For my portuguese readers

Numa altura em que o website da FOTOdigital se transfere para o domínio da língua inglesa, onde se escreve colors e colours e todos se entendem, é importante explicar a razão para se manter esta pequena coluna, não regular, em Língua Portuguesa.

Este texto em Português é um sinal de respeito pela minha língua, que aprendi a soletrar ao cuidado da Dona Tininha, professora reformada que foi para mim uma espécie de jardim infantil no final dos anos 50 do, posso dizer, século passado. Foi com ela que aprendi os primeiros passos de leitura, paixão que me levou a devorar livro atrás de livro em Verões quentes da infância, a continuar com a mesma fome na minha juventude e a descobrir revistas e jornais, sobretudo, nos anos seguintes, a par com algumas leituras seleccionadas e o começo de muitas leituras em computador, até aos ebooks, em língua inglesa, que hoje preenchem muito do meu tempo.

Li, ao longo dos anos, em inglês americano, britânico e universal, três formas, com variações, de falar a mesma língua. Li em francês, em espanhol e em dinamarquês, que de tão similar ser ao sueco e noruegês, permite que os falantes de cada País se entendam razoavelmente sem assinarem qualquer espécie de acordo. E li, na minha juventude, muitos livros de autores brasileiros, sem que a diferença de termos me criasse grandes problemas. E trauteei, pelos anos 70 e 80 as letras de múltiplas canções de sabor brasileiro, que me soavam bem, mesmo se alguns termos necessitavam de melhor explicação.

O Brasileiro, ou o Português falado no Brasil, tem, contudo, divergido do que se fala em Portugal. E  por cá, a par de evoluções, algumas pela via errada, da Língua, assistimos a outras mudanças, e até a convulsões, como a do decreto que faz por mudar a Língua. Apesar de provado na prática, do meu ponto de vista, que está errado, é desconexo e não faz sentido, a sua institucionalização rápida - e a saloia moda do Português de querer ser moderno - fizeram com que, de repente, os termos mais estranhos de um suposto léxico nacional surgissem por aí, esquecidas as raízes das palavras que, afinal, dividimos com os que vivem deste lado do mar. De repente renegamos cês, pês  e mais letrinhas, como se fossem um impecilho à pronunciação. E ficamos a olhar para franceses, ingleses, italianos e outros que não entendem que percepção temos das coisas do passado quando erradicamos da Língua as raízes que, como nas árvores, lhe dão consistência.

Confesso que cada dia me reconheço menos nas frases que vejo escritas por quem adoptou a estúpida modernidade por decreto. E quando vejo como escrevem, desregradamente, cada vez pior, dói-me a alma ao ver o que fazem à Língua que para mim tem sido não só ferramenta de trabalho mas Paixão. Acho que passa por aí, também, a razão da minha "emigração" para a escrita em inglês. Ali ninguém me obriga a escrever colour or color, todos se entendem. Sem decretos e estupidez.

A FOTOdigital em português era manifestamente contra o Aborto Ortográfico (desculpem mas esse é o seu vero nome), que serve interesses que não são os da Língua. Apesar de me mudar, em termos de trabalho, para uma língua que não parece preocupar-se com diferenças, a inglesa, afinal consumando uma "emigração" a que já me vira forçado pelos actuais desgovernantes de Portugal, láparos roedores da nossa Nação e Povo, a FOTOdigital continua a ser um guardião do Português correcto. O outro, sem cês e pês, é como já lhe chamaram, uma espécie de crioulo brasileiro.

Loading...
Loading...