. A primeira imagem com o flash mostrou o problema da pouca separação entre a ave e o fundo. Com o lash do lado esquerdo, num tripé, a parede surgia na sua cor original, demasiado clara, revelando as marcas na pintura. Com o flash apontado ao meu motivo principal a parede recebia sempre iluminação, retirando todo o impacto à situação.
Por norma trabalho com a câmara num tripé, posicionando um ou mais flashes em tripés para iluminar o motivo. Neste caso defini o enquadramento que pretendia e optei por segurar o flash na mão para melhor controlar a sua direcção numa série de fotos. Uso disparadores radio a Phottix Atlas para a comunicação entre o flash e a câmara e um controlo radio da Hama para poder disparar a câmara. Isso permite-me toda a liberdade quando mais necessito dela.
Para fotografar a ave de modo a criar uma separação em relação ao fundo optei por usar outro acessório que não dispenso: um reflector da ExpoImaging, o Rogue FlashBender, o maior do conjunto, que neste caso foi colocado de lado no flash, funcionando em dupla função, como reflector e “flag”, impedindo que a luz atingiesse a parece ao mesmo tempo que a direccionava para a ave. Bastou moldar ligeiramente o reflector para obter uma espécie de meio tubo de luz que criou o efeito separador.
Em termos de luz usei o flash em manual – é o que faço na generalidade dos casos e trabalhando com um sistema como o Phottix Atlas - partindo de um valor base de exposição para atingir a que me oferecia os resultados que procurava. A prova está no pudim, como dizem os britânicos, e a foto aqui apresentada é um bom documento que excede a sua função e nos transporta para um eventual momento na vida da ave... antes de chegar ao museu.
É para resolver este e outros mistérios do uso de flash que ando a elaborar um workshop ao jeito dos que ofereço, para resolver em quatro horas de dsparos os problemas básicos do uso de flash. com o flash integrado na maioria das câmaras e também com soluções externas como esta aqui apresentada.











































































