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Lightroom 4: baixa de preço e qualidade?
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- Publicado em 14-03-2012
O lançamento da versão final do Adobe Lightroom 4 a um preço muito abaixo do da versão anterior e antes da data esperada trouxe uma nova preocupação: imensos bugs. A Adobe está a investigar enquanto alguns a acusam de estar a estupidificar um programa que ainda há dias aplaudiam.
O lançamento da versão final do Adobe Photoshop Lightroom 4 no começo do mês de Março deixou toda a gente um pouco surpreendida. Com a primeira beta pública a terminar no final de Março esperava-se o lançamento do programa mais perto do final do mês ou mesmo o aparecimento de uma nova beta, e o lançamento em Abril. Nada disso: a Adobe lançou o programa quase sem pré-aviso, e desceu o preço para um valor que coloca o Lightroom 4 pouco acima do preço médio de ferramentas similares, porventura mais versáteis para uso doméstico, mas menos capazes no que toca o tratamento de imagens.
As primeiras opiniões sobre o programa foram e continuam a ser favoráveis, e os problemas surgidos durante a beta, como é habitual, estavam na calha para serem resolvidos. No meu caso, com um interesse específico no módulo de criação de Books, que me levou já a dar um workshop de dia inteiro sobre o tema, passei da beta para a versão final descobrindo que as incompatibilidades com alguns tipos de fontes continuam a existir e podem originar problemas incontornáveis. Troquei emails com Julianne Kost, evangelista da Adobe que tem uma paixão especial, também, pelo módulo de Books, e com outros responsáveis da Adobe, por causa do problema, e acabei por resolver a minha situação pessoal seguindo um conselho que vinha da fase beta: tentando usar outro tipo de fonte nos livros. Acabei por descobrir que a fonte Calibri, que alguns gostam de usar em livros, não está a funcionar bem no Lightroom 4, quando se chega ao processo de produção do pdf final de um livro. Desaparecem blocos de textos em diversas páginas, sem uma explicação, por ora, para a razão.
Alguns módulos, novos e velhos do LIghtroom - ou o seu funcionamento - não me preocupam muito por ora, dado que não os uso - GPS, slideshows, etc. - mas após as primeiras boas impressões causadas pelo novo processo de tratamento de imagens, na fase beta, o que as pessoas estão a descobrir na passagem para a versão final é que oe seus catálogos, importados, apresentam diversos problemas. Além de problemas com palavras-chave que se multiplicam e alguma dificuldade em actualizar catálogos - em alguns casos - surgem problemas mais graves no que respeita o módulo de Develop, aquele que mais pessoas usam no Lightroom.
Tom Hogarty, gestor de produto do Lightroom, publicou no Lightroom Journal uma lista dos problemas e nota do que está a ser feito para os resolver. A lista inclui problemas com imagens que foram editadas usando curvas, perdendo-se toda essa informação na passagem para o Lightroom 4. Mas há mais más notícias: a generalidade dos plugins de nomes como Nik Software ou Topaz Labs deixaram de funcionar, causando, como se depreende, imensa preocupação na comunidade de utilizadores desses produtos. Entre os quais me incluo.
Existem depois incongruências que sugerem que o Lightroom 4 foi apressado. Quando se pretende editar uma imagem no Photoshop o programa pede o Camera Raw 7 quando a versão actual é a 6.7. Estão ainda a acontecer situções pontuais de problemas com números de série de compras de programa efectuadas online, algo que já sucedeu anteriormente, e problemas com a aplicação das coordenadas geográficas do Google em fotos, associado ao novo módulo GPS do Lightroom 4.
Estes e outros problemas, incluindo também a lentidão do programa referida por muitos utilizadores, levou os fotógrafos a recuarem para a versão 3.6 do Lightroom, que muitos mantiveram instalada - é possível ter as duas versões - e, se ainda não o fizeram, a aguardar que a Adobe resolva os problemas antes de efectuarem a aquisição do Lightroom 4.
É evidente que a Adobe está a investigar todos os problemas de um programa que se tornou charneira da sua actividade, e que os resolverá de forma a consolidar a confiança que os fotógrafos depositam no nome, mas este é um acontecimento que em nada contribui para ganhar a confiança das pessoas. E como sucede sempre nestas coisas, quando algo corre mal até as coisas boas, como a descida de preço do programa para valores mais acessíveis a todos, é olhada com desconfiança, apontada por alguns como tendo uma razão: o facto de a Adobe saber que o Lightroom 4 não presta.
É interessante para mim, como observador do mercado, apreciar a forma quase infantil como alguns associam elementos distintos para criarem uma espécie de teoria da conspiração: dizer que a descida de preço significa que a Adobe fez o LR 4 pior do que o LR3, quando até aqui o caminho tem sido de desenvolvimento que todos aplaudiram, e que o está a tornar apelativo para amadores "estupidificando-o" e por isso baixou o preço, é levar bem longe a idiotice.
A Adobe terá, isso sim, entendido que depende do Lightroom 4 para garantir a sua sobrevivência - calculo que representará já uma boa fatia das suas vendas - e por isso mesmo, até face ao avanço de soluções de edição de imagem com outros nomes, decidido baixar o preço drasticamente para poder chegar a mais gente. E acrescentou a isso a possibilidade de se fazer a actualização para o LR4 a partir de qualquer versão anterior. Essa dupla opção, inaudita, pode ser o primeiro ensaio para outras descidas de preço noutros produtos da Adobe, como forma de chegar a mais gente. Pode ser uma nova estratégia. Ou talvez não, mas a verdade é que o Lightroom 4 chegou e, quer se goste ou não, veio para ficar. Tem bugs que necessitam de resolução urgente, mas é o passo necessário para chegarmos ao LR5.









































































