Prática
Um filme de 35 mil fotos
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- Publicado em 15-03-2010
Sam O’Hare faz vídeo. E gosta de efeitos especiais. Mas também gosta de fotografia. Por isso mesmo fotografou Nova Iorque para fazer um filme: The Sandpit. Fotografou, isso mesmo! No resultado a cidade parece mais uma miniatura do que o espaço real. Invulgar!
Fotografado com uma Nikon D3 (bem e uma D80 numa foto...) The Sandpit é um filme que começou como um monte de 35 mil fotografias. Fotografadas com duas objectivas: uma Tamron 17-50mm f/2.8 e uma Sigma 50-150mm f/.28. A maioria das fotografias foram realizadas no formato DX (APS-C), única forma de manter a cadência, diz o autor, de gravação no cartão de memória. Nos barcos, porém, a cadência foi mais baixa, assim como nas fotos nocturnas, expostas cerca de 2 segundos cada. E depois houve que aprender alguns truques: Sam O’Hare descobriu que aos 130 fotogramas o aparelho parava, pelo que contava cada disparo de modo a soltar o disparador no momento da contagem final e voltar a carregar para nova dose. Ginástica...
O resultado é espantoso: um filme que se sabe que não é um filme, pelo saltitar de imagem para imagem, mas que ao mesmo tempo se vê como um filme, e que nos empurra para o fotograma seguinte, a tentar entender o que realmente sucede. Uma espreitadela ao quotidiano da grande cidade, a obra inspira-se, diz o autor, em Koyaanisqats: Life Out of Balance, o filme/documentário de Godfrey Reggio com música de Philip Glass e cinematografia de Ron Fricke.
Koyaanisqatsi: Life out of Balance, de 1982, considerado como um filme de culto, é um conjunto de sequências em slow motion e fotografia time-lapse de cidades e paisagens naturais dos Estados Unidos, olhado como um poema visual sem diálogo, narrativa. The Sandpit segue essa linha, ao integrar somente música concebida propositadamente para a obra, da autoria de Human.
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The Sandpit é desconcertante porque a técnica usada pelo autor sugere, por vezes, que estamos ante uma miniatura da cidade e não a urbe real. A forma de fotografar usada contribuiu para essa ilusão. O autor diz que primeiro realizou alguns testes “com uma 24mm tilt-shift que é ao padrão para fazer este tipo de coisas. No entanto após os testes achei que seria melhor criar esse tipo de efeito na pós-produção em vez de no momento do registo. Fotografar com tilt-shift exige um tripé e é complicado de estabilizar depois, além de que dá menos flexibilidade ao resultado final. Optei por fotografar com objectivas normais, o que me permitiu ter opções de profundidade de campo e movimento na produção. Usei um tripé para as fotos nocturnas e o meu Gorillapod (que é muito portátil) sempre que possível, mas em muitos locais – como a beira de telhados ou através de uma abertura na vedação de uma ponte – tive de fotografar com a câmara na mão e remover o inevitável movimento depois.
As sessões de fotografia decorreram ao longo de cinco dias e duas noites, na mais quente semana de Agosto de 2009. Os fotogramas, em NEF (o RAW da Nikon) foram organizados no Adobe Lightroom, depois montadas em sequências de filme a 720p para a edição inicial. O filme quase final foi gravado a 2800px, para a fase de estabilização e introdução dos efeitos DOF (Depth Of Field) e o movimento com o software Frischluft Lenscare. O resultado, a
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