A ideia de ter um estúdio em casa assusta alguns, mas este é barato, se bem que seja para coisas pequenas. Mas se a ideia de fotografar objectos em condições controladas lhe agrada, pegue na tesoura.
Fotografar pequenos objectos é divertido e pode mesmo ser uma excelente aula de experimentação da forma como a luz se comporta. Um simples cartão branco ou preto (ou de cor consoante o que se deseja) de base e alguns reflectores laterais, usando a luz diurna proveniente de uma janela (por vezes filtrada por um cortinado branco que tudo suaviza) é uma excelente ponto de partida. Mas os que pretendem um pouco mais e pretendem dedicar algum tempo a este tipo de fotografia (tabletop, chamam-lhe os ingleses) podem investir no “luxo” de um mini-estúdio que abre para um mundo imenso de possibilidades.
Existem no mercado caixas ou cubos de luz feitos de tecido, que são a solução “profissional”, mas o seu preço começa nos 30 euros, para algo básico e limitado em termos de controlo da luz e vai subindo até 250 euros para conjuntos com, verdade, iluminação incluída... mas que acabam por custar o mesmo que os aparelhos compactos de alguns leitores. A solução, contudo, pode ficar-lhe por menos de 10 euros, se tiver a paciência de continuar a ler.
Como fonte de luz, para poupar dinheiro, pense em usar o sol que é grátis e lhe entra pela janela de casa (espera-se...). Um flash, se possui um flash destacável da máquina (estou a pensar em aparelhos reflex, mas mesmo com algumas compactas ter um flash extra, que dispara por simpatia, pode ser um bom trunfo criativo) é uma boa escolha em termos de iluminação. E se o flash não disparar por simpatia (hoje alguns são controlados pelo flash da própria câmara) é sempre possível adquirir um cabo de extensão ou um acessório (a Hama tem alguns) que permitem disparar o flash... remotamente. Claro que neste caso o seu investimento vai ficar acima dos 10 euros prometidos, mas quando referi aquele valor pensava somente no mini-estúdio.
A base do estúdio que vai construir é uma caixa de cartão que pode comprar numa grande superfície comercial. Escolha uma com razoável dimensão ou cedo vai descobrir que tem um estúdio demasiado pequeno. Até porque depois de começar vai descobrir que tem montes de coisas que pode fotografar ali. Das bugigangas em cima dos móveis à sua colecção de modelos de carrinhos da MatchBox ou a câmara fotográfica que pretende vender para comprar um aparelho mais sofisticado. Por três euros pode ter a espinha dorsal do seu estúdio.
As imagens no diaporama mostram o que tem de fazer. Comece por montar a caixa e usar uma régua e lápis para marcar as zonas a abrir. Cuidado ao cortar as aberturas! Deve deixar uma margem suficiente para a caixa se manter de pé, mas rasgar janelas no topo e nas duas áreas laterais para que a luz entre facilmente na zona protegida dentro da caixa. Estas três aberturas chegam na generalidade dos casos, mas se desejar pode retirar também a zona traseira da caixa. Cuidado para que a estrutura fique minimamente sólida. Depois de retirar os rectângulos de cartão não os deite fora. Já lhes vamos dar uso. Para já pegue num lençol velho – branco, o mais branco que tiver - e corte pedaços de tecido para colar, com fita adesiva de boa qualidade, sobre cada uma das aberturas que criou.
Na caixa usada para este estúdio deixaram-se as abas frontais, que servem para controlar a luz que entra do lado onde fica o aparelho fotográfico. Opcionalmente, e se pretender usar a caixa no exterior, para fotografar, por exemplo, flores, pode cortar o fundo. É uma forma rápida de ter um estúdio para pequenas flores ao nível do solo que lhe oferece uma luz difusa ideal para fotografar até em horas de sol muito intenso. Uma cartolina colocada a partir do fundo, suficientemente comprida para servir de fundo quando necessário, e colocada de modo a formar uma curva suave na traseira do objecto que está a fotografar funciona tal e qual o papel de estúdio usado pelos fotógrafos. Pode ter várias cartolinas com cor, consoante o que pretender... mas esse custo já está fora do orçamento original de construção deste mini-estúdio. Que já está feito e pronto para funcionar.
Lembra-se dos pedaços de cartão que cortou dos lados da caixa. Peque neles agora e agarre em papel de alumínio daquele usado na cozinha, e crie dois reflectores colando papel (com fita gomada) por sobre o cartão, num dos lados. No outro use uma cartolina branca, que pode servir de reflector. Se desejar use uma cartolina preta sobre um dos cartões, de modo a criar um “não-reflector”, mas uma superfície que pode bloquear a luz totalmente. Ou que pode usar de base (tal como qualquer dos outros) no seu estúdio. Com os reflectores assim criados está pronto para começar a fotografar. Se usa uma reflex, pode mesmo moldar um dos cartões, com uma superfície branca, para servir de protector da objectiva da reflex. Abra uma ranhura circular no cartão que permita colocar a objectiva, e use esse “truque” para reduzir o reflexo da câmara em objectos reflectores. De facto, ao introduzir esse novo elemento acaba de criar mais um ponto de luz que devolve para o objecto fotografado a luz que viaja dentro do seu mini-estúdio.
Em termos de iluminação, a luz do sol pode ser a fonte das primeiras experiências. A suave e difusa luz criada dentro da caixa é excelente para muitas coisas. Mas um candeeiro doméstico com reflector pode ser a forma de estender a sua fotografia para lá das horas de sol. Colocado directamente por cima, ou de um dos lados, permite trabalhar com diferentes tipos de objectos e experimentar novas soluções de luz. Dois candeeiros duplicam as opções de iluminação... e um flash ou dois tornam mais fácil ensaiar. Descobrir. Se usar candeeiros lembre-se de verificar que não ficam muito encostados ao tecido do lençol, para não incendiar o seu estúdio!
Se a ideia lhe despertou a curiosidade, vá além do... “vou pensar nisso”. Faça-o. E envie as imagens das suas primeiras experiências, para partilhar com outros leitores.
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