Prática
Flash? 1/500 a f/8
- Publicado em Segunda, 06 Abril 2009 10:09
Qual a melhor forma de fotografar um grupo num casamento, no exterior? Há anos atrás a resposta, automática, seria 1/500 f/8. Com flash. Difícil então, com uma reflex de 35mm, com 1/60 de valor máximo de sincronismo. Hoje, felizmente, tudo é mais fácil. Há que saber aproveitar.
Quando pelos anos 80 fiz fotografia social – casamentos, baptizados e festas de empresas -, recém-chegado da Grã-Bretanha, aprendi com os fotógrafos que encontrava à porta de igrejas que a regra para uma boa exposição em exteriores, com um grupo banhado pelo sol do meio-dia, olhos encovados e negros por causa das sombras, era uma só: 500 8. O que traduzido para linguagem mais acessível ao leigo significava 1/500 de velocidade a um diafragma de f/8. Com flash.
Ora era esta última parte que me criava um terrível problema. Se a regra era aquela, como é que eu, com uma reflex antiga, manual, Canon FTBn ou Canon AT-1, com velocidade de sincronismo de flash a 1/60, conseguia dar conta do recado? Fazendo as contas, se 1/500 necessitava de f/8, 1/250 corresponderia a f/11, 1/125 atingia o limite de muitas objectivas, f/16, o que significava que me sobrava (ou faltava) todo um passo de exposição, até 1/60. Do que eu necessitava era de fechar o diafragma a f/22, algo que não existia em muitas objectivas antigas e que quando existia causava, noutros e neste caso, vários problemas: extrema profundidade de campo, difracção da luz por causa da abertura tão pequena, nem sempre a melhor e, pior do que tudo isso, uma velocidade que introduzia problemas de movimento, quer da máquina durante a exposição quer do ligeiro movimento de alguém no grupo no momento do disparo.
Armados de aparelhos de médio formato, com um obturador de lâminas na objectiva – muitos fotógrafos na altura usavam Bronica, um equipamento que depois acabei por usar também quando necessitava de diapositivos e negativos de maior formato do que o 35mm – os meus colegas diziam-me sempre 1/500 f/8, esquecidos de que as reflex da altura dificilmente sincronizavam o flash acima dos 1/60. Só mesmo alguns modelos profissionais ousavam ir além dessa barreira. O obturador de pano (metálico em alguns modelos de topo) no plano focal não se dava com elevadas velocidades de sincronismo com o flash, pelo que eu tinha um problema.
De facto, ao conseguirem atingir um valor de exposição de 1/500 F/8 os meus colegas conseguiam ter uma exposição correcta 98 por cento das vezes, sem sequer terem de pensar muito. Aliás, havia quem fizesse todo um rolo àquele valor e contasse com a latitude de exposição da emulsão do negativo para garantir fotos que o cliente adoraria. A profundidade de campo era suficiente para cobrir todo um grupo e deixar fora do campo de foco um fundo distante (algo que eu dificilmente conseguia ao ter de fechar a f/16 ou f/22), e a velocidade associada ao disparo do flash garantia que mesmo o mais nervoso dos convidados ficava “congelado” no momento da pose. Que inveja, pensava eu então...
A elevada velocidade permitia controlar a luminosidade do fundo, manter o motivo em primeiro plano bem exposto, mesmo em contraluz e no caso da obrigatória foto de grupo (de grupos) garantir que as sombras negras sob os olhos desapareciam, mesmo com o sol do meio-dia da generalidade dos casamentos. Hoje, com gente a casar-se ao cair da tarde, os problemas são outros...
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Actualmente, é possível, com muitos dos actuais aparelhos, sincronizar a 1/250, o que nos aproxima do valor de 1/500 com que os fotógrafos sociais me acenavam nos anos 80. Subir a esse valor permite fazer uma exposição “correcta” – o que quer que isso efectivamente seja – com um valor de 1/250 a f/11.
Com os aparelhos e com unidades de flash mais simples 1/250 é o limite. Mas existem modelos que permitem subir a velocidade de obturação até ao limite do obturador da câmara, qualquer coisa como 1/8000. Esta técnica, normalmente designada “high-speed sync”, foi introduzida pela Olympus com a sua câmara OM-4 (lançada em 1983 e com velocidade máxima de 1/2000, um luxo na altura) e aplicada por outros fabricantes nos seus modelos de topo, e daí para modelos mais acessíveis de flashes e câmaras.
Esta capacidade de disparar o flash a qualquer velocidade abre um novo mundo de hipóteses ao fotógrafo. Mesmo sem abandonar a exploração do tema aqui proposto, a simples subida a valores acima dos 1/500 dos fotógrafos sociais dos anos 80, o que esta tecnologia permite fazer é impressionante: a foto com o valor de 1/1250 exemplifica o que escrevo. O controlo da luz de fundo é bem maior, permitindo criar aquele tipo de imagens que imediatamente nos atraem a atenção.
Na falta de um grupo de casamento ou modelos, um tomate é um bom motivo para mostrar o que a luz de um flash pode fazer por si. Na série de imagens pode ver, da esquerda para a direita, a exposição a 1/500 f/8 sem flash, a mesma com o flash a disparar e depois uma foto no modo de sincronismo a alta velocidade - high-speed sync - a 1/1250 e f/8. Simples e eficiente.
Experimente e envie-nos os seus exemplos, explicando como os realizou. As melhores 10 fotos chegadas à Fotodigital-online serão publicadas, com o nome dos autores. Os ficheiros a enviar devem ter um máximo de 800 pixéis de lado, em JPEG, qualidade 8. O endereço de envio é:
fotodigital (@) fotodigital-online.com











































































