Prática
Mais de 4 mil fotos sem mudar de “filme”
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- Publicado em 14-09-2010
A capacidade dos cartões de memória está a crescer de tal forma que agora as câmaras já mostram não centenas mas os milhares de fotos que cabem num só cartão. Uma boa razão para pensar duas vezes antes de comprar os seus próximos cartões de memória.
O fotógrafo Scott Kelby confessou recentemente no seu blogue que ficou pasmado ao olhar para o mostrador da câmara que usa e verificar que podia registar mais de 4.300 fotos sem mudar de cartão. Em JPEG na qualidade mais alta, que em RAW o valor descia para +/- 1.200 fotogramas.
Ficou tão admirado que acabou por fotografar o ecrã de informação da câmara e publicar a foto no seu blog. O cartão, diga-se, é um Lexar de 32GB, a mais alta capacidade do segmento profisisonal na Lexar. Trata-se de um Lexar Professional 600X high-speed UDMA que além da velocidade extrema pode receber cerca de 4.600 fotos de uma câmara com 21 milhões de pixéis. Se pensarmos num aparelho do segmento mais popular, com 12 milhões de pixéis, o cartão pode arquivar 8.600 fotos. E no caso de um sensor de 16 milhões de pixéis ainda fica espaço para... 6.400 fotos. Mais fotos do que alguns alguma vez sonharam fazer, sequer num ano.
Existe uma razão óbvia para ninguém correr a comprar um cartão destes de momento: custa cerca de 500 euros. Claro que existem versões de 16 e 8GB mais acessíveis, mas mesmo assim... caras. É o topo da escala. Mas existem, obviamente, soluções mais acessíveis, com igual capacidade.
Além do preço, contudo, talvez exista uma outra razão que leva as pessoas a fugirem dos cartões com muito espaço: o medo de que algo corra mal e percam as fotos todas. Efectivamente, esse é um medo que vem do tempo dos primeiros cartões – e das MicroDrives da IBM, que se deixadas cair podiam avariar, dado serem discos rígidos miniatura – mas que nos dias que correm parece fazer cada vez menos sentido. E à medida que os milhões de pixéis se vão tornando mais elevados, é natural que se queira usar cartões de maior dimensão.
O meu caso pessoal é um exemplo prático que sugere isso mesmo. A EOS 20D, com oito milhões de pixéis, foi por muito tempo a minha câmara. Só há dois anos passei para a EOS 50D, subindo a fasquia dos pixéis de 8 para 15 milhões, que justificavma o investimento em novos cartões. Na altura pareceu-me que a melhor escolha eram os de 16 GB, com um preço razoável para a qualidade elevada que eu pretendia. Foi isso que fiz. Mas desde então os meus cartões de 2 e 4GB que pareciam ser excelentes passaram a ser... pequenos. Um cartão de 2GB permite-me fazer 219 RAW ou 524 JPEG na EOS 20D, mas quando passo o mesmo cartão para a EOS 50D posso fazer somente 89 RAW ou 367 JPEG. Sobretudo em RAW é quase como voltar ao tempo do filme, com somente 36 fotogramas. Sobretudo porque em disparo contínuo a EOS50D parece uma “costureirinha” e devora todos os fotogramas em poucos segundos.
Esta situação sugere que quando se tem de adquirir cartões é bom calcular bem as possibilidades de evolução do equipamento fotográfico a breve trecho, para que esse investimento se traduza, afinal, em algo, no caso dos cartões, que acompanhe a troca de aparelho e provável subida de megapixéis. É evidente que continuo a usar os meus cartões mais antigos, sobretudo se estou a fazer JPEG, mas a sensação de “ter de trocar de rolo” reaparece com mais intensidade quando recorro aos cartões mais pequenos.
É bem mais confortável colocar um cartão de 16GB na EOS 50D e disparar sem pensar se estou a atingir o limite. Isso não significa que disparo longas sequências por muito tempo, mas somente que posso pegar no aparelho e não estar a pensar se terei de levar mais cartões atrás. No modo de RAW a EOS 50D dá-me 744 imagens de liberdade, enquanto em JPEG esse valor vai - muito - além das 999 que o meu sistema – ainda incapaz de contar milhares – me indica. Efectivamente, fazendo as contas, devem caber cerca de 3.000 fotos.
Se me sinto seguro colocando tantas fotos num só cartão? Confesso que tento nem pensar nisso, e efectivamente não tenho tido qualquer problema com os cartões que vou comprando. É evidente que não compro as pechinchas que andam por aí, e aquelas marcas de que não se sabe bem a origem (se bem que a a base seja sempre a mesma, existem poucos fabricantes de memória). Faz todo o sentido investir em cartões que garantem que se regrewssa a casa com as fotos registadas. Afinal, ninguém compraria o pior filme do mercado para fazer as suas melhores fotos.











































































