Prática
Fotografar flores: quase todas as câmaras servem
- Publicado em sexta, 18 junho 2010 17:56
A fotografia de flores é algo que muitos amadores gostam de fazer, mas de que muitos desistem alegando não terem equipamento à altura, dizem. E há mesmo quem os confunda alimentando essa ideia errada. Sabia que até uma compacta serve? E que até pode ter vantagens?
Fotografar flores não exige uma super máquina profissional- como usam dizer alguns escribas de coisas desta arte – nem sequer uma reflex. Algumas das minhas boas fotos de flores são feitas com compactas, as que me passam pela mão, se bem que algumas sejam mais fáceis de usar, por permitirem algum controlo, e outras sejam um verdadeiro desatino para um fotógrafo aspirando a mais do que instantâneos.
Contra o que é voz corrente, nem sempre uma reflex é a melhor escolha para fotografar flores. Se deixarmos de lado as questões de dimensão de sensor, que nos levam noutra direcção, e assumirmos que o fotógrafo só pretende fazer ampliações até ao A4 (e estou a ser cuidadoso) uma compacta com um sensor do tamanho de uma unha de gato serve. Tem é de ser uma compacta que deixe ao fotógrafo alguma capacidade de decisão em termos de exposição e focagem, os elementos essenciais da operação.
Tenho usado recentemente de compactas a Micro Quatro Terços e reflex para fazer flores. Essa experiência é reflectida aqui, para que as pessoas não digam que falo sem conhecimento de causa. De facto, mantenho um workshop de fotografia com compactas que pretende tirar aos utilizadores a ideia errada de que possuem um equipamento inferior. Algumas máquinas, confesso, surpreendem-me pela negativa, como me sucedeu recentemente com uma série de Sony que tive nas mãos (aquilo é para não fotógrafos...) mas outros aparelhos, como uma Casio Z-2000 que já testei aqui deixaram-me muito boa impressão. Tanta, de facto, que até um fotógrafo americano que vive no Japão e com quem me correspondo afirmou, ao ver as fotos, que o convencera na escolha de aparelho para oferecer à filha.
Algumas das melhores fotos dos últimos tempos têm também sido realizadas com aparelhos Micro Quatro Terços, Lumix e Olympus indiscriminadamente – Olympus E-PL1, Lumix G2, G10, GF1 – que me permitem, com as objectivas de kit que usam, realizar planos aproximados/macros que deixam qualquer um extasiado.
É essa capacidade de aproximação que compactas e Micro Quatro Terços oferecem com objectivas normais que as colocam na dianteira das reflex quando se trata de fotografia de flores a curta distância. Numa reflex isso significa, por norma, um investimento numa objectiva especializada que custa centenas de euros. Aqui atinge-se uma ampliação fora do comum com objectivas simples, que fazem todo o tipo de trabalho. É algo a ter em conta quando se pensa lançar para o ar o disparate habitual: necessito de uma máquina assim para fazer o mesmo. Não necessariamente, necessita de saber usar o que tem. Como as fotos junto provam. Leia as legendas para saber o que é o quê.
Dito isto, volto sempre à minha reflex para fazer flores. Mas contrariamente ao que alguns também julgam não uso a macro para muitas das minhas fotos de flores. Uso uma 100-400mm na focal máxima e com reduzida profundidade de campo para obter os efeitos que pretendo. A versatilidade que me permite a reflex – aparelhos com que convivo desde os anos 70 a um ritmo diário – é algo que não dispenso para muita coisa, mas isso não me impede de aceitar o desafio de fotografar com a Olympus E-PL1 que agora levo quase sempre atrás de mim. E de acabar com bons resultados. Algo que tento repetir com cada nova compacta que testo, ou qualquer outro aparelho, como a Samsung NX10 agora a ser espreitada, que me passa pelas mãos. É o desafio de usar “pincéis” diferentes que me seduz também na prática fotográfica. Mesmo que acabe por ter os “pincéis” da marca que uso regularmente por perto.
É isso mesmo que tento ensinar às pessoas nos workshops que organizo. Aceitando-as com os aparelhos com que chegam e tentando fazer com que tirem deles o máximo rendimento (o Homem a dominar a máquina...) para descobrirem até que ponto gostam de fotografar. Depois, só depois, se for caso disso e se justificar para as ambições que têm, as guio na procura de um aparelho mais sofisticado.












































































