Prática
Safari em África: uma 300mm chega?
- Publicado em Terça, 30 Agosto 2011 11:28
É possível voltar de um safari em África com boas imagens de paisagem e animais selvagens usando somente objectivas até 300mm? Eu acho que sim. E os utilizadores de câmaras com sensores APS-C são os mais favorecidos quando se trata de trazer perto o que está longe. Como a seguir se demonstra.
Quando se pensa num safari, em África ou noutro local, pensa-se em grandes objectivas, que exigem quase que se leve um carrinho-de-mão atrás. Ou pior. Mas de facto trata-se de um exagero. Se para aves, sobretudo as mais pequenas, é necessário, por vezes, ter uma focal mais longa, na verdade para um safari, em que por norma, sobretudo se pensarmos em África, o que as pessoas procuram são “os big five”, a mão-cheia de animais de grande porte que todos parecem querer ver e fotografar.
Curiosamente, esta mania turística de querer meter na colecção o leão, o búfalo, o leopardo, o elefante-africano e o rinoceronte é uma herança dos caçadores, que tinham neste quinteto os animais mais difíceis de caçar (e não fotografar) a pé. Ora como já poucos fazem viagens turísticas a pé em África, nas reservas de vida animal, mas sim de jipe, ou naquelas caravanas enlatadas chamadas carrinhas que pouco deixam fotografar, torna-se mais fácil ver os cinco, pelo menos teoricamente.
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Confesso que apesar de não me importar de fotografar também os animais, os cinco, não nutro a mesma paixão, e os meus interesses em África foram outros, mais as paisagens, cuja dimensão se traduziu num imenso e inesquecível murro no estômago, e detalhes outros que não pareciam interessar tanto aos meus companheiros de viagem. Isso sugere que é bom, se possível escolher de antemão com quem se viaja para uma experiência deste tipo. E que é bom no local organizar tudo para ter um safari que seja de facto a resposta ao que se pretende. Definindo com os eventuais guias o que se pretende fazer e em que condições.
É evidente que tratando-se de um espaço de natureza selvagem não se pode esperar ter tudo como num programa de uma ida ao jardim zoológico. Há que saber esperar, usar a melhor luz, etc. Ou então viver o melhor que se pode com o que há, o que em viagens regulares é provavelmente o que acontecerá a muitos.
Dito isto, vamos aos aspectos técnicos: que equipamento levar em termos de longas focais. A minha experiência de fotografar a partir de jipes em África diz-me que um zoom é uma exigência incontornável para o fotógrafo normal, que não vai em trabalho, não tem forma de carregar atrás de si muita coisa e quer estar apto a cobrir um amplo leque de situações. Vi com os meus olhos como alguns companheiros de viagem se sentiram mal quando ao espreitarem pela 500mm que optaram por carregar como escolha ideal descobriram que dos leões ou chitas só conseguiam fotografar o focinho, de tão perto estarem. Efectivamente, embora em algumas alturas uma 500mm fosse excelente, na generaldiade das situações ao longo de vários dias o zoom revelou-se como a mais versátil opção, um compromisso ideal, diria eu.
Não é por acaso que George Lepp, um fotógrafo americano que conheço e que comigo escreve no website de fotografia Pixiq, publicou há algum tempo um artigo em que defende que a melhor objectiva para um fotógrafo de natureza que usa Canon é a 100-400mm da marca. Ao reunir imagens para um novo livro ele notou que a maioria das fotografias escolhidas tinham sido registadas com aquela óptica.
Dado que George Lepp usa por norma câmaras com sensor integral, como a EOS 5D, qualquer fotógrafo usando APS-C só necessita de ter uma 300mm para obter uma focal idêntica à do fotógrafo americano. De facto, devido ao factor de ampliação ou corte, se quisermos, de 1.6x, uma 300mm transforma-se, em termos práticos, numa 480mm. O que significa que uma 70-300mm é, de facto, uma 112-480mm, valor muito idêntico ao da 100-400mm de que George Lepp fala.
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Por norma eu próprio uso uma 100-400mm da Canon, associada a câmaras com sensores APS-C, que julgo serem suficientes para o que pretendo. O que quer dizer que estou efectivamente a usar focais comparáveis a 160-640mm se usasse aparelhos com sensor idêntico ao 35mm. É evidente que essa minha opção tem um custo extra em euros e peso. Para quem não acha necessário ter tal investimento e peso no saco, uma 70-300mm é a escolha ideal. Sempre. É a mais lógica, existindo na Canon boas soluções, a preços varidos, desde a gama grande público até a uma solução da série L de que já aqui falei.
Dito isto, usar uma 70-300mm para fotografar vida selvagem em África obriga a ter as restantes condições reunidas: um guia que sabe onde os animais estão e que chega suficientemente perto para que se possa fotografar como as imagens que ilustram este artigo mostram. De facto, apesar de ter usado a minha 100-400m esporadicamente, todo o artigo foi fotografado com uma objectiva Canon EF 28-300mm f/3.5-5.6 L IS USM e uma Canon EF-S 17-85mm f/4-5.6 IS USM e contrariamente ao que alguns podem julgar, nem para todas as fotos se usou a focal mais longa da objectiva maior. O que se explica pelo facto de tantas vezes estar tão perto dos animais – as chitas encostavam-se ao jipe, os leões estavam mesmo ali ao lado, e foi assim com tantos outros animais – que só mesmo a 17-85mm dava conta do recado.
Serve isto para explicar a quem pretenda ir a África em safari que não necessita de carregar muito atrás, tem é de organizar a visita numa perspectiva fotográfica. Mais do que qualquer lição escrita, as fotografias, que são simples apontamentos de viagem, mostram o que é possível fazer. Junto a isso o link para um diaporama, Out of Africa publicado na Pixiq que mostra outras imagens realizadas em África. Espero com este artigo demonstrar que não é o que se carrega que é importante. O que importa é ter oportunidade de o usar convenientemente. Sem isso nem uma 1000mm serviria para muito.











































































